16 de setembro de 2026

Geraldo Lucio fala sobre a definição de Comunidade ou Povos Quilombolas como é feito este processo.

Comunidades ou povos quilombolas são grupos étnico-raciais formados predominantemente por descendentes de pessoas escravizadas que se autodefinem a partir de sua ancestralidade, de uma trajetória histórica própria e de uma relação específica com a terra e o território.

Principais Características

·         Origem e Resistência: Nascem do processo de resistência histórica contra a escravidão no Brasil, cujos primeiros registros e formações remontam aos antigos quilombos de refúgio.


·         Autodefinição: O reconhecimento do grupo ocorre por meio da autoatribuição (o próprio grupo se reconhece como quilombola), conforme estabelece a legislação brasileira (Decreto nº 4.887/2003).


·         Vínculo Territorial: Mantêm forte ligação com a ancestralidade, as tradições culturais próprias e o uso coletivo ou específico do território necessário para sua reprodução social, cultural e econômica.


·         Localização: Podem estar situadas tanto em áreas rurais (como antigas comunidades do interior) quanto em zonas urbanas.


·         Direitos Garantidos: A Constituição Federal de 1988 (no artigo 68 do ADCT) assegura a essas comunidades a propriedade definitiva de suas terras tradicionais, processo regulamentado na esfera federal pelo Incra.

Geraldo Lucio relaciona as 25 (vinte e cinco) principais Comunidades Quilombolas de Mato Grosso que possuem a Certificação Formal da Fundação Cultural Palmares (FCP)

Em Mato Grosso, os dados oficiais mais recentes da Fundação Cultural Palmares (FCP) indicam a existência de 61 comunidades quilombolas com certificação formal emitidas por meio do processo de autodefinição. 

Esse número faz parte de um universo de mais de 180 territórios historicamente identificados no estado.

Como a listagem completa da FCP passa por atualizações mensais, *confira abaixo o agrupamento por municípios com as 25 comunidades certificadas mais expressivas e amplamente documentadas em Mato Grosso:

📍 Nossa Senhora do Livramento

O município abriga o emblemático complexo quilombola de Mata Cavalo, um dos territórios tradicionais mais reconhecidos do estado, subdividido em várias subcomunidades certificadas:

  1. Mata Cavalo de Cima
  2. Mata Cavalo de Baixo
  3. Mutuca
  4. Ponte da Estiva
  5. Capão do Negro
  6. Ribeirão do Mutuca

📍 Vila Bela da Santíssima Trindade

Região de forte herança histórica e resistência ligada à primeira capital do estado, concentrando diversas comunidades de grande relevância cultural:

  1. Laranjal
  2. Lagastiva
  3. Bocaina
  4. Morro Redondo
  5. Santo Antônio do Caramujo

📍 Poconé

Localizado na região do Pantanal, conta com comunidades tradicionais que mantêm viva a cultura afro-pantaneira:

  1. Capão Verde
  2. Artimanha
  3. Morro de Bom Jardim
  4. Campina de Pedra

📍 Santo Antônio do Leverger

  1. Quilombo Abolição
  2. Varginha
  3. Sangradouro Grande

📍 Cáceres

  1. Barra do Bugres
  2. Vila Maria

📍 Outros Municípios com Comunidades Certificadas

As demais certidões emitidas pela FCP estão distribuídas por municípios das regiões da Baixada Cuiabana, Médio Norte e Sudoeste de Mato Grosso: [1]

1.     Cuiabá / Várzea Grande: Comunidades periurbanas e rurais remanescentes (como o Chumbo).

2.     Chapada dos Guimarães: Lagoinha de Cima, Água Fria.

3.     Porto Estrela: Vão do Buriti.

4.     Barra do Bugres: Baixio, Umutina.

 

A certificação oficial emitida pela FCP é o primeiro passo jurídico para garantir os direitos territoriais assegurados pelo Artigo 68 do ADCT da Constituição Federal, funcionando como porta de entrada para políticas de saúde, educação do campo e habitação rural.

Geraldo Lucio - Sobre a ordem de prioridade para o atendimento e acompanhamento dos Quilombolas de Mato Grosso

Na prática, a prioridade de atendimento, regularização e titulação é definida pelo estágio de evolução do processo técnico-administrativo (como a publicação do RTID ou o ajuizamento de ações de desapropriação) e por situações de vulnerabilidade jurídica ou conflito agrário.

Sob a ótica do avanço processual e relevância histórica, as principais comunidades quilombolas de Mato Grosso que ganham centralidade nas políticas públicas dividem-se em grupos de maturidade fundiária:

1. Comunidades em Estágio Mais Avançado (Prioridade Prática)

Estas são as comunidades cujos processos estão mais próximos da regularização definitiva ou possuem decisões judiciais que obrigam o andamento célere:

·         Mata Cavalo (Nossa Senhora do Livramento) – É o território quilombola mais conhecido e o que mais avançou no estado. Encontra-se na fase de ajuizamento de ações para desapropriação de terras e desintrusão de terceiros. É subdividido em subcomunidades (como Mata Cavalo de Cima, Mata Cavalo de Baixo, Mutuca, entre outras).


·         Lagoinha de Baixo (Chapada dos Guimarães) – Figura historicamente junto a Mata Cavalo nos planos prioritários de estudos e relatórios socioeconômicos e antropológicos promovidos pelas superintendências regionais.

2. Comunidades Certificadas pela Fundação Cultural Palmares

Mato Grosso possui mais de 180 territórios quilombolas mapeados ou identificados, mas pouco mais de 60 possuem a certificação formal da Fundação Cultural Palmares (FCP). A certificação confere prioridade legal para o início da abertura do processo administrativo de titulação do território.

Entre as principais comunidades listadas em estudos e mapeamentos sociais do estado, destacam-se:

·         Capão Verde (Poconé)


·         Capão do Negro (Nossa Senhora do Livramento)


·         Quilombo Chumbo (Poconé)


·         Quilombo Abolição


·         Vila Bela da Santíssima Trindade (várias comunidades na região do Vale do Guaporé, berço histórico do célebre Quilombo do Quariterê / Piolho liderado por Teresa de Benguela).


·         Comunidades de Acorizal, Cuiabá, Barra do Bugres, Porto Estrela, Cáceres, Santo Antônio do Leverger e Várzea Grande.

3. O principal gargalo da "Prioridade"

Em decisões recentes provocadas pelo Ministério Público Federal (MPF), a Justiça Federal determinou que a União e o Incra viabilizem recursos específicos para dar celeridade a dezenas de processos em Mato Grosso que estavam paralisados. 

Portanto, o critério de prioridade atual foca em destravar os processos com laudos antropológicos pendentes ou áreas sob forte pressão de grilagem e conflito fundiário.

 

Geraldo Lúcio apresenta 11(onze) principais municípios de Mato Grosso com presença ou indicação de Comunidades Quilombolas

 

Mato Grosso possui registro de comunidades e territórios quilombolas em cerca de 27 municípios, entre áreas certificadas pela Fundação Cultural Palmares e localidades com indicação ou identificação tradicional.

Principais Municípios com Presença Quilombola

·       1.   Poconé: Destaca-se com a maior população quilombola do estado.


·      2.    Vila Bela da Santíssima Trindade: Abriga grande concentração populacional e forte relevância histórica (como o antigo Quilombo do Piolho/Quariterê).


·        3.  Nossa Senhora do Livramento: Conhecida pela histórica comunidade de Mata Cavalo.


·        4.  Cuiabá: Conta com presença urbana e rural de comunidades tradicionais.


·       5.   Santo Antônio de Leverger: Possui comunidades ativas e reconhecidas.


·         6. Chapada dos Guimarães: Registra presença e articulação de povos quilombolas.


·        7.  Barra do Bugres: Contém territórios identificados e atuantes.


·       8.   Porto Estrela: Possui histórico de comunidades mapeadas.


·        9.  Cáceres: Apresenta registro de territórios tradicionais.


·         10. Acorizal: Incluído nos mapeamentos oficiais da Fundação Cultural Palmares.


·       11.   Várzea Grande: Contabiliza indicações e comunidades certificadas.

Outros municípios no estado também contam com vestígios, famílias ou processos de titulação em curso acompanhados por órgãos de proteção e Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

Geraldo Lucio fala sobre as Comunidades Quilombolas de Mato Grosso -

Mato Grosso tem 11.719 pessoas quilombolas e cerca de 187 territórios identificados.

De acordo com o Censo Demográfico do IBGE, estes são os principais números sobre as comunidades no estado:

População Quilombola

·         Total no estado: 11.719 pessoas.


·         Onde moram: A grande maioria (cerca de 91%) vive fora dos territórios oficialmente demarcados ou delimitados.


·         Destaques: Os municípios com mais moradores quilombolas em Mato Grosso são Poconé (com 3.445 pessoas) e Vila Bela da Santíssima Trindade (2.589 pessoas).

Territórios e Quilombos

·         Identificados: 187 territórios quilombolas mapeados no estado.


·         Certificados: Apenas 61 comunidades possuem certificação oficial da Fundação Cultural Palmares, documento necessário para o acesso a políticas públicas. Estimativas de órgãos de proteção cultural indicam que o número total de áreas tradicionais informais ou em processo de reconhecimento pode ultrapassar 200.

 

15 de setembro de 2026

Geraldo Lucio fala sobre a Quantidade , Diversidade Etinias e Povos Indígenas de Mato Grosso.

Mato Grosso possui 59.972 pessoas indígenas e registra 195 etnias, povos ou grupos indígenas reconhecidos, segundo os dados do Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Quantidade e Distribuição Populacional

·         População total: Quase 60 mil indígenas residem no estado, com um forte crescimento na autodeclaração em comparação aos censos anteriores.


·         Territórios originários: Cerca de 77% da população indígena de Mato Grosso vive dentro de suas terras tradicionais, o que coloca o estado com o maior percentual do Brasil de indígenas vivendo em territórios originários.


·         Presença municipal: Há população indígena residente em 131 municípios mato-grossenses, incluindo centros urbanos como Cuiabá e Várzea Grande.

Diversidade Étnica e Cultural

·         Diversidade de etnias: O estado abriga 195 etnias, refletindo uma rica pluralidade cultural que abrange transições entre a Amazônia, o Cerrado e o Pantanal.


·         Povos mais populosos e presentes: Entre as etnias com maior expressão demográfica e territorial no estado destacam-se os Xavante, Paresi (Pareci), Bororo, Kaiabi-Kawaiwete, Nambikwara e Terena.


·         Grandes territórios: O estado abriga marcos importantes da redemarcação e proteção territorial, como áreas tradicionais na região do Xingu e extensas demarcações que ocupam uma parcela significativa do território mato-grossense.



       Mato Grosso possui oficialmente pelo menos 43 a 46 povos indígenas reconhecidos em seus territórios originários, segundo dados de organizações como a Federação dos Povos Indígenas de Mato Grosso (FEPOIMT) e o Instituto Socioambiental (ISA)

       Principais  Povos Indígenas em Mato Grosso

·         Xavante (A'uwẽ): Um dos maiores povos do estado, habitam o leste mato-grossense (como em Campinápolis e na TI Marãiwatsédé).


·         Boe (Bororo): Povo tradicional da região central e sul do estado.


·         Paresí (Haliti): Ocupam a região dos Chapadões e o planalto do Parecis.

·         Bakairi: Localizados na região de Paranatinga e sul do estado.


·         Chiquitano: Presentes na fronteira com a Bolívia (região de Cáceres e San Matías).


·         Apiaká, Kayabi e Munduruku: Habitam a região norte mato-grossense (Vale do Teles Pires e Arinos).


·         Nambikwara: Congregam vários subgrupos no noroeste do estado.


·         Povos do Alto Xingu: Uma rica rede multiétnica que inclui os povos Kuikuro, Kamaiurá, Aweti, Yudja, Mehinako, Kalapalo, Waurá, entre outros.


·         Outros povos presentes: Cinta Larga, Zoró, Apyãwa (Tapirapé), Balatiponé (Umutina), Arara do Rio Branco, Apurinã, entre outros.


Geraldo Lúcio fala sobre a Diversidade da Gastronomia Indígena de Mato Grosso

A gastronomia indígena de Mato Grosso é uma rica herança baseada no uso de ingredientes nativos e técnicas ancestrais que moldam a identidade alimentar de toda a região.

Ingredientes e Pratos Principais

·         Mandioca: Base da alimentação, consumida cozida, em farinhas ou em pratos tradicionais como a mojica de pintado, que combina o peixe de água doce com pedaços de mandioca e caldo espesso.


·         Peixes de água doce: Espécies como pintado, pacu e piraputanga são pilares na culinária local, frequentemente assados na brasa ou enrolados em folhas nativas.


·         Frutos do Cerrado: O pequi e outros frutos silvestres integram receitas tradicionais, demonstrando a forte ligação entre a floresta e o prato.

Povos Guardiões da Tradição

·         Xavante, Bororo e Kayabi: São alguns dos povos que preservam e transmitem o conhecimento sobre o manejo sustentável, o respeito aos ciclos da natureza e o preparo de alimentos livres de aditivos químicos.


·         Resistência Cultural: O ato de manter essas receitas vivas funciona como ferramenta de proteção da biodiversidade e de valorização da história dos povos originários.

Geraldo Lúcio fala sobre a Diversidade da Cultura Indígena em Mato Grosso

Mato Grosso abriga uma imensa diversidade cultural indígena, contando com dezenas de etnias reconhecidas que habitam diferentes biomas do estado, como a Amazônia, o Cerrado e o Pantanal.

Panorama da População e Diversidade

·         Riqueza Étnica: O estado registra cerca dezenas de povos e etnias tradicionais, destacando-se grupos como Xavante, Bororo, Pareci, Nambikwara e Kayapó.


·         Territórios Originários: Mato Grosso possui um dos maiores percentuais de população indígena vivendo em suas terras de origem no país, o que reforça a preservação de modos de vida ancestrais.


·         Línguas e Tradições: A pluralidade se reflete na multiplicidade de línguas nativas, rituais, cantos, danças e formas de manejo sustentável da biodiversidade.

Expressões Culturais

·         Arte e Artesanato: A confecção de artefatos tradicionais — como cocares, colares, cerâmicas e peças trançadas — expressa a identidade e a cosmologia de cada tribo.


·         Pintura Corporal e Espiritualidade: O uso de grafismos e tintas naturais (como o jenipapo e o urucum) em rituais e no cotidiano é uma forte marca de resistência e transmissão de saberes.


·         Relação com a Terra: O território não representa apenas moradia, mas o espaço sagrado de manutenção da memória coletiva e da reprodução física e cultural dos povos.

Para uma pesquisa aprofundada, você pode consultar o Instituto Socioambiental (ISA) para dados detalhados sobre cada povo.

Geraldo Lucio fala sobre Diversidade da Agricultura Familiar Indígena em Mato Grosso.

A agricultura familiar indígena em Mato Grosso destaca-se pela alta diversidade produtiva e pelo manejo sustentável associado a saberes tradicionais, unindo o cultivo de subsistência e o fornecimento para mercados locais.

Diversidade Produtiva nas Aldeias

·         Cultivos tradicionais e diversificados: As comunidades produzem alimentos essenciais como milho, arroz, mandioca, feijão, frango, hortaliças e frutas variadas.


·         Manejo extrativista e agroflorestal: Envolve a coleta e o beneficiamento de castanhas nativas, além de sistemas de quintais agroflorestais que consorciam espécies para uso alimentar e medicinal.


·         Inovações de escala: Etnias como os Pareci (Haliti) combinam práticas culturais com o cultivo agrícola avançado e sustentável, gerando autonomia econômica.

Políticas Públicas e Apoio Institucional

·         Programas de incentivo: A Secretaria de Estado de Agricultura Familiar de Mato Grosso (SEAF) atua no fomento às cadeias produtivas por meio de assistência técnica, insumos e infraestrutura.


·         Garantia de mercado: A atuação de órgãos como a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) viabiliza a compra e a doação de alimentos via Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) voltado às aldeias

Geraldo Lucio fala sobre a Divesidade do Artesanat Indígena em Mato Grosso

O artesanato indígena de Mato Grosso é uma rica expressão de saberes ancestrais, conexões com a natureza e identidades culturais mantidas por diversas etnias no estado. 

É uma expressão rica e diversificada que reflete a identidade cultural, os saberes ancestrais e a conexão profunda de diferentes etnias com a natureza. 

Principais Tipos  de Materiais e Técnicas.

·         Cerâmica: Peças utilitárias e decorativas moldadas à mão, muitas vezes adornadas com grafismos tradicionais e tintas de origem natural. Peças modeladas à mão, adornadas com grafismos tradicionais e tintas de origem natural (como o urucum).


·         Cestaria e Fibras Naturais: Tramas elaboradas com cipós, palhas e outras fibras da flora regional para a criação de peneiras, balaios e cestos com padrões geométricos únicos. Tramas elaboradas com cipós, tucum e outras plantas locais para a criação de cestos, peneiras e esteiras.


·         Madeira e Escultura: Objetos esculpidos que vão desde utensílios cotidianos até artefatos rituais, refletindo o respeito e o manejo sustentável dos recursos da floresta e do cerrado. Objetos utilitários e artísticos entalhados, como bancos tradicionais (a exemplo dos bancos Karajá) e armas de caça.


·         Biojoias e Adornos: Colares, brincos, pulseiras e cocares feitos com sementes coletadas na mata, plumas, ossos e miçangas coloridas que identificam rituais, clãs e tradições. Adornos corporais, colares, brincos e pulseiras feitos com sementes nativas, ossos, plumas e miçangas coloridas.


·         Tradição e Sustentabilidade: A produção artesanal funciona não apenas como meio de subsistência e fortalecimento da economia criativa, mas também como estratégia de preservação cultural e valorização dos territórios originários.

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·         Reconhecimento: Iniciativas estaduais e espaços como o Sesc Mato Grosso ajudam a fomentar a comercialização e a visibilidade dessas obras em feiras e salões de artesanato pelo país

O Sesc Mato Grosso e iniciativas estaduais valorizam essa produção em feiras e espaços de cultura, mostrando como a diversidade cultural e a força da economia criativa geram renda e preservam as tradições dos povos originários.