17 de setembro de 2026

A situação da horticultura em Mato Grosso é marcada por um forte paradoxo

O Estado de Mato Grosso  é o gigante nacional dos grãos, mas ainda importa mais de 50% dos hortifrutis que consome. 

Embora seja um mercado altamente promissor e em expansão para a agricultura familiar, o setor enfrenta gargalos climáticos e estruturais severos.

O Panorama atual do setor se divide nos seguintes pontos centrais:

1. Dependência de Outros Estados (Déficit de Produção)

·         Alta Importação: Mato Grosso precisa trazer a maior parte de suas frutas, legumes e verduras de estados como São Paulo, Paraná, Goiás e Minas Gerais. A produção local atende a menos da metade do consumo interno de hortaliças.


·         Preço das Terras: O avanço agressivo das culturas de commodities (como soja e milho) valorizou drasticamente o preço das terras, empurrando a horticultura para regiões mais afastadas ou limitando o espaço dos pequenos produtores.

2. Desafios Climáticos e Tecnológicos

·         Clima Seco e Quente: O calor intenso e o período de estiagem severa (característico do Centro-Oeste) dificultam o cultivo de folhosas e hortaliças sensíveis. Sem tecnologia de irrigação e cultivo protegido (estufas), a produção despenca em certas épocas do ano, gerando desabastecimento e queda na qualidade.


·         Baixa Tecnologia: Grande parte dos horticultores locais ainda utiliza técnicas tradicionais de baixo rendimento. Quem consegue investir em estufas e climatização encontra um mercado altamente lucrativo devido à baixa concorrência interna.

3. Oportunidades e Apoio Técnico

·         Renda Rápida: A horticultura é vista por órgãos de fomento como uma das principais ferramentas para fixar o homem no campo e gerar receita rápida para a agricultura familiar (com ciclos de colheita curtos, de 30 a 90 dias). 


·         Programas de Incentivo: Iniciativas como o MT Horticultura (desenvolvido pela UNEMAT) e os treinamentos focados em olericultura do Senar-MT buscam capacitar produtores e introduzir variedades mais resistentes ao clima local. Cidades como Tangará da Serra se consolidaram como importantes polos de produção e pesquisa técnica do setor.

As principais variedades produzidas localmente incluem alface, milho verde, melancia, tomate, abobrinha e banana.

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