A agricultura familiar em Nova Ubiratã (MT) desempenha um papel estratégico e de subsistência essencial, coexistindo diretamente com o gigante agronegócio da região.
Conhecido nacionalmente como um dos maiores produtores de grãos do país e o segundo maior do estado, o município abriga centenas de famílias que garantem a segurança alimentar da população local por meio da diversificação de culturas.
De acordo com dados do Censo Agropecuário do IBGE, a agricultura familiar representa cerca de 68% dos estabelecimentos rurais de Nova Ubiratã. Grande parte dessa força produtiva está concentrada em importantes projetos de assentamento da reforma agrária geridos pelo INCRA e distribuídos pelos extensos distritos do município (como Entre Rios, Novo Mato Grosso, Água Limpa e Santa Terezinha). Entre os principais polos destacam-se:
- Assentamento Boa Esperança (I, II e III)
- Assentamento Cedro Rosa
- Assentamento Ipê Amarelo
- Assentamento Santa Terezinha II
O cenário atual é marcado pelo avanço na regularização fundiária e no georreferenciamento, com a entrega recente de títulos de domínio definitivo aos assentados, assegurando-lhes segurança jurídica e maior facilidade para acessar o crédito rural (como o PRONAF).
2. Diversificação da Produção e Agroindústria
Enquanto as grandes propriedades focam na monocultura de soja, milho e algodão, as pequenas propriedades familiares de Nova Ubiratã destacam-se pela pluriatividade e verticalização da produção por meio de pequenas agroindústrias locais, com forte atuação em:
- Hortifrutigranjeiros: Cultivo de verduras, legumes, folhosas e frutas variadas.
- Pequenos e Médios Animais: Avicultura (com destaque para o abate de frango caipira e produção de ovos de postura), suinocultura e piscicultura (abate de peixes).
- Bacia Leiteira: Produção de leite e derivados, além da pecuária de corte em menor escala.
- Agroindústria Artesanal: Processamento de polpas de frutas, vegetais higienizados, panificados e embutidos/defumados de suíno.
3. Comercialização e Escoamento: A Feira Municipal
O principal canal de escoamento e contato direto entre o produtor e o consumidor final é a Feira da Agricultura Familiar de Nova Ubiratã, localizada em anexo ao Ginásio Municipal Jonas Pinheiro. O espaço funciona todas as quartas-feiras (a partir das 15h) e aos sábados (a partir das 05h).
Esse canal elimina intermediários, garantindo margens de lucro mais justas para os colonos e alimentos frescos e naturais para a população urbana. Além disso, os produtores atendem a programas institucionais de compras públicas, fornecendo hortaliças e alimentos processados para a merenda da rede pública de ensino.
4. Organização Coletiva e Cooperativismo
Para competir e ganhar escala de mercado em uma região dominada por multinacionais de grãos, a agricultura familiar local organizou-se em cooperativas. Destaca-se a criação da Cooperativa Central de Agricultura Familiar em Nova Ubiratã, que integra diferentes associações e entidades de pequenos produtores. Essa união permite compras coletivas de insumos, melhora o poder de barganha na venda do leite e de pequenos animais, e fomenta a sustentabilidade financeira dos cooperados.
5. Desafios, Tecnologia e Apoio Governamental
Apesar de sua relevância, a agricultura familiar local enfrenta obstáculos históricos que vêm sendo combatidos por meio de parcerias institucionais:
- Assistência Técnica: O município mantém frentes de cooperação junto à EMPAER-MT para sanar os baixos índices de orientação técnica que afetam o pequeno produtor mato-grossense.
- Mecanização e Infraestrutura: Para modernizar o manejo do solo, o município recebe aportes de equipamentos da Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (SEAF-MT) e emendas parlamentares, incluindo tratores e distribuidores de calcário (essenciais para corrigir a acidez do solo do Cerrado).
- Logística: Devido à gigantesca extensão territorial de Nova Ubiratã, a manutenção das estradas vicinais e pontes nos distritos rurais continua sendo o principal fator crítico para que a produção de leite e hortifrúti não se perca antes de chegar aos centros de consumo.


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