Abaixo, apresenta-se uma descrição ampliada e
detalhada do seu funcionamento biológico e do panorama de espécies no Brasil e
no estado de Mato Grosso.
🐝 Anatomia Detalhada e o Mecanismo
do Ferrão
A estrutura social e física das abelhas com ferrão
(com foco no gênero Apis) divide-se em três castas: Rainha (fêmea
fértil), Operárias (fêmeas estéreis que realizam todo o trabalho e
defesa) e os Zangões (machos cuja única função é a reprodução).
O aparato do ferrão localiza-se na extremidade do
abdômen das fêmeas (operárias e rainhas) e funciona da seguinte forma:
·
O Ferrão Farpado (Apis mellifera): As operárias do gênero Apis
possuem um ferrão dotado de microfarpas (semelhante a anzóis). Quando picam um
mamífero ou humano, a elasticidade da pele prende essas farpas. Ao tentar voar
para longe, a abelha rasga o próprio abdômen, deixando para trás o ferrão, o
saco de veneno e parte dos seus órgãos internos, o que a leva à morte por
hemorragia pouco tempo depois.
·
A Bomba de Veneno: O saco de veneno preso ao ferrão continua pulsando de forma autônoma
por alguns minutos após destacar-se do corpo da abelha, injetando ativamente a apitoxina
na pele.
·
Ferrão Liso (Outras espécies): A abelha rainha (que raramente usa o ferrão fora
de disputas com outras rainhas) e as mamangavas (Bombus e Xylocopa)
possuem ferrões lisos. Elas conseguem ferroar repetidas vezes sem perder o
aparelho de defesa e sem morrer.
🇧🇷 Espécies de Abelhas com Ferrão
no Brasil
O cenário de abelhas com ferrão no território
brasileiro divide-se entre as sociais exóticas/híbridas e as nativas de hábitos
solitários ou semi-sociais:
1. A Abelha Africanizada (Apis mellifera)
É a abelha com ferrão mais abundante e conhecida do
Brasil, correspondendo a cerca de 90% das abelhas que ocupam o país. Ela
não é uma espécie nativa pura, mas sim um híbrido resultante de um
processo histórico de cruzamentos:
·
Histórico: As
primeiras subespécies europeias (Apis mellifera ligustica - italiana e Apis
mellifera mellifera - alemã) foram trazidas por jesuítas e colonos a partir
de 1839. Em 1956, o cientista Warwick Kerr trouxe rainhas da abelha africana (Apis
mellifera scutellata) para o estado de São Paulo visando aumentar a
produtividade. Houve um escape acidental dessas rainhas africanas, que se
cruzaram com as europeias instaladas, gerando a abelha africanizada.
·
Características: Herdaram a alta produtividade de mel e a grande resistência a doenças e
ao clima tropical das abelhas africanas, além de um comportamento defensivo
altamente agressivo (ataques rápidos e em grande número quando o ninho é
ameaçado).
2. As Mamangavas-de-Chão (Gênero Bombus)
São abelhas sociais nativas do Brasil que constroem ninhos rudimentares no solo ou em cavidades escuras. Possuem o corpo robusto, peludo e escuro. Ao contrário das suas parentes da Europa e EUA, as variedades brasileiras de Bombus são bastante agressivas se perturbadas. O seu ferrão é liso e permite múltiplas ferroadas.
3. As Mamangavas-de-Toco ou
Carpinteiras (Gênero Xylocopa)
São abelhas nativas de grande porte, frequentemente
confundidas com besouros pretos devido ao seu exoesqueleto brilhante e escuro.
Possuem hábitos majoritariamente solitários (não formam colmeias com
rainhas e operárias) e escavam a madeira de troncos mortos para fazer seus
ninhos. Têm ferrão potente, mas são pacíficas; só ferroam se forem diretamente
manipuladas ou esmagadas. São as principais polinizadoras do maracujá.
4. Abelhas das Orquídeas (Tribo Euglossini)
São abelhas de comportamento majoritariamente
solitário, famosas por suas cores metálicas exuberantes (verde, azul ou dourado
reluzente). As fêmeas possuem ferrão funcional para defesa. Os machos coletam
compostos aromáticos de orquídeas para atrair parceiras.
🌾 O Cenário Específico em Mato
Grosso
O estado de Mato Grosso possui uma posição
geográfica única, englobando três biomas ricos: Cerrado, Pantanal e Floresta
Amazônica. Isso confere ao estado uma biodiversidade massiva de insetos.
A Apicultura Comercial em MT
Mato Grosso destaca-se como um gigante na produção
de mel utilizando a espécie exótica com ferrão (Apis mellifera). Com o
suporte da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Senar-MT, a apicultura no
estado gerou uma receita milionária, com uma produção anual que ultrapassa as 980
toneladas de mel.
·
Os
municípios que lideram o valor e o volume de produção dessa abelha com ferrão
em Mato Grosso são Canarana, Tapurah, Sorriso, Rondonópolis
e Reserva do Cabaçal.
Pesquisa Científica Regional
Para se ter uma ideia da riqueza ecológica do
estado, a Coleção de Abelhas de Mato Grosso (CAMT), mantida no
Laboratório de Abelhas e Vespas Neotropicais da UNEMAT (Campus de Cáceres),
abriga um acervo científico com cerca de 50 mil exemplares. Desse montante,
destacam-se mais de 70 espécies registradas de Abelhas das Orquídeas
(Euglossini), provando que o estado é um reduto massivo tanto para as espécies
com ferrão comerciais quanto para as nativas solitárias.



Nenhum comentário:
Postar um comentário