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7 de outubro de 2026

As abelhas com ferrão pertencem à ordem Hymenoptera e são caracterizadas pela presença de um ovopositor modificado em um aparelho de defesa: o ferrão.

Diferente das mais de 300 espécies de abelhas nativas sem ferrão (meliponíneos) existentes no Brasil, o universo das abelhas com ferrão no país é composto por espécies exóticas introduzidas (como a abelha do mel comum) e por espécies nativas solitárias ou sociais (como as mamangavas).

Abaixo, apresenta-se uma descrição ampliada e detalhada do seu funcionamento biológico e do panorama de espécies no Brasil e no estado de Mato Grosso.


🐝 Anatomia Detalhada e o Mecanismo do Ferrão

A estrutura social e física das abelhas com ferrão (com foco no gênero Apis) divide-se em três castas: Rainha (fêmea fértil), Operárias (fêmeas estéreis que realizam todo o trabalho e defesa) e os Zangões (machos cuja única função é a reprodução).

O aparato do ferrão localiza-se na extremidade do abdômen das fêmeas (operárias e rainhas) e funciona da seguinte forma:

·         O Ferrão Farpado (Apis mellifera): As operárias do gênero Apis possuem um ferrão dotado de microfarpas (semelhante a anzóis). Quando picam um mamífero ou humano, a elasticidade da pele prende essas farpas. Ao tentar voar para longe, a abelha rasga o próprio abdômen, deixando para trás o ferrão, o saco de veneno e parte dos seus órgãos internos, o que a leva à morte por hemorragia pouco tempo depois.


·         A Bomba de Veneno: O saco de veneno preso ao ferrão continua pulsando de forma autônoma por alguns minutos após destacar-se do corpo da abelha, injetando ativamente a apitoxina na pele.


·         Ferrão Liso (Outras espécies): A abelha rainha (que raramente usa o ferrão fora de disputas com outras rainhas) e as mamangavas (Bombus e Xylocopa) possuem ferrões lisos. Elas conseguem ferroar repetidas vezes sem perder o aparelho de defesa e sem morrer.


🇧🇷 Espécies de Abelhas com Ferrão no Brasil

O cenário de abelhas com ferrão no território brasileiro divide-se entre as sociais exóticas/híbridas e as nativas de hábitos solitários ou semi-sociais:

1. A Abelha Africanizada (Apis mellifera)

É a abelha com ferrão mais abundante e conhecida do Brasil, correspondendo a cerca de 90% das abelhas que ocupam o país. Ela não é uma espécie nativa pura, mas sim um híbrido resultante de um processo histórico de cruzamentos:

·         Histórico: As primeiras subespécies europeias (Apis mellifera ligustica - italiana e Apis mellifera mellifera - alemã) foram trazidas por jesuítas e colonos a partir de 1839. Em 1956, o cientista Warwick Kerr trouxe rainhas da abelha africana (Apis mellifera scutellata) para o estado de São Paulo visando aumentar a produtividade. Houve um escape acidental dessas rainhas africanas, que se cruzaram com as europeias instaladas, gerando a abelha africanizada.


·         Características: Herdaram a alta produtividade de mel e a grande resistência a doenças e ao clima tropical das abelhas africanas, além de um comportamento defensivo altamente agressivo (ataques rápidos e em grande número quando o ninho é ameaçado).

2. As Mamangavas-de-Chão (Gênero Bombus)

São abelhas sociais nativas do Brasil que constroem ninhos rudimentares no solo ou em cavidades escuras. Possuem o corpo robusto, peludo e escuro. Ao contrário das suas parentes da Europa e EUA, as variedades brasileiras de Bombus são bastante agressivas se perturbadas. O seu ferrão é liso e permite múltiplas ferroadas. 

3. As Mamangavas-de-Toco ou Carpinteiras (Gênero Xylocopa)

São abelhas nativas de grande porte, frequentemente confundidas com besouros pretos devido ao seu exoesqueleto brilhante e escuro. Possuem hábitos majoritariamente solitários (não formam colmeias com rainhas e operárias) e escavam a madeira de troncos mortos para fazer seus ninhos. Têm ferrão potente, mas são pacíficas; só ferroam se forem diretamente manipuladas ou esmagadas. São as principais polinizadoras do maracujá.

4. Abelhas das Orquídeas (Tribo Euglossini)

São abelhas de comportamento majoritariamente solitário, famosas por suas cores metálicas exuberantes (verde, azul ou dourado reluzente). As fêmeas possuem ferrão funcional para defesa. Os machos coletam compostos aromáticos de orquídeas para atrair parceiras.


🌾 O Cenário Específico em Mato Grosso

O estado de Mato Grosso possui uma posição geográfica única, englobando três biomas ricos: Cerrado, Pantanal e Floresta Amazônica. Isso confere ao estado uma biodiversidade massiva de insetos.

A Apicultura Comercial em MT

Mato Grosso destaca-se como um gigante na produção de mel utilizando a espécie exótica com ferrão (Apis mellifera). Com o suporte da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Senar-MT, a apicultura no estado gerou uma receita milionária, com uma produção anual que ultrapassa as 980 toneladas de mel.

·         Os municípios que lideram o valor e o volume de produção dessa abelha com ferrão em Mato Grosso são Canarana, Tapurah, Sorriso, Rondonópolis e Reserva do Cabaçal.

Pesquisa Científica Regional

Para se ter uma ideia da riqueza ecológica do estado, a Coleção de Abelhas de Mato Grosso (CAMT), mantida no Laboratório de Abelhas e Vespas Neotropicais da UNEMAT (Campus de Cáceres), abriga um acervo científico com cerca de 50 mil exemplares. Desse montante, destacam-se mais de 70 espécies registradas de Abelhas das Orquídeas (Euglossini), provando que o estado é um reduto massivo tanto para as espécies com ferrão comerciais quanto para as nativas solitárias.

 

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