17 de setembro de 2026

Geraldo Lúcio escreve sobre o lado positivo do Turismo Rural na Agricultura Familiar (TRAF) voltado à produção de hortifrutigranjeiros em Mato Grosso (O Paradoxo)

O paradoxo do Turismo Rural na Agricultura Familiar (TRAF) voltado à produção de hortifrutigranjeiros em Mato Grosso reside no fato de que o turismo atua simultaneamente como a salvação econômica da pequena propriedade e como uma ameaça à sua capacidade produtiva original, embora esse conflito gere profundos aspectos positivos no balanço final.

Enquanto Mato Grosso se destaca globalmente como o gigante das grandes monoculturas (soja, milho e algodão), a agricultura familiar responde pelo abastecimento de grande parte dos alimentos frescos (frutas, verduras e legumes) consumidos internamente. O cruzamento dessa atividade com o turismo rural gera a seguinte dinâmica paradoxal:

O Paradoxo: Menos tempo para a terra vs. Maior valor pelo produto

Para receber turistas, o agricultor familiar precisa desviar sua mão de obra (que já é escassa e essencialmente familiar) do trabalho diário na lavoura de hortifrúti para se dedicar ao atendimento, infraestrutura e hospitalidade. 

O paradoxo é que, ao produzir potencialmente menos ou gastar menos tempo plantando, a família acaba lucrando e prosperando muito mais.

Abaixo estão os aspectos positivos que emergem e resolvem esse paradoxo:

1. Eliminação dos atravessadores e agregação de valor

·         O problema da venda: O produtor de hortifrúti em Mato Grosso historicamente sofre com gargalos na comercialização e logística.


·         A solução turística: Com o turismo rural (como os sistemas "colha e pague"), o consumidor urbano vai até a propriedade. O agricultor deixa de vender uma caixa de tomate a preço de custo para o intermediário e passa a vender a experiência e o produto pelo preço final de varejo. Alimentos que iriam estragar ou perder o valor de mercado ganham nova vida na gastronomia local, transformados em doces, geleias e cafés coloniais.

2. Diversificação da renda e resiliência financeira

·         Hortifrutigranjeiros são culturas altamente perecíveis e suscetíveis a variações climáticas drásticas ou pragas. O turismo rural oferece uma receita financeira contínua e complementar. Se uma frente fria ou seca extrema afetar a colheita de folhosas, as atividades de lazer, hospedagem e alimentação sustentam o caixa da propriedade.

3. Estímulo à transição agroecológica e valorização cultural

·         O turista urbano busca autenticidade, saúde e contato com a natureza. Isso força e incentiva positivamente o produtor a abandonar o uso excessivo de defensivos químicos, migrando para práticas orgânicas e agroecológicas. O cinturão verde de Mato Grosso passa a ser visto não apenas como espaço de produção de comida, mas como um patrimônio ecológico e cultural protegido.

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4. Sucessão familiar e permanência no campo

·         Em Mato Grosso, a força de atração do agronegócio corporativo urbano frequentemente esvazia as pequenas propriedades, gerando o êxodo dos jovens rurais. O turismo traz inovação tecnológica, uso de redes sociais para divulgação e a necessidade de novos serviços. Isso reconecta os jovens com a propriedade, enxergando nela um negócio moderno e rentável, garantindo a continuidade da produção de hortifrúti para as próximas gerações.

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