22 de setembro de 2026

Geraldo Lucio contextualizando o Cenário Nacional da Mandioca

O cenário nacional da mandioca no Brasil em 2026 passa por um momento de transição, ajuste de safra e readequação de preços.

Sendo um dos alimentos mais tradicionais e o país o quinto maior produtor mundial da raiz, a cultura movimenta bilhões de reais e se divide de forma clara entre a subsistência regional e o abastecimento de grandes indústrias.

Após uma expansão expressiva que levou a produção brasileira perto de 20,8 milhões de toneladas em 2025, as projeções para 2026 indicam uma leve retração de cerca de 2,5% (estimada em 20 milhões de toneladas pelo IBGE), motivada pela redução na área colhida e acomodação do mercado.


📊 Divisão Regional e Dinâmica do Mercado

A cadeia da mandioca opera sob duas lógicas de mercado totalmente distintas no território nacional:

Região / Polo

Foco de Produção

Destinação Principal

Dinâmica Econômica

Norte e Nordeste
(Liderado pelo Pará)

Mandioca de mesa e farinhas

Consumo humano e segurança alimentar regional

Baseada na agricultura familiar e tradição cultural.

Centro-Sul
(PR, SP e MS)

Uso estritamente industrial

Produção de fécula e amidos modificados

Alta tecnificação, com preços atrelados às demandas das fecularias.


📈 Tendências e Desafios Atuais

·         Volatilidade de Preços: Como a raiz fresca in natura não pode ser estocada por longos períodos, o mercado é extremamente sensível à sazonalidade e ao clima. No segundo semestre de 2026, a restrição de oferta e dificuldades na colheita por fatores climáticos elevaram os preços pagos ao produtor aos maiores patamares em mais de um ano.


·         O "Boom" do Mercado Fitness: A demanda por fécula de mandioca disparou impulsionada pelo consumo em massa de tapioca e alimentos saudáveis. O uso industrial da fécula, que antes destinava apenas 3% para o mercado de tapioca, saltou para a casa dos 10%, além de atender a mais de 800 aplicações em setores como o têxtil e farmacêutico.


·         Margens Apertadas no Campo: Embora os preços de venda estejam reagindo, os produtores enfrentam desafios com o aumento dos custos de produção, inflacionados principalmente pelos gastos com mão de obra (essencial na colheita que ainda é predominantemente manual) e pelo valor do arrendamento de terras.

 

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