O cenário da mandioca no Estado de Mato Grosso é marcado por uma forte
base na agricultura familiar, elevado potencial genético e um esforço recente
de modernização técnica para impulsionar a produtividade.
Embora o estado seja globalmente reconhecido pelos recordes na produção de commodities de larga escala (como soja e milho), a mandioca desempenha um papel socioeconômico vital na subsistência e geração de renda local.
O panorama atual da cultura está estruturado nos seguintes pilares:
1. Produção e Produtividade Atual
Historicamente, a produtividade média de Mato Grosso esteve estagnada em torno de 14 toneladas por hectare.
No entanto, esse patamar vem se transformando por meio de incentivos à pesquisa.
Projetos de melhoramento
genético e validação de variedades desenvolvidos pela Empaer-MT
já alcançam médias de 20 a mais de 31 toneladas por hectare em unidades
de teste, o que demonstra um vasto teto de crescimento para o setor.
2. Importância Estrutural e Comercial
·
Segurança e Renda Familiar: A raiz é uma das
culturas mais importantes para os assentamentos rurais e pequenas propriedades
de Mato Grosso. Ela tem se consolidado como uma alternativa financeira estável
e segura frente a outras culturas mais voláteis, como as hortaliças
tradicionais.
· Consumo e Processamento: O mercado mato-grossense divide-se entre a comercialização da mandioca de mesa (in natura para feiras e supermercados) e o fornecimento para pequenas agroindústrias locais (farinheiras e fábricas de polvilho).
· Alternativa de Consórcio: Produtores têm adotado o sistema de cultivo consorciado (mandioca integrada a hortaliças anuais), otimizando o uso do solo e garantindo receita contínua nas pequenas propriedades.
3. Biodiversidade e Centro de Origem
Um diferencial estratégico único é que Mato Grosso é considerado um dos centros de origem da mandioca no mundo. A região abriga uma imensa variabilidade genética de parentes silvestres da planta. Essa riqueza é preservada por comunidades tradicionais e estudada por centros tecnológicos (como o polo de Tangará da Serra) com o objetivo de desenvolver amidos especiais para atender a demandas específicas da indústria.
4. Desafios do Setor
A cadeia produtiva em Mato Grosso ainda enfrenta gargalos estruturais
relevantes:
· Mecanização Limitada: A maior parte dos processos de plantio, colheita e processamento nas farinheiras regionais ainda é manual.
·
Escassez de Manivas de Qualidade: Longos períodos de
estiagem e ondas de calor intenso nos últimos anos afetaram a conservação de
ramas produtivas de qualidade para novos plantios.
·
Pressão de Preços: O mercado de raiz
fresca flutua conforme a oferta nacional e a concorrência com estados vizinhos
do Centro-Sul voltados à produção de fécula de grande porte.
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