Localizado no coração
da América do Sul, seu território abriga o encontro de três biomas fundamentais
— o Pantanal, o Cerrado e a Amazônia —, cuja imponência
moldou a identidade de seu povo. A identidade mato-grossense é fruto de um
processo histórico profundo de miscigenação entre dezenas de etnias indígenas
originárias, quilombolas, colonizadores paulistas (bandeirantes), europeus e
ondas migratórias recentes de outras regiões do país.
1. História de Mato Grosso: A Corrida do Ouro e a
Integração Territorial
A história do estado começou a se desenhar de forma
marcante no início do século XVIII com a corrida do ouro.
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O Período Colonial: Em 1719, o bandeirante paulista Pascoal Moreira Cabral fundou Cuiabá
após descobrir ricas jazidas de ouro nas margens do Rio Coxipó. Para assegurar
o domínio da Coroa Portuguesa contra o avanço espanhol, a Capitania de Mato
Grosso foi criada em 1748, tendo como primeira capital a Vila Bela da
Santíssima Trindade.
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Séculos XIX e XX: Após o esgotamento do ouro, a região viveu períodos de isolamento,
sustentada pela pecuária tradicional e pelo comércio fluvial com a bacia do
Prata. Durante a Guerra do Paraguai (1864–1870), Mato Grosso foi um palco
estratégico de resistência e batalhas. No século XX, o território foi integrado
definitivamente ao restante do país pelas expedições de Marechal Rondon, pela
Marcha para o Oeste de Getúlio Vargas e pelo posterior surto migratório de
sulistas e nordestinos nas décadas de 1970 e 1980.
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Modernidade:
Atualmente, Mato Grosso é a capital nacional do agronegócio, liderando a
produção de grãos e carne do país, enquanto preserva em suas raízes históricas
as marcas da ocupação colonial e da herança indígena.
2. Patrimônio Cultural Material
O patrimônio material do estado abrange as
edificações, centros históricos e sítios arqueológicos que contam a história
física de sua colonização e ancestralidade.
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Centro Histórico de Cuiabá: Tombado pelo IPHAN
(Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), preserva o
traçado urbano colonial sinuoso do século XVIII. Destacam-se casarões de taipa
e adobe, ruelas estreitas e a belíssima Igreja de Nossa Senhora do Rosário e
São Benedito (construída por escravizados por volta de 1730).
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Ruínas de Vila Bela da Santíssima Trindade: A antiga capital abriga as
imponentes ruínas em pedra e argamassa da Igreja Matriz de Nossa Senhora da
Guia, um marco monumental no meio do vale do Guaporé que testemunha a
opulência colonial e a forte resistência da comunidade negra local.
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Sítios Arqueológicos e Arte Rupestre: O estado possui ricos vestígios pré-coloniais. A
região de Rondonópolis (Cidade de Pedra) e abrigos na Chapada dos
Guimarães guardam pinturas rupestres e ferramentas de milhares de anos
feitas por povos caçadores-coletores antigos.
3. Patrimônio Cultural Imaterial e Manifestações
Culturais
O patrimônio imaterial mato-grossense vibra através
do som de instrumentos únicos, de danças enérgicas e de saberes ancestrais
transmitidos por gerações.
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Manifestação / Saber
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Descrição Principal
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Instrumentos / Elementos
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Modo de
Fazer a Viola de Cocho
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Patrimônio
Imaterial do Brasil (tombado
pelo IPHAN). Consiste no saber artesanal de entalhar um instrumento musical
em um bloco único de madeira inteiriça (cocho).
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Madeira
(chimbuva ou penedo), cordas de trippa ou náilon.
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Siriri
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Dança
folclórica de ritmo rápido e festivo executada por homens, mulheres e
crianças em filas ou rodas. Celebra a vida e a devoção aos santos.
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Viola
de cocho, ganzá (reco-reco) e o mocho (tambor de banco).
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Cururu
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Manifestação
tradicionalmente masculina, realizada em rodas de cantoria. Pode ser uma reza
cantada religiosa ou uma porfia (desafio de rimas e versos
improvisados).
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Viola
de cocho e ganzá.
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Dança
dos Mascarados
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Típica
do município de Poconé, é uma dança de homens divididos entre
"galãs" e "damas" (homens vestidos de mulher), todos
usando máscaras artesanais, passos coreografados e trajes coloridos.
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Sopros,
tambores e influência da quadrilha europeia.
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Chorado
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Dança
originária de Vila Bela da Santíssima Trindade, criada por mulheres
escravizadas que dançavam batendo os pés e equilibrando garrafas de bebida na
cabeça para pedir o perdão dos senhores de engenho.
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Batucada
pesada de tambores, palmas e canto dolente.
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4. Festas Culturais e Religiosas
O calendário mato-grossense é repleto de
celebrações que unem o sincretismo religioso, a devoção católica e o
folclorismo popular.
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Festa de São Benedito (Cuiabá): É a maior festa religiosa do estado. Realizada em
julho, dura vários dias e atrai milhares de fiéis à Igreja do Rosário. É
marcada por grandiosas procissões, distribuição de comidas típicas (como o bolo
de arroz) e extensas apresentações de Cururu e Siriri no quintal da igreja.
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Cavalhadas de Poconé e Cáceres: Encenações teatrais ao ar livre de origem medieval
que simulam as batalhas históricas entre Mouros (vestidos de vermelho) e
Cristãos (vestidos de azul). Os cavaleiros realizam testes de destreza montados
a cavalo em uma arena, em um espetáculo visual de cores e trajes luxuosos.
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Festa do Divino Espírito Santo: Celebrada em diversas comunidades tradicionais e
ribeirinhas (como na Baixada Cuiabana), envolve o ritual do
"Imperador", o hasteamento do mastro sagrado e foliões que visitam as
casas abençoando as famílias com cantorias de Cururu.
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Festa do Congo (Vila Bela): Uma celebração de herança puramente africana que
encena a disputa pelo trono do Reino do Congo. Homens com mantos e espadas
dançam pelas ruas revivendo a realeza negra e a devoção a São Benedito e Nossa
Senhora do Rosário.
5. Turismo em Mato Grosso: Natureza e Aventura
Mato Grosso é um dos principais destinos de ecoturismo
e turismo de aventura do mundo, graças à sua biodiversidade incomparável.
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Pantanal Matogrossense: A maior planície de inundação contínua do planeta.
O turismo se concentra ao longo da Rodovia Transpantaneira (partindo de
Poconé), onde turistas fazem safáris fotográficos para avistar jacarés,
capivaras, tuiuiús e a famosa onça-pintada, além de praticar a pesca
esportiva no Rio Paraguai e afluentes.
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Chapada dos Guimarães: Localizada a poucos quilômetros de Cuiabá, a
Chapada encanta com seus impressionantes paredões de arenito vermelho, mirantes
naturais e dezenas de cachoeiras (como a famosa Véu de Noiva). É um polo
para trilhas, misticismo e contemplação da natureza do Cerrado.
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Nobres (Vila Bom Jardim): Conhecida pelas suas águas incrivelmente
cristalinas e azuis devido à alta concentração de calcário. Os turistas
realizam flutuação ao lado de cardumes de peixes nos rios, visitam a Cachoeira
da Serra Azul e contemplam o pôr do sol na Lagoa das Araras.
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Turismo Tecnológico e Étnico: O estado atrai o turismo de negócios voltado às
grandes feiras do agronegócio. Paralelamente, cresce o turismo indígena,
onde aldeias (como as do povo Kuikuro ou Pareci) abrem as portas de forma
sustentável para que visitantes conheçam seus rituais, pinturas corporais e
cosmologia.
6. Culinária Tradicional: O Sabor da Baixada
Não se pode falar de Mato Grosso sem citar sua
gastronomia rica em peixes de água doce e frutos nativos:
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Pratos com Peixe: O Pacu assado, a Calpivara, o Pintado ensopado e a famosa Maria
Isabel (arroz com carne seca picada).
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Ingredientes Marcantes: O uso intenso do pequi (fruto do cerrado de
aroma marcante), da mandioca, da banana-da-terra (frita ou em farofa) e doces
tradicionais como o furrundu (feito de mamão verde e rapadura).