22 de setembro de 2026

Geraldo Lúcio escreve sobre: As técnicas de manejo e controle de pragas recomendadas para a Bananicultura de Mato Grosso e região?

As técnicas de manejo e controle de pragas recomendadas para Mato Grosso e a região do Cerrado baseiam-se fortemente no Manejo Integrado de Pragas (MIP). Devido ao sistema produtivo intensivo de sucessão de culturas (como a dobradinha soja-milho ou soja-algodão), o manejo na região é pensado de forma sistêmica, pois as pragas migram e se mantêm vivas de uma cultura para a outra ao longo do ano. 

As principais estratégias recomendadas por instituições de pesquisa como a Embrapa Agrossilvipastoril e o IMAmt (Instituto Mato-grossense do Algodão) dividem-se em quatro pilares fundamentais: 


1. Monitoramento Constante e Níveis de Ação

  • Pano de Batida: Ferramenta indispensável na cultura da soja para a contagem exata de lagartas e percevejos por metro linear.
  • Amostragem de Solo: Realizada antes do plantio para identificar larvas-arame, corós e lagartas-elasmo.
  • Decisão Baseada em Dados: A aplicação de defensivos só deve ocorrer quando a população da praga atinge o nível de dano econômico, evitando pulverizações calendarizadas e desnecessárias. 

2. Controle Cultural e Vazio Sanitário

  • Eliminação de Plantas Voluntárias (Tigueras): Prática essencial para quebrar o ciclo biológico de pragas destrutivas. A eliminação do milho tiguera, por exemplo, reduz a sobrevivência da cigarrinha-do-milho, enquanto a destruição de restos do algodão barra a reprodução do bicudo-do-algodoeiro
  • Rotação e Sucessão de Culturas: Planejar as variedades plantadas ajuda a controlar patógenos transversais, como os nematoides, que atacam as raízes da soja, milho e algodão sequencialmente. 

3. Controle Biológico e Biotecnologia

  • Uso de Inimigos Naturais: Liberação de parasitoides de ovos (como a microvespa Trichogramma) e o estímulo a predadores naturais (como percevejos benéficos e ácaros predadores) através da preservação de bordaduras e cercas vivas. 
  • Defensivos Biológicos: Adoção crescente de bioinsumos à base de fungos (como Beauveria bassiana e Metarhizium) e bactérias (Bacillus thuringiensis) para o controle de lagartas, cigarrinhas e mosca-branca. 
  • Plantas Bt (Geneticamente Modificadas): Uso de cultivares que expressam proteínas resistentes a lagartas, embora exijam a manutenção de áreas de refúgio(plantas não modificadas) para evitar que os insetos criem resistência rápida à tecnologia. 

4. Controle Químico Racional e Seletivo

  • Tratamento de Sementes (TS): Proteção inicial crucial para garantir o estande de plantas contra pragas iniciais e percevejos barriga-verde. 
  • Rotação de Princípios Ativos: Alternar os modos de ação dos produtos químicos para impedir que espécies como a Spodoptera e o bicudo fiquem tolerantes aos inseticidas. 
  • Inseticidas Seletivos: Priorizar defensivos que eliminem a praga-alvo mas preservem os inimigos naturais presentes na lavoura. 




Nenhum comentário:

Postar um comentário