A agricultura familiar em Campo Novo do Parecis, município localizado no oeste de Mato Grosso, é marcada por uma rica complexidade sociocultural e econômica.
Embora a cidade seja amplamente reconhecida como uma das potências nacionais do agronegócio de grande escala (notadamente na produção de soja, milho e algodão), a agricultura de base familiar desempenha um papel indispensável no abastecimento local, na inclusão social e na sustentabilidade ambiental da região.
1. Perfil Geral e Estrutura Fundiária
·
Representatividade
de Estabelecimentos: De acordo com os dados do Censo
Agropecuário do IBGE, aproximadamente 34,9% dos estabelecimentos rurais de Campo Novo do
Parecis pertencem à modalidade da agricultura familiar.
·
Dualidade
de Escala:
O município apresenta um contraste territorial claro: enquanto as grandes
propriedades concentram a maior parte das terras cultiváveis voltadas à
exportação, os pequenos núcleos familiares são os grandes responsáveis pela
produção do alimento que chega diretamente à mesa da população local.
2.
O Grande Diferencial: A Agricultura Familiar Indígena
Um
dos pilares mais singulares e robustos do município é o protagonismo das comunidades indígenas, especialmente o
povo Haliti-Paresi. Campo Novo do Parecis
destaca-se nacionalmente pelo modelo de etnodesenvolvimento,
onde as práticas tradicionais caminham juntas com a geração de renda
sustentável e tecnologia:
·
Cooperativismo
Forte:
A atuação de organizações como a COOPIPARESI (Cooperativa
Agropecuária do Povo Indígena Haliti-Paresi) e a COPIHANAMA abrange milhares de
hectares em terras indígenas compartilhadas por diversas aldeias. Elas
organizam desde a lavoura mecanizada de grãos até projetos diversificados de
subsistência e comércio.
·
Diversificação
Produtiva nas Aldeias: Além do cultivo
controlado de grãos, as comunidades indígenas vêm expandindo a produção para
frango, milho tradicional, arroz, hortaliças, frutas, café e o extrativismo de
castanhas nativas.
·
Piscicultura
Pioneira:
O município abriga o primeiro projeto de piscicultura indígena do estado de Mato Grosso,
consolidando uma importante fonte de proteína, soberania alimentar e
faturamento comercial para as aldeias.
3.
Principais Cadeias Produtivas (Pequenos Produtores e Assentados)
A
produção do segmento não indígena — concentrada em pequenos sítios, chácaras
periféricas e comunidades rurais (como a região de Seis Lagoas) — foca
fortemente no mercado interno:
·
Hortifrutigranjeiros:
Cultivo de verduras, legumes, mandioca, bananas e frutas diversas que abastecem
os mercados urbanos locais e as feiras municipais.
·
Pecuária
de Leite e Pequenos Animais: Pequena produção
leiteira e criação de pequenos animais (aves, suínos e ovinos), fundamentais
para a subsistência e complemento da renda mensal.
4.
Políticas Públicas, Crédito e Apoio Institucional
Para
mitigar desafios históricos como o acesso técnico e estrutural, a agricultura
familiar em Campo Novo do Parecis conta com uma rede de suporte articulada
entre o poder público e entidades estaduais:
·
Plano
Municipal de Agricultura Familiar e Indígena:
Recentemente, o município formalizou um plano estratégico detalhado construído
de forma participativa junto à sociedade civil. Esse documento orienta as ações
e investimentos no setor para os próximos 12 anos.
·
Programa
Solo Vivo:
Iniciativa voltada à correção do solo com o fornecimento subsidiado de insumos como
calcário e adubos, além de análise técnica estrutural da terra para os pequenos
produtores cadastrados.
·
FUNDAAF
MT:
O Fundo de Apoio à Agricultura Familiar, operado em parceria pela Secretaria de
Estado de Agricultura Familiar (SEAF), EMPAER e Desenvolve MT, libera linhas de
fomento financeiro e distribuição de cartões de benefício para injetar capital
diretamente nas atividades produtivas das famílias (como ocorreu ativamente na
Aldeia Quatro Cachoeiras).
5.
Comercialização e Visibilidade Regional
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PNAE
e PAA:
Os produtores familiares têm forte inserção no Programa Nacional de Alimentação
Escolar (PNAE), fornecendo alimentos frescos e saudáveis para a rede municipal
de ensino.
·
Feiras
e Turismo:
O fortalecimento da marca local ganhou tração com a participação de produtores
e artesãos em grandes feiras do estado (como a FIT Pantanal) e o fomento do Etnoturismo (como a FIT Etno
Brasil realizada no município), integrando a vivência cultural nas aldeias com
a comercialização de produtos da sociobiodiversidade e artesanato indígena


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