23 de setembro de 2020

LIVE - Vamos falar de Turismo ?

AGRICULTURA - Produção de mandioca em MT cai 52% em 10 anos


G1-MT

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 A pesquisadora Dorolice Moreti, da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), afirma que a área com mandioca em Mato Grosso reduziu 52% na última década. Um dos motivos é a escassez de mão de obra.

Atualmente, o estado produz 267 mil toneladas de mandioca.

Atualmente, a área destinada ao cultivo de mandioca é 46% menor que em 2010, o que corresponde a mais de 18 mil hectares de produção da cultura.

Ela estuda o cultivo de mandioca no estado.

A farinha de mandioca é um produto típico na mesa do mato-grossense, já que um dos pratos principais da culinária cuiabana é a farofa de banana. A mandioca também um dos acompanhamentos favoritos do churrasco.

Um dos polos de produção de mandioca no estado era o município de Acorizal que fica a 70 km de Cuiabá, mas nos últimos 20 anos, a realidade mudou.

Nas pequenas propriedades rurais, da agricultura familiar, a mandioca tem espaço garantido na roça. Inicialmente é pra consumo próprio e o que sobra é encaminhado pro comércio local.

Mas, nos últimos anos, o cultivo comercial de mandioca caiu muito no estado. A demanda pelo produto aumentou e a oferta não. Por isso, está faltando mandioca no mercado e a produção de farinha está menor. Com isso, os preços subiram.

Em março deste ano, o kg de mandioca custava R$ 0,80 no comércio atacadista da capital e, agora em setembro, está R$ 2.

Outro problema que dificulta a produção de mandioca é a mão de obra é que a lida no campo pra arrancar essa raiz da terra até a produção de farinha é algo bastante pesado.

As pessoas que tem ficado no campo são agricultores mais idosos, que geralmente não possuem equipamentos para fazer esse trabalho mais difícil.

Além da produção trabalhosa, quem produz mandioca tem enfrentado a seca prolongada e o severo ataque de pragas como a mosca branca, o que interfere na produtividade das roças.

 


MATO GROSSO - Super live "Salve o Pantanal" integra programação do Cine Teatro Cuiabá

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As redes sociais do Cine Teatro Cuiabá transmitem na quinta-feira (24.09), às 19h30, a Superlive ‘Salve o Pantanal’. A ação, que faz parte da programação semanal do equipamento da Secel, tem o objetivo de levar informações sobre os incêndios florestais que têm devastado o Pantanal mato-grossense.

Organizado pela Cia Cena Onze de Teatro, o ator Romeu Benedicto, os cineastas Amauri Tangará Tati Mendes e os demais integrantes do grupo Amigos do Pantanal, o evento reunirá  cientistas, autoridades responsáveis pelo meio ambiente, Organizações Não Governamentais (ONGs), artistas e a população em geral para debater as políticas de combate à destruição do bioma.

Com apresentação do ator Romeu Benedicto, o debate será comandado pelos artistas Amauri Tangará e Helô Godoy, tendo a participação do pesquisador Milton Guapo, do fotógrafo José Medeiros e do secretário-executivo do Comitê Estadual de Gestão do Fogo, da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA), coronel Paulo Barroso.

Participam também da superlive, os artistas Nico e Lau, André d’Lucca, Vera Capilé, Marta Takishima e Maria de Lourdes de Oliveira, Edmilson Maciel, Pescuma, Henrique e Claudinho e Adriano Figueiredo.

Confira toda a programação da semana:

Segunda-feira (21.09), às 19h30, pelo instagram: Cine Teatro Cuiabá Convida

A jornalista Helô Godoy entrevista o espalhador de livros e fundador do projeto Inclusão Literária, Clóvis Matos.

Terça-feira (22.09), às 19h30, pelo facebook: Temporada de Filmes

Na seleção da semana, a série online “Cine Comentário Sonoro” traz diretores compartilhando histórias relacionadas à produção dos filmes Tommy Brilho e MC Jess.

Quarta-feira (23.09), às 19h30, pelo YouTube: teatro

O ator Jefferson Jarcem apresenta episódios da esquete teatral “Confabulações de um corpo em isolamento”.

Quinta-feira (24.09), às 19h30, em todas as redes sociais: Live 

Artistas e representantes ambientais se unem na super live’Salve o Pantanal’.

Sexta-feira (25.09), às 19h30, pelo YouTube: teatro

A agenda traz o espetáculo teatral Era uma Vez, apresentado pela companhia Cena Onze.

Sábado (26.09), às 19h30, pelo YouTube: ballet

Reapresentação do espetáculo Ópera Classic, da Cia Ópera Ballet, de Cuiabá.

Domingo (27.09), às 19h30, pelo YouTube: teatro

O espetáculo Liz, da Companhia de Teatro Os Satyros, encerra programação online. Em seu curriculum, Os Satyros produziram mais de 100 espetáculos, se apresentaram em 20 países e, das mais de 100 nomeações, receberam 53 prêmios – incluindo os maiores do teatro brasileiro.

Redes Sociais Cine Teatro Cuiabá

Instagram: @cineteatrocba 

Facebook: @cineteatrocuiaba

YouTube: Cine Teatro Cuiabá

Fonte: GOV MT

Capacitação sobre cultivo da Rosa do Deserto mostra potencialidade da planta nas áreas urbanas e rurais


O tema foi escolhido devido o interesse crescente pela produção comercial desta espécie
Rosana Persona | Empaer | MT

A planta é natural do Sul da África e da Península Arábica, tendo chegado ao Brasil há cerca de uma década - Foto por: Jackson da Silva | Empaer
A planta é natural do Sul da África e da Península Arábica, tendo chegado ao Brasil há cerca de uma década
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A Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer) realiza nesta quinta-feira (24.09), às 8h, a capacitação online do cultivo de Rosa do Deserto, com o engenheiro agrônomo da Empaer, Jackson Ferreira da Silva, que aborda o plantio nas áreas urbanas e rurais.

O tema foi escolhido devido o interesse crescente pela produção comercial desta espécie ornamental. O evento é exclusivamente direcionado para os técnicos da empresa.

A Rosa do Deserto é uma planta de aspecto escultural e possui bela floração. As flores são tubulares, simples, com cinco pétalas e diversas cores e tons. Durante a capacitação, o engenheiro Jackson vai falar sobre as sementes, produção de mudas, cavalos para enxerto, nutrição, sanidade, controle fitossanitário, enxertia, polinização e mercado. A planta é natural do Sul da África e da Península Arábica, tendo chegado ao Brasil há cerca de uma década.

 “As rosas do deserto despertam interesse das pessoas por sua beleza exótica e rusticidade que torna seu cultivo algo prazeroso e fascinante. De olho nesta tendência, o fomento da atividade junto aos agricultores familiares é algo estratégico, por possibilitar a diversificação da produção em pequenas áreas e a geração de uma renda extra e já tem se tornado a renda principal de inúmeras famílias, urbanas e rurais”, enfatiza.

Segundo Ferreira, até pouco tempo atrás o Brasil dependia do mercado externo para o abastecimento local de sementes com pouquíssima variabilidade de formatos e cores. Com o tempo foram surgindo novos híbridos que despertaram o interesse do mercado e começaram a produzir novidades, técnicas elaboradas que valorizam a beleza não só das cores das flores mais da planta como um todo.

“Tem alguns anos que coleciono e produzo essas plantas, elas podem ser usadas como uma alternativa de renda, entretenimento, terapia ocupacional e outros”, esclarece.

Hoje o Brasil ainda importa muito material e técnicas principalmente dos países asiáticos. Nos últimos anos o país tem despontado com a produção de material próprio e com adaptações locais para superar algumas demandas. “O mercado de plantas ornamentais e jardinagem está em crescimento e com a pandemia do Novo Coronavírus (Covid-19), a procura aumentou, as pessoas estão mais em casa e buscando uma alternativa de lucro, renda e lazer”, explica.

O encerramento da capacitação está previsto para às 13h. 


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PESSOAS BUSCAM REDUZIR GERAÇÃO DE LIXO E O IMPACTO AO MEIO AMBIENTE

O lixo plástico flutua pelos oceanos, ameaça a vida marinha e polui cada vez mais as praias - GETTY IMAGES

Quando a produtora audiovisual Patrícia Barretos, 50, começou a separar o seu próprio lixo para reciclagem -coisa de 20 anos atrás- coleta seletiva ainda era uma raridade. “Era muito difícil. Não tinha nem caminhão para recolher”, diz. Por muitos anos, ela teve de levar todo o material até postos ou cooperativas que pudessem recebê-lo.

Ainda hoje em dia, no prédio em que mora, na Santa Cecília, centro de São Paulo, não há divisão dos resíduos -apesar dos seus insistentes pedidos. Pelo menos agora, afirma ela, o caminhão para reciclados passa na porta, e fica mais fácil o descarte.

Nestas duas décadas, Patrícia conta que foi ficando cada vez mais preocupada com o assunto. Na pandemia do coronavírus e passando mais dias em casa, isso se acentuou. “Se antes eu era a ‘louca do lixo’, agora virei a ‘louca do plástico'”

Mais até do que reciclar, a produtora tem procurado reduzir a sua produção de lixo. Evita ao máximo, por exemplo, o consumo de produtos que tenham embalagens descartáveis, e muitas das suas compras são a granel. “É um caminho sem volta. Quanto mais você sabe sobre o assunto, mais consciente você vai ficando”, afirma.

Segundo dados da Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais) de 2018, cada brasileiro produz por dia cerca de 1,039 kg de lixo. Grande parte disso vai para os aterros sanitários, já que só 22% das cidades brasileiras têm coleta seletiva, de acordo com pesquisa realizada pelo Cempre (Compromisso Empresarial pela Reciclagem).

Durante a pandemia, segundo levantamento da Abrelpe, o número de materiais recicláveis coletados pelos serviços de limpeza aumentou 28% em maio, e 30% em junho na comparação com o mesmo período de 2019. Para a entidade, isso evidencia o crescimento do consumo dentro das casas de alimentos prontos (os deliveries de restaurantes, por exemplo).

O problema é que isso não se reverteu em um aumento da reciclagem em si. “Já que boa parte do volume coletado tem sido encaminhado para unidades de disposição final [aterros sanitários] devido o fechamento ou diminuição da atuação nas unidades de triagem em diversas cidades”, diz Carlos Silva Filho, diretor presidente da Abrelpe.

São Paulo continuou com a coleta seletiva e e é um dos poucos locais que possui dois centros de triagem mecanizados que, portanto, não deixaram de funcionar durante a pandemia. As 24 cooperativas de reciclagem, porém, seguem fechadas como prevenção contra o coronavírus.

Em 2014, a designer Cristal Muniz, 29, leu uma reportagem sobre uma jovem americana, a Lauren Singer, do blog Thash for Tossers, que estava “vivendo uma vida lixo zero”. Na mesma hora, ela conta que teve a ideia de seguir pelo mesmo caminho.

“Eu tinha ido morar sozinha e ficava muito incomodada com a quantidade de lixo que produzia sempre. Mesmo separando, a maior parte eram resíduos não-recicláveis dessa coleta seletiva que temos (embalagens de comida suja e impossíveis de limpar e reciclar, areia da gata, lixo do banheiro, lixo orgânico da cozinha) e isso me deixava muito incomodada, porque eu sabia que nada ia ser feito com isso depois”, relata.

Para compartilhar o que estava aprendendo, Cristal criou o blog Um Ano Sem Lixo. Em pouco tempo, ela conta que o projeto cresceu e ficou inviável conciliar com o seu trabalho como designer.

Decidiu, então, ficar só com o blog dando palestras, cursos e produzindo o conteúdo para todas as redes da iniciativa, que passou a se chamar Uma Vida Sem Lixo. Esse também é o nome do livro, que ela lançou em 2018. No Instagram, o projeto tem 252 mil seguidores.

Ela afirma que nunca teve nenhum “desafio gigante” no processo de reduzir ao máximo o que gerava de resíduos, porque o seu motivo por trás sempre “foi muito forte” e as mudanças foram acontecendo aos poucos. “Minha tática foi atacar o que menos gostava de produzir primeiro, troquei os absorvente pelo coletor menstrual, deixei de jogar ‘fora’ o lixo orgânico e transformo ele em adubo no apartamento com uma composteira doméstica”, explica.

Para ela, a vida ficou mais simples e prática, porque foca no essencial. Embora veja que é importante reciclar, Cristal destaca que não se pode colocar todas as esperanças nisso. Para ela, é essencial gerar menos lixo. “A gente, enquanto pessoas, e a gente, enquanto empresas, precisa pensar em produzir menos lixo, pensando lá no projeto de design dos produtos e embalagens, que eles sejam feitos para serem reciclados ou reaproveitados, e em casa pensando no que dá para nem levar para casa”, afirma.

Ana Maria Luz, do Instituto GEA – Ética e Meio Ambiente, compartilha de opinião semelhante. Para ela, é preciso reduzir o consumo em todos os aspectos, desde a comida que se faz a mais e acaba jogando fora até a aquisição de aparelhos eletrônicos. São também mudanças pequenas, do dia a dia, como deixar de pegar uma sacola a cada vez que vai à farmácia, e dispensar os talhares descartáveis e guardanapos quando pedir comida em casa.

“Cada produto que você comprou, usou e depois jogou no lixo, você usou recursos naturais do planeta. Toda vez que você retirou recursos naturais da terra e aquilo foi para o lixo e depois para o aterro, você está tirando elementos que são finitos na terra. Petróleo, areia, bauxita, por exemplo, são finitos”, destaca ela.

Embora muitas ações precisem ser feitas pelo poder público, é importante que cada um faça a sua parte, reforça ela, reduzindo o consumo e reciclando o que é possível. “Não é tão difícil você separar e mandar para reciclar um produto, e você salvou um monte de coisa, água, energia, e ainda deu emprego para um monte de gente [catadores]. É uma escolha”, conclui.

Para quem ficou assustado ao passar mais tempo em casa e se dar conta da quantidade de lixo que produz, a dica dos especialistas é começar pela separação dos resíduos. O jeito mais fácil e que também é eficaz é dividir em dois: orgânico e reciclável.

“São só duas lixeiras, não dá muito mais trabalho colocar na do reciclável as embalagens limpas e secas, e na outra os resíduos como resto de comida, papel higiênico [usado] ou absorventes”, indica Cristal Muniz, autora do blog Uma Vida Sem Lixo, projeto em que se dedica a reduzir ao máximo a geração de resíduos.

Também é fundamental conferir se o lixo está indo para reciclagem de fato. “Se você separar, mas seu prédio não, foi esforço em vão. E isso não significa que você deve parar de reciclar, mas, sim, que você deve cobrar do prédio que passe a separar”, disse. Mesmo em cidades que têm serviço de coleta seletiva, muitos condomínios não adotaram a ação.

A funcionária pública Daniela Padilha, 36, conta que desde que morava com a sua mãe já fazia a separação do lixo. Assim que casou, continuou com a iniciativa, mas logo descobriu que o seu condomínio não faz a divisão dos resíduos. “Eu e meu marido tentamos fazer certinho, pena que vai para a lixeira do prédio e não tem separação”, diz ela, que mora em Guarulhos, na Grande SP.

O que fazer? Os especialistas indicam que o próprio morador pode levar até pontos de entrega voluntária (PEV) ou associações de catadores. Nesse quesito, o site Ecycle pode ajudar a encontrar esses locais de entrega. Há também o aplicativo Cataki, que conecta quem quer descartar com um catador. “É uma saída também para ajudar os catadores, já que muitos ficaram sem renda por causa da crise do coronavírus”, diz a ambientalista Ana Maria Luz.

Segundo Cristal Muniz, uma das dúvidas que mais costuma receber de seguidores é como descartar algumas coisas específicas. De fato, diz ela, esse é um tipo de informação inconsistente e “difícil de achar mesmo”.

“Como a coleta é em municípios e a reciclagem acontece de acordo com o que o mercado compra, em algumas regiões alguns materiais tem quase nenhum valor comercial e acabam sendo descartados, mesmo tendo uma reciclabilidade altíssima. É o caso do vidro: ele pode ser reciclado infinitas vezes, vidro novo pode ser feito exclusivamente de vidro velho, mas em muitas cidades do

Brasil, por falta de mercado, esse material vai pros aterros e não é reciclado, mesmo sendo mais eficiente que o plástico na reciclagem.”

Ana Maria Luz comenta também sobre o lixo eletrônico que é “hiper-complicado”, especialmente pilhas. “Não tem valor econômico. Ao contrário, para dar uma destinação completa, precisa de um processo industrial super caro. É o negócio que ninguém quer”, afirma. Em algumas cidades, existem projetos e lojas que recebem o produto e dão a sua destinação correta -serviço que ficou prejudicado agora na quarentena, diz ela.

Karina Matias Via FolhaPress

BRASIL VOLTA A PERDER CONTROLE DO DESMATAMENTO APÓS ANOS DE DIMINUIÇÃO



O aumento de queimadas e desmatamento no Brasil, com o Pantanal sofrendo com um fogo sem precedentes, fez com que o debate ambiental ganhasse mais força. Especialmente depois que empresários do país e estrangeiros, além de organismos internacionais, passaram a cobrar do governo respostas mais efetivas de combate à devastação. A política ambiental ineficaz ameaça o acordo entre o Mercosul e a União Europeia, com a França reiterando a discordância em firmar a parceria frente ao descontrole atual que o Brasil vive.

Mas, quando foi que o país começou a se perder? Pesquisadores são unânimes ao apontar piora na situação após a posse do presidente Jair Bolsonaro, que antes de assumir já falava em tirar o Brasil do Acordo de Paris, um tratado no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU), sobre a mudanças climáticas. A perda do controle ambiental, coma expansão do desmatamento na Amazônia, não começou em 2019. A devastação na maior floresta tropical do mundo vem aumentando desde 2015.

Professor titular de relações internacionais da Universidade de Brasília (UnB), Eduardo Viola afirma que o Brasil sempre foi visto como um ator importante na perspectiva ambiental do mundo, mas sua importância estava relacionada ao poder de destruição. No início da década de 1990, passou a participar das discussões, durante o governo Collor, e tentou, na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento de 1992 (Eco 92), realizada no Rio de Janeiro, apagar a lembrança da Conferência de Estocolmo, em 1972, quando o ministro Costa Cavalcanti, representando o Brasil, disse que a poluição era sinal de progresso.

A atuação positiva do país começou em 2005, no primeiro governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e durou até 2012, já no segundo mandato, quando houve uma redução drástica no desmatamento. Em 2004, a Amazônia Legal (composta por nove estados) perdeu 27,8 mil km² de vegetação. Em 2012, o número caiu para 4,6 mil km², redução de 83,4%. Na época em que a mudança começou, a ministra do Meio Ambiente era Marina Silva, política e ativista de questões ambientais.

Viola lembra que Marina foi sucedida por outros ministros importantes para a causa, como Carlos Minc, e o país viveu um período virtuoso, tendo sido muito elogiado internacionalmente por suas políticas e resultados. Em 2013 e 2014, no governo Dilma, no entanto, houve uma estagnação e, em seguida, os índices voltaram a subir. “A situação de hoje não começou no ano passado. Claro que com Bolsonaro, chegou ao extremo pior. Mas, isso começou no segundo governo Dilma”, ressalta o professor, acrescentando que o discurso de Bolsonaro promove a devastação.

Crise econômica
De fato, os dados mostram que foi neste período que a “chave” virou: foi quando o Brasil, que havia saído de um péssimo ator nas questões ambientais para se tornar um bom exemplo, voltou a ser vilão. Viola credita a mudança à crise econômica que ficou mais forte no país e, desde então, não parou mais. A prioridade da população também mudou, ao que o professor exemplifica falando sobre as candidaturas de Marina Silva à Presidência da República: se em 2010 e 2014 ela recebeu 19% e 21% dos votos, respectivamente, em 2018, ela teve apenas 1%.

Titular sênior do Instituto de Energia e Ambiente (IEA) da Universidade de São Paulo (USP), Pedro Roberto Jacobi ressalta que a mudança começou com a figura de Marina Silva como ministra. “Ela foi essencial para uma virada na política ambiental”, afirma. A posição foi mantida pelos que a sucederam, mas foi gradualmente mudando pelo cenário de crise que o país passou, culminando com impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. “Isso vai acontecendo de forma bastante sutil. O Congresso já tinha uma forte presença da bancada vinculada ao agronegócio, e a própria Dilma não tinha o mesmo apego à proteção ambiental; ela tinha uma visão muito mais pragmática e focada no desenvolvimento nos moldes tradicionais”, assinala.

Conforme o especialista, até a década de 1990, havia muito mais dificuldade de se mensurar os impactos do desmatamento. Com o tempo, os sistemas foram se tornando mais sofisticados, facilitando a fiscalização e controle. Na Eco 92, lembra ele, havia maior presença de ONGs e um avanço do ponto de vista do governo, que passou a discutir e melhorar a legislação ambiental. “Foi um processo em que foi aumentando a própria consciência da população em relação ao tema meio ambiente”, diz. Depois disso, segundo ele, o país foi avançando na discussão, ainda que com altos e baixos.

Professor no departamento de Biologia da Universidade de Campinas (Unicamp), Carlos Alfredo Joly avalia de forma mais pontual que a mudança vista no Brasil tem relação direta com a aprovação no Congresso Nacional em 2012 do novo Código Florestal, amplamente criticado por ambientalistas. “Trouxe um enorme perdão aos crimes ambientais cometidos até 2008. Quando você perdoa todos os crimes cometidos, você passa a mensagem que está tudo bem continuar cometendo, porque lá na frente virá a anistia”, afirma. Apesar de ser um código menos exigente, Joly pondera que é importante que seja aplicado, com registro de propriedades e definição de reserva legal.

Para o professor da Unicamp, a mudança no Brasil, de maior controle sobre o desmatamento, começou antes de Marina, no segundo mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC), quando o Brasil chegou ao pico de destruição. “Houve uma movimentação grande de pesquisadores, repercussão no exterior e o governo resolveu congelar os desmatamentos na Amazônia, fez alterações no código florestal vigente”, ressalta. A partir dali, já houve maior controle, com ações de fiscalização, que aumentaram de forma evidente no segundo mandato do ex-presidente Lula. Foi nessa época, em 2008, que o Brasil passou a receber recursos para o Fundo Amazônia. No primeiro semestre do ano passado, no entanto, o fundo perdeu recursos da Alemanha e Noruega, justamente pela falta de uma política ambiental eficaz. Em maio, o vice-presidente Hamilton Mourão disse que iria reativá-lo.

Porta-voz de Políticas Públicas do Greenpeace, Luiza Lima afirma que o Brasil já liderou discussões ambientais e viu políticas implementadas surtirem efeitos. Luiza frisa que o país se destacou perante os demais ao adotar metas voluntárias de redução de emissão de gases de efeito estufa. “Ações contra o desmatamento eram uma política de Estado, com envolvimento de diversos ministérios, coordenadas pela Casa Civil. Havia prioridade”, ressalta. Para ela, o aumento das taxas de desmatamento chegaram aliadas à queda de investimentos, mas o discurso de preservação continuava. “O que já não ocorre hoje.”

Ruptura
Luiza afirma que o governo federal tinha um papel central de mediação, conduzindo as políticas e o debate, sempre entendendo, segundo ela, o meio ambiente como algo relevante. “Com o governo Bolsonaro, há grandes rupturas. O governo coloca-se como inimigo do meio ambiente. Não é nem que não promova uma agenda pró-meio ambiente. O governo coloca-se como inimigo. Deixou de ser mediador e passou a promover o conflito, tirando a sociedade civil do debate. Em vez de termos negociadores internacionais à frente da discussão ambiental, temos o chefe do Itamaraty (ministro Ernesto Araújo) negacionista das mudanças climáticas.”

Pedro Roberto Jacobi, da USP, alerta que o que está colocado, hoje, é um comportamento governamental de não tomar providência do ponto de vista de dotar recursos à fiscalização dos crimes ambientais e combate à devastação, aliado a um discurso que acaba flexibilizando as ações predatórias. “Ações que, de certa forma, estimulam o garimpo na Amazônia, o desmatamento em nome da mineração, em nome da expansão de áreas para gado”, pontua.

Esse processo, diz ele, deu-se deu ao mesmo tempo em que ficou mais explícita a perda de capacidade operacional para as ações de fiscalização. “Ele indicou um ministro do Meio Ambiente (Ricardo Salles) que deixou claro, na famosa reunião, que iria passar a boiada. Não podemos ignorar isso. Está documentado e mostra um comportamento predatório”, afirma.

Negacionismo
Discurso do presidente Jair Bolsonaro minimiza desastres:

Julho/2019:
“Com toda a devastação que vocês nos acusam de estar fazendo e de ter feito no passado, a Amazônia já teria se extinguido. Inclusive, já mandei ver quem está à frente do Inpe para que venha explicar em Brasília esses dados enviado à imprensa. Nosso sentimento é que isso não coincide com a verdade, e parece até que está a serviço de alguma ONG.”

Agosto/2019:
“Quando se fala em poluição ambiental, é só você fazer cocô dia sim, dia não, que melhora bastante a nossa vida também, está certo?”

Setembro/2019:
“O índio não quer ser latifundiário pobre em cima de terras ricas.”

Novembro/2019:
“O pessoal da ONG, o que eles fizeram? O que é mais fácil? Botar fogo no mato. Tira foto, filma, a ONG faz campanha contra o Brasil, entra em contato com o Leonardo DiCaprio, e o Leonardo DiCaprio doa US$ 500 mil para essa ONG. Leonardo DiCaprio está colaborando aí com a queimada na Amazônia, assim não dá.”

Julho/2020:
“Quando acabar o nosso commodity, vamos viver do quê? Me desculpa, agora, baixando o nível, você vai viver de capim.”

Agosto/2020:
“Essa história de que a Amazônia arde em fogo é uma mentira.”

Setembro/2020:
“O Brasil está de parabéns na preservação ambiental.”

Sarah Teófilo Via Correio Braziliense

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