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25 de setembro de 2026

FALANDO SOBRE O TURISMO DO MUNICÍPIO DE NOSSA SENHORA DO LIVRAMENTO - MATO GROSSO. - Por Geraldo Lúcio

O turismo no município de Nossa Senhora do Livramento, Mato Grosso, destaca-se como um dos pilares mais ricos de preservação da identidade cultural, histórica e de turismo de base comunitária da Baixada Cuiabana.

 Localizada a apenas 38 quilômetros de Cuiabá, a cidade, cujos nativos e moradores são orgulhosamente apelidados de "papa-bananas", nasceu com a corrida do ouro no século XVIII (por volta de 1730) e hoje funciona como um refúgio de tranquilidade rural, fé e sabores tradicionais.


1. Turismo Cultural e de Base Comunitária: O Quilombo Mata Cavalo

O grande diferencial profundo e social do turismo em Livramento é a Comunidade Quilombola de Mata Cavalo. Composta por cerca de 500 famílias que preservam as tradições de seus ancestrais escravizados, a comunidade abriu suas portas para o etnoturismo.

·         Feira Dona Fia (na Comunidade Mutuca): É o coração pulsante da recepção turística no quilombo. Liderada pelas mulheres locais, a feira comercializa doces artesanais, remédios naturais baseados em raízes e saberes ancestrais. É um espaço de resistência e de forte intercâmbio cultural com os visitantes


·         Vivência Agrícola: Os turistas podem conhecer os sistemas de mutirão e a agricultura de subsistência local, onde se destaca o cultivo da banana.

2. Gastronomia: A Rota dos Doces e Queijos

Lançada em parceria com o Sebrae/MT, a "Rota dos Doces e Queijos – É de Livramento" é o mais recente circuito de turismo rural da região

·         O Circuito: O roteiro passa por oito pontos do município, levando o turista diretamente aos laticínios e quintais produtivos que fabricam queijos e doces premiados nacional e internacionalmente


·         Feira Semanal "É de Livramento": Realizada na área urbana, reúne produtores locais e atrai moradores de toda a Baixada Cuiabana em busca de queijo fresco, doces de banana (especialidade local) e requeijão caipira.

3. Turismo Histórico e Religioso

Livramento é considerada por historiadores locais como o "berço da cultura mato-grossense" devido à sua antiguidade e forte apelo devocional.

·         Igreja Matriz de Nossa Senhora do Livramento: Construída originalmente no século XVIII, domina o centro da cidade com sua arquitetura colonial colonial e guarda séculos de promessas e fé popular.


·         Manifestações Tradicionais: A cidade preserva de forma viva as danças do Siriri e Cururu, além da secular Dança do Congo. Festas como a de São Gonçalo, São Benedito e a da própria padroeira movimentam o calendário com rezas cantadas que ultrapassam gerações.


·         Casa da Cultura Livramentense: Antigo casarão histórico totalmente preservado que funciona como centro de disseminação da memória material e do artesanato do município.

4. Turismo de Natureza e Ecoturismo

Embora a cidade seja pacata, seu território geográfico estende-se por mais de 5 mil km² e faz divisa direta com o ecossistema pantaneiro.

·         Praça Portal do Pantanal (Portal da Cidade): Situada às margens da rodovia Transpantaneira (MT-060), possui uma escultura de concreto gigante que simula um galho de árvore com aves pantaneiras. É o marco inicial para quem se desloca em direção ao Baixo Pantanal.


·         Parque Municipal Maria Joana da Conceição (Tanque da Várzea): Área zooflorestal urbana propícia para caminhadas leves, piqueniques e observação da fauna local.


·         Cachoeiras da Serra das Araras: Para os mais aventureiros, a região serrana do município esconde trilhas e quedas d’água ideais para o turismo fora de estrada e banhos de rio.


Resumo dos Principais Atrativos

Categoria

Principal Atrativo

O que oferece?

Etnoturismo

Quilombo Mata Cavalo

Feira Dona Fia, turismo comunitário e história viva.

Turismo Rural

Rota dos Doces e Queijos

Gastronomia com queijos premiados e doces de banana.

Histórico/Religioso

Igreja Matriz & Casa da Cultura

Arquitetura colonial do século XVIII e dança do Congo.

Ecoturismo

Portal do Pantanal & Serra das Araras

Entrada para o Pantanal e cachoeiras regionais.

Gostaria de focar o seu planejamento em qual desses aspectos? 

Posso detalhar a logística de acesso saindo de Cuiabá, os melhores períodos festivos para visitar ou os contatos para agendar a Rota dos Doces e Queijos.

 

16 de setembro de 2026

Geraldo Lúcio fala sobre as Manifestações Culturais das Comunidades Quilombolas de Mato Grosso

As manifestações culturais das comunidades quilombolas de Mato Grosso expressam-se por meio de saberes tradicionais, festividades religiosas, práticas alimentares e expressões artísticas ligadas à ancestralidade e à resistência.

Principais Modos e Manifestações

·         Festas de Santo e Celebrações: Festividades como as de São Benedito e de São Gonçalo — muito fortes em comunidades rurais de municípios como Poconé — marcam a identidade e a devoção desses grupos.


·         Tradições Musicais e Danças: Roda de capoeira, maculelê, batuques e o envolvimento com expressões populares da cultura mato-grossense (como o siriri e o cururu, que contam com a tradicional viola-de-cocho) refletem a vivência comunitária.


·         Cultura Alimentar e Práticas de Cultivo: O manejo tradicional das roças, o extrativismo de produtos da sociobiodiversidade (como pequi, baru e bocaiuva) e a culinária ancestral funcionam como transmissão de saberes e demarcação de território, a exemplo da comunidade da Mutuca em Mata Cavalo (Nossa Senhora do Livramento).


·         Saberes de Cura e Memória Coletiva: Práticas de cura com raizeiros, rezadeiras e o cultivo da tradição oral mantêm viva a memória coletiva e a resistência simbólica do povo negro no estado

Geraldo Lúcio fala sobre a Comunidades Quilombolas e suas Origens em Mato Grosso.

O que dizer das Origens quilombolas

São remanecentes e reflexos da escravidão que ainda estão vivos em várias partes do  Brasil.

Não há necessidade de se falar do tema  racismo, pois  ainda insistem em dizer que não existe.

A verdade é que uma herança  da escravidão ainda existe ainda no mundo inteiro isto é bem claro.

E no Brasil este sistema  vigorou até a nova constituição de 1988, quando a mesma assegurou diretos e deveres para o cidadão brasileiro, incluindo os negros, indígenas , brancos enfim raças e nações no Brasil, após mais de 130 anos de liberdade dos descendentes dos 3,5 milhões de homens e mulheres prisioneiros que vieram do continente africano.

O Território Remanescente de Comunidade Quilombola é uma conquista recente e para muitas comunidades, uma luta ainda em curso. 

Os remanescentes de quilombos já tem  reconhecimento junto a Fundação Palmares  sendo mais de  3.040 comunidades  e grande parte delas já recebeu também o cadastro do Incra garantindo seu direito à terra.

Para dar o atestado de  ancestralidade, a Fundação Palmares usa critérios de auto atribuição, o mesmo critério  adotado pela Convenção da OIT sobre Povos Indígenas e Tribais.

A gestão sustentável do território quilomvola é um desafio perene junto aos moradores e comunidade local

O turismo desenvolvido de forma sustentável e com o protagonismo da própria  comunidade local, pode ajudar na auto estima na apropriação e  promoção  da identidade quilombola.

As  tividades turísticas como turismo rural, ecoturismo, turismo com base comunitária e produção associada ao turismo, estão mandioca  dos produtos que  podem gera renda para determinada região ou localidade atendendo, além dos locais, o público visitante, como eventos culturais, a gastronomia e a venda de artesanatos.

 Esse é um dos benefícios que pode ser trazido por meio do turismo comunitário, inclusive nas comunidades quilombolas brasileiras.

A prática de turismo, que também chamada de etnoturismo quilombola ou mesmo etnoturismo de base comunitária, visa o desenvolvimento sustentável da  localidade região envolvida. 

É importante neste processo manter o estilo de vida local, respeitar a arte cultura e tradições. 

Por outro lado os turistas vão viver experimentar uma  imersão  presenciando o cotidiano daquelas pessoas, seus valores e práticas se integram àquele cenário, fazendo parte deste cotidianonpor algumas horas e dias. 

Será um processo de experiência  que irá  exigir  do visitante muita maturidade, respeito e estar pronto para um encontro mais profundo com a realidade do outro mundo, (quolombola).

O turismo  quolombola de forma comunitário com a participação de cada indivíduo,  pode contribuir com o fortalecimento do capital social na comunidade quilombola envolvida.

Nestes termos poderemos ter muitos avancos na economia e no social a medida da apropriação da  autogestão e compartilhamento entre as pessoas interessadas em se envolver na atividade turística.

Os  recursos financeiros no Turismo Quilombola podem ser  advindos das hospedagens em pousadas coletivas ou receptivos familiares, na  renda da produção associada ao turismo, (saberes e fazeres dos quilombolas), artesanato, agroindústria, manifestações culturais, doces, licores, cachaça, sucos, farinhas etc.

Atualmente cerca de 8,5 milhões de brasileiros vivem da produção artesanal, de acordo com um estudo do Banco do Nordeste, sendo responsável por 2,8% do PIB nacional. Segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (ABRASEL) e a Associação Brasileira de Empresas de Eventos (ABEOC), os setores correspondem a 2,7% e 4,32%, respectivamente.

Onturismo quilombola de firma comunitária é bom justamente por incentivar  o aproveitamento dos fazetes e saberes das  comunidades quilombolas e proporcionar a  se manterem sendo o que são, e gerando recursos para adquirir os bens que não produzem e arcarem com outros custos, inclusive de manejo sustentável das terras. 

O turismo movimenta a economia local e, consequentemente, de todo o país, atrai turistas nacionais e estrangeiros e tudo isso pode ser feito de maneira sustentável e ordenada, sem os grandes danos causados pelo turismo de massa – a começar pela experiência do próprio viajante.

No Brasil  já existem algumas comunidades quilombolas que se destacam por já estarem recebendo turistas de forma autônoma e com total protagonismo. 

No estado de Mato Grosso existem  um estudo da presença de cerca de 110 a 120 comunidade quilombolas distribuídas em 29 municípios, estão localizadas por todo território matogrossense.

A grande concentração das Comunidade Quilombolas de Mato Grosdo estão no município de Vila Bela da Santíssima Trindade, Poconé e Nossa Senhora do Livramento, sendo que estão em outros 26 municípios de forma menos concentrada.

O Turismo  Quilombola portanto já se apresenta em algumas municípios e comunidades a exemplo da Mutuca na Mata Cavalo em N.S. Livramento, Capão Verde,  Campina de Pedra em Poconé, na cidade de Vila Bela, Vão Grande em Barra dos Bugres dentre outras.

É necessário porém avançar no processo de formatação e estruturação dos projetos e produtores turísticos em Mato Grosso, embora Protagonismo deva ser dos moradores locais é necessário o apoio e contribuição do poder público e demais parceiros neste processo.

TEXTO e FOTO : Geraldo Donizeti Lucio da EMPAER/SEAF - MT

Geraldo Lucio fala sobre as principais iniciativas de Etnoturismo e Afroturismo de Base Comunitária em Territórios Quilombolas Rurais de Mato Grosso

As iniciativas de etnoturismo e afroturismo de base comunitária em territórios quilombolas de Mato Grosso têm ganhado grande relevância e estruturação nos últimos anos. 

Lideradas pelas próprias comunidades com o apoio de instituições como o Sebrae/MT, operadoras especializadas (como a Diaspora.Black) e órgãos estaduais, essas ações buscam preservar a cultura afrodescendente, fortalecer a identidade local e gerar renda sustentável diretamente para as famílias.

 *Principais Polos e Roteiros Quilombolas em Mato Grosso

As experiências são estruturadas sob o conceito de Turismo de Base Comunitária (TBC), onde o visitante não apenas "assiste", mas vivencia o cotidiano da comunidade.

·         *Quilombo Mata Cavalo (Nossa Senhora do Livramento):


o    O que oferece: Localizado a cerca de 51 km de Cuiabá, o território oferece um roteiro de vivência (com média de 10 horas de duração). Os visitantes mergulham na história de resistência do local, conhecem a produção de doces artesanais, a agricultura familiar e compartilham refeições baseadas na culinária tradicional quilombola.


·        * Comunidade Morrinhos (Poconé - Portal do Pantanal):


o    O que oferece: Integrada às ações de abertura para o turismo sustentável, o foco em Morrinhos é o protagonismo negro através da gastronomia quilombola e das festas tradicionais. O projeto capacitou os próprios moradores para atuarem como anfitriões e guias, transformando residências e quintais produtivos em pontos de recepção aos turistas.


·         *Apoio Institucional e Roteiros Integrados:


o    Eventos como a FIT Pantanal (Feira Internacional de Turismo do Pantanal) têm servido de vitrine para o lançamento de roteiros de vivência que integram a riqueza das comunidades quilombolas e dos povos originários do estado.

*Características e Objetivos das Iniciativas

Pilar

Como Funciona na Prática

Protagonismo e Autonomia

A própria comunidade define as regras de visitação, conduz as trilhas, prepara a alimentação e faz a gestão dos recursos financeiros gerados.


Geração de Renda contra o Êxodo Rural

O turismo surge como uma alternativa de trabalho para que jovens e adultos não precisem migrar para as cidades por falta de oportunidades.


Preservação Cultural

Histórias e saberes tradicionais passados de geração em geração ganham força, despertando o orgulho étnico e a valorização da ancestralidade.

Geraldo Lucio relaciona as 25 (vinte e cinco) principais Comunidades Quilombolas de Mato Grosso que possuem a Certificação Formal da Fundação Cultural Palmares (FCP)

Em Mato Grosso, os dados oficiais mais recentes da Fundação Cultural Palmares (FCP) indicam a existência de 61 comunidades quilombolas com certificação formal emitidas por meio do processo de autodefinição. 

Esse número faz parte de um universo de mais de 180 territórios historicamente identificados no estado.

Como a listagem completa da FCP passa por atualizações mensais, *confira abaixo o agrupamento por municípios com as 25 comunidades certificadas mais expressivas e amplamente documentadas em Mato Grosso:

📍 Nossa Senhora do Livramento

O município abriga o emblemático complexo quilombola de Mata Cavalo, um dos territórios tradicionais mais reconhecidos do estado, subdividido em várias subcomunidades certificadas:

  1. Mata Cavalo de Cima
  2. Mata Cavalo de Baixo
  3. Mutuca
  4. Ponte da Estiva
  5. Capão do Negro
  6. Ribeirão do Mutuca

📍 Vila Bela da Santíssima Trindade

Região de forte herança histórica e resistência ligada à primeira capital do estado, concentrando diversas comunidades de grande relevância cultural:

  1. Laranjal
  2. Lagastiva
  3. Bocaina
  4. Morro Redondo
  5. Santo Antônio do Caramujo

📍 Poconé

Localizado na região do Pantanal, conta com comunidades tradicionais que mantêm viva a cultura afro-pantaneira:

  1. Capão Verde
  2. Artimanha
  3. Morro de Bom Jardim
  4. Campina de Pedra

📍 Santo Antônio do Leverger

  1. Quilombo Abolição
  2. Varginha
  3. Sangradouro Grande

📍 Cáceres

  1. Barra do Bugres
  2. Vila Maria

📍 Outros Municípios com Comunidades Certificadas

As demais certidões emitidas pela FCP estão distribuídas por municípios das regiões da Baixada Cuiabana, Médio Norte e Sudoeste de Mato Grosso: [1]

1.     Cuiabá / Várzea Grande: Comunidades periurbanas e rurais remanescentes (como o Chumbo).

2.     Chapada dos Guimarães: Lagoinha de Cima, Água Fria.

3.     Porto Estrela: Vão do Buriti.

4.     Barra do Bugres: Baixio, Umutina.

 

A certificação oficial emitida pela FCP é o primeiro passo jurídico para garantir os direitos territoriais assegurados pelo Artigo 68 do ADCT da Constituição Federal, funcionando como porta de entrada para políticas de saúde, educação do campo e habitação rural.

Geraldo Lucio - Sobre a ordem de prioridade para o atendimento e acompanhamento dos Quilombolas de Mato Grosso

Na prática, a prioridade de atendimento, regularização e titulação é definida pelo estágio de evolução do processo técnico-administrativo (como a publicação do RTID ou o ajuizamento de ações de desapropriação) e por situações de vulnerabilidade jurídica ou conflito agrário.

Sob a ótica do avanço processual e relevância histórica, as principais comunidades quilombolas de Mato Grosso que ganham centralidade nas políticas públicas dividem-se em grupos de maturidade fundiária:

1. Comunidades em Estágio Mais Avançado (Prioridade Prática)

Estas são as comunidades cujos processos estão mais próximos da regularização definitiva ou possuem decisões judiciais que obrigam o andamento célere:

·         Mata Cavalo (Nossa Senhora do Livramento) – É o território quilombola mais conhecido e o que mais avançou no estado. Encontra-se na fase de ajuizamento de ações para desapropriação de terras e desintrusão de terceiros. É subdividido em subcomunidades (como Mata Cavalo de Cima, Mata Cavalo de Baixo, Mutuca, entre outras).


·         Lagoinha de Baixo (Chapada dos Guimarães) – Figura historicamente junto a Mata Cavalo nos planos prioritários de estudos e relatórios socioeconômicos e antropológicos promovidos pelas superintendências regionais.

2. Comunidades Certificadas pela Fundação Cultural Palmares

Mato Grosso possui mais de 180 territórios quilombolas mapeados ou identificados, mas pouco mais de 60 possuem a certificação formal da Fundação Cultural Palmares (FCP). A certificação confere prioridade legal para o início da abertura do processo administrativo de titulação do território.

Entre as principais comunidades listadas em estudos e mapeamentos sociais do estado, destacam-se:

·         Capão Verde (Poconé)


·         Capão do Negro (Nossa Senhora do Livramento)


·         Quilombo Chumbo (Poconé)


·         Quilombo Abolição


·         Vila Bela da Santíssima Trindade (várias comunidades na região do Vale do Guaporé, berço histórico do célebre Quilombo do Quariterê / Piolho liderado por Teresa de Benguela).


·         Comunidades de Acorizal, Cuiabá, Barra do Bugres, Porto Estrela, Cáceres, Santo Antônio do Leverger e Várzea Grande.

3. O principal gargalo da "Prioridade"

Em decisões recentes provocadas pelo Ministério Público Federal (MPF), a Justiça Federal determinou que a União e o Incra viabilizem recursos específicos para dar celeridade a dezenas de processos em Mato Grosso que estavam paralisados. 

Portanto, o critério de prioridade atual foca em destravar os processos com laudos antropológicos pendentes ou áreas sob forte pressão de grilagem e conflito fundiário.

 

Geraldo Lúcio apresenta 11(onze) principais municípios de Mato Grosso com presença ou indicação de Comunidades Quilombolas

 

Mato Grosso possui registro de comunidades e territórios quilombolas em cerca de 27 municípios, entre áreas certificadas pela Fundação Cultural Palmares e localidades com indicação ou identificação tradicional.

Principais Municípios com Presença Quilombola

·       1.   Poconé: Destaca-se com a maior população quilombola do estado.


·      2.    Vila Bela da Santíssima Trindade: Abriga grande concentração populacional e forte relevância histórica (como o antigo Quilombo do Piolho/Quariterê).


·        3.  Nossa Senhora do Livramento: Conhecida pela histórica comunidade de Mata Cavalo.


·        4.  Cuiabá: Conta com presença urbana e rural de comunidades tradicionais.


·       5.   Santo Antônio de Leverger: Possui comunidades ativas e reconhecidas.


·         6. Chapada dos Guimarães: Registra presença e articulação de povos quilombolas.


·        7.  Barra do Bugres: Contém territórios identificados e atuantes.


·       8.   Porto Estrela: Possui histórico de comunidades mapeadas.


·        9.  Cáceres: Apresenta registro de territórios tradicionais.


·         10. Acorizal: Incluído nos mapeamentos oficiais da Fundação Cultural Palmares.


·       11.   Várzea Grande: Contabiliza indicações e comunidades certificadas.

Outros municípios no estado também contam com vestígios, famílias ou processos de titulação em curso acompanhados por órgãos de proteção e Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

16 de agosto de 2026

Tem produtos de turismo Quilombola no Estado de Mato Grosso?

Sim, existem produtos e roteiros de turismo de base comunitária e afroturismo em comunidades quilombolas no Estado de Mato Grosso, com destaque para o Quilombo Mata Cavalo, em Nossa Senhora do Livramento (a cerca de 50 km de Cuiabá), e iniciativas em expansão em municípios como Poconé e Vila Bela da Santíssima Trindade. 

Principais Vivências e Roteiros

  • Quilombo Mata Cavalo: Oferece roteiros de imersão cultural de um dia com contação de história pelos descendentes, apresentações de danças tradicionais (como Siriri e Congo), culinária típica à base de derivados de banana e produtos do cerrado, além de artesanato e licores artesanais (como pimenta e pequi). 
  • Poconé e Região Pantaneira: Iniciativas apoiadas pelo poder público e pelo Sebrae Mato Grosso integram visitas aos quintais tradicionais e a comunidades locais (como Morrinho, Jejum e Chumbo), combinando a vivência quilombola com o ecoturismo pantaneiro. 
  • Vila Bela da Santíssima Trindade: Destino com forte herança da resistência negra onde produtores locais e feiras culturais — como as da loja do Kanjinjim — integram o mapa de roteiros de vivência e valorização ancestral promovidos no estado.

Organização e Apoio

  • O governo estadual e o Sebrae Mato Grosso formatam e lançam continuamente novos produtos de afroturismo e turismo rural comunitário para atrair visitantes interessados em história e ancestralidade.
  • Agências especializadas locais operam pacotes de imersão nessas comunidades (você pode conferir opções de roteiro na Ecotur Pantanal). 



1 de março de 2026

Auxílio do Fundaaf fortalece a agricultura familiar e amplia a produção de alimentos em Nossa Senhora do Livramento



01 de Março de 2026 às 09:15
No município, 92 projetos de pequenos produtores foram aprovados para receber o recurso do governo no valor de R$ 6 mil, para desenvolver suas atividades no campo
Vânia Neves | Seaf/Empaer


Propriedade da dona Rosi - Foto por: Assessoria Seaf
Auxílio do Fundaaf fortalece a agricultura familiar e amplia a produção de alimentos em Nossa Senhora do Livramento - Propriedade da dona Rosi
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O incentivo direto à produção tem transformado a realidade de famílias da agricultura familiar em Nossa Senhora do Livramento. A Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf) e a Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer) realizaram visita técnica a propriedades da comunidade Mata Cavalo, beneficiadas pelo Fundo de Apoio à Agricultura Familiar (Fundaaf) – Inclusão Rural, que concede um auxílio de R$ 6 mil para os pequenos produtores por meio de um cartão.

Em Nossa Senhora do Livramento, 240 projetos foram analisados, com 92 aprovações para o auxílio. Em todo o Estado, 3.589 propostas foram deferidas, totalizando R$ 21,5 milhões em investimentos. O objetivo do recurso é oferecer, junto ao acompanhamento técnico, suporte para que os pequenos produtores em situação de vulnerabilidade social possam desenvolver suas atividades no campo.

No sítio onde vivem, Dona Clarice Conceição e Luciano Arruda são alguns dos produtores de Nossa Senhora do Livramento que recebem o auxílio do Fundaaf.

“É a primeira vez que a gente participa de um projeto desses. Quando recebemos o cartão e vimos que o valor estava disponível, aí nós fomos fazer a nossa parte. É disso que a gente precisa, de um incentivo para caminhar, como fizemos agora com o Fundaaf. Nós tínhamos começado com o recurso que tínhamos. Agora, com o recurso que recebemos do Fundaaf, estamos melhorando as condições do espaço que temos para criação dos frangos”, relatou Dona Clarice.

Luciano Arruda destacou o impacto direto na produção. “Com o recurso do Fundaaf, nós adquirimos os pintinhos e o material para ampliar os galinheiros. Os frangos estão com três meses e, com quatro, estarão prontos para o abate. Tem pessoas que querem trabalhar. Se a gente tiver um apoio, nós conseguimos trabalhar. Ao invés de gastar o lucro com coisas desnecessárias, vamos investir e fazer um novo lote. O negócio é aprender direitinho e fazer o dever de casa. O Fundaaf ajudou muito e, daqui a pouco, conseguimos caminhar sozinhos", disse.


 

O produtor também ressaltou a melhoria na qualidade da criação. “A alimentação dos animais melhorou, porque agora podemos oferecer algo com mais qualidade, porque, às vezes, o medicamento tem um custo mais elevado. Nós agradecemos o Governo do Estado pela confiança. Vocês olharam para nós. Espero que essa parceria prossiga. Tudo na vida tem que ter alguém para ajudar, e o que a Seaf e a Empaer estão fazendo é muito grande", acrescentou.

Outra produtora visitada Rosimari Costa e Silva também ampliou a criação de frangos e a produção de ovos. “Tenho o sonho de aumentar a nossa produção de frangos. Esse recurso que nós recebemos já nos ajudou muito. Estamos animados com esse apoio. Agora, queremos desenvolver ainda mais", disse.

A secretária de Estado de Agricultura Familiar, Andreia Fujioka, destacou o alcance da política pública. “O Fundaaf é uma ferramenta concreta de inclusão produtiva. Estamos falando de um recurso que chega direto na mão do produtor, permitindo que ele invista, produza e tenha mais dignidade. Nosso compromisso é continuar apoiando as famílias da agricultura familiar para que possam crescer com autonomia e qualidade de vida", afirmou.

O presidente da Empaer, Suelme Fernandes, ressaltou que o acompanhamento técnico é decisivo para garantir resultados consistentes. “O recurso financeiro é essencial, mas ele precisa estar aliado à orientação técnica. A assistência oferecida pela Empaer assegura que o produtor aplique corretamente o investimento, planeje a produção e tenha melhores resultados. O Fundaaf, com esse acompanhamento, se transforma em desenvolvimento sustentável para as comunidades rurais", apontou.

A extensionista social da Empaer em Livramento, Tânia Tomé, explicou que o foco agora está na execução e na prestação de contas dos projetos aprovados. “Conseguimos aprovar 92 projetos em Livramento e, agora, estamos fazendo a prestação de contas. A maioria das pessoas que aderiram já está produzindo. É muito gratificante poder oferecer um projeto e ver que a pessoa realmente se dedicou, porque, além do alimento para consumo próprio, eles também poderão comercializar e ter uma renda extra. Isso, para nós que trabalhamos diretamente com eles, não tem preço", contou.

O engenheiro agrônomo e extensionista da Empaer, Cláudio Arruda, reforçou a importância do planejamento técnico. “Nosso trabalho é garantir que o produtor utilize o recurso de forma planejada, respeitando as boas práticas de manejo, sanidade e alimentação. Quando o investimento vem acompanhado de assistência técnica, as chances de sucesso aumentam significativamente e o produtor ganha mais segurança para expandir sua atividade", disse.

O Fundaaf – Inclusão Rural conta com a parceria da Desenvolve MT, responsável pela emissão dos cartões e pelo acompanhamento financeiro das famílias beneficiadas. Vale lembrar que essa modalidade é não reembolsável, ou seja, as famílias não precisam devolver o recurso. A prestação de contas é realizada mediante a certificação da execução do projeto, com acompanhamento pelos técnicos da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural, pelo período de um ano.

Outros investimentos estruturantes em Nossa Senhora do Livramento

Nos últimos sete anos, o Governo do Estado destinou cerca de R$ 4,5 milhões ao município em máquinas, equipamentos e insumos para fortalecer a agricultura familiar de Nossa Senhora do Livramento. O secretário municipal de Desenvolvimento Rural, Luciano Batista, destacou o avanço nas cadeias produtivas locais.

“O Governo do Estado, por meio da Seaf e da Empaer, tem nos permitido atender melhor a comunidade que vive da agricultura familiar. Nosso município tem ampliado a produção de leite, que vem em crescimento, além da piscicultura. Também contamos com diversas propriedades que cultivam mandioca e banana, contribuindo inclusive para o abastecimento da merenda escolar", destacou.

Luciano Batista reforçou ainda a importância da parceria institucional. “Os equipamentos que recebemos chegaram em um momento decisivo. Sem o fomento da Seaf, com máquinas, equipamentos, veículos e insumos, não estaríamos produzindo o que conseguimos hoje. A Empaer é um braço importante da gestão municipal; trabalhamos de mãos dadas. Graças a essa parceria, os produtores estão expandindo a produção, porque a orientação técnica pesa muito na hora de investir e garantir qualidade na produção de alimentos", avaliou.