O cenário nacional da mandioca no Brasil em 2026
passa por um momento de transição, ajuste de safra e readequação de preços.Sendo um dos alimentos mais tradicionais e o país o
quinto maior produtor mundial da raiz, a cultura movimenta bilhões de
reais e se divide de forma clara entre a subsistência regional e o abastecimento
de grandes indústrias.
Após uma expansão expressiva que levou a produção
brasileira perto de 20,8 milhões de toneladas em 2025, as projeções para
2026 indicam uma leve retração de cerca de 2,5% (estimada em 20 milhões de
toneladas pelo IBGE), motivada pela
redução na área colhida e acomodação do mercado.
📊 Divisão Regional e Dinâmica do
Mercado
A cadeia da mandioca opera sob duas lógicas de
mercado totalmente distintas no território nacional:
|
Região / Polo |
Foco de Produção |
Destinação Principal |
Dinâmica Econômica |
|
Norte e
Nordeste |
Mandioca
de mesa e farinhas |
Consumo
humano e segurança alimentar regional |
Baseada
na agricultura familiar e tradição cultural. |
|
Centro-Sul |
Uso
estritamente industrial |
Produção
de fécula e amidos modificados |
Alta
tecnificação, com preços atrelados às demandas das fecularias. |
📈 Tendências e Desafios Atuais
·
Volatilidade de Preços: Como a raiz fresca in natura não pode ser
estocada por longos períodos, o mercado é extremamente sensível à sazonalidade
e ao clima. No segundo semestre de 2026, a restrição de oferta e dificuldades
na colheita por fatores climáticos elevaram os preços pagos ao produtor aos
maiores patamares em mais de um ano.
·
O "Boom" do Mercado Fitness: A demanda por fécula de mandioca disparou
impulsionada pelo consumo em massa de tapioca e alimentos saudáveis. O uso
industrial da fécula, que antes destinava apenas 3% para o mercado de tapioca,
saltou para a casa dos 10%, além de atender a mais de 800 aplicações em setores
como o têxtil e farmacêutico.
·
Margens Apertadas no Campo: Embora os preços de venda estejam reagindo, os
produtores enfrentam desafios com o aumento dos custos de produção,
inflacionados principalmente pelos gastos com mão de obra (essencial na
colheita que ainda é predominantemente manual) e pelo valor do arrendamento de
terras.
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