TRADIÇÃO QUE GANHA ESCALA: Com apoio técnico do Estado, agroindústria familiar de Livramento amplia produção e mira novos mercados

Das raízes familiares à expansão regional

O que começou de forma simples, à sombra de uma mangueira no quintal de casa, transformou-se em um empreendimento que atravessa gerações e se consolidou como referência na Baixada Cuiabana. Em Nossa Senhora do Livramento, a família de Ciro Ernesto de Moraes construiu, ao longo de mais de seis décadas, a história dos Doces Campo Alegre — marca que ultrapassou os limites do município e hoje acompanha visitantes que levam seus produtos para diversas regiões de Mato Grosso e do país.

Cercada por canaviais, a propriedade preserva os traços da agricultura familiar tradicional. Mas o modelo artesanal que marcou os primeiros anos evoluiu. Investimentos contínuos, qualificação técnica e o suporte de políticas públicas impulsionaram a modernização do processo produtivo e abriram novas perspectivas de crescimento.

“O começo da gente foi embaixo de uma mangueira. Aí, no decorrer dos anos, fomos aperfeiçoando e investindo. Hoje temos o apoio do município, da Seaf, da Empaer, que sempre nos apoiou muito. Todos estão empenhados junto com a gente. Agora nós queremos conquistar o selo. Já temos o Selo de Inspeção Municipal, mas queremos avançar mais e alcançar outras regiões”, relatou seu Ciro.

Modernização produtiva e agregação de valor

Durante visita técnica à propriedade, representantes da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), da Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf) e equipes de extensão rural de Livramento e Santo Antônio de Leverger acompanharam de perto a estrutura produtiva e a evolução do processo de fabricação das tradicionais rapaduras de cana-de-açúcar.

A transformação é visível. O que antes era moagem rudimentar passou por modernização tecnológica, elevando a eficiência e a qualidade dos produtos.

Atualmente, cerca de 7,5 toneladas de cana são processadas mensalmente. A matéria-prima dá origem a rapaduras em diferentes versões — da tradicional a combinações com bocaiuva e café — estratégia que amplia o valor agregado e diversifica o público consumidor.

Mesmo com uma equipe de aproximadamente 15 trabalhadores, a escassez de mão de obra permanece como desafio constante para a atividade.

“Aqui não tem dia nem hora. A gente atende à noite, passa gente o dia todo na estrada. O que tiver, a gente vende. Eu tenho orgulho de, junto com minha família, fazer parte da agricultura familiar”, afirmou o produtor.

Assistência técnica como motor de transformação

O avanço na qualidade e no aproveitamento da produção está diretamente ligado à capacitação técnica promovida pela Empaer. Cursos voltados ao processamento de derivados da cana redefiniram a eficiência operacional da agroindústria.

“A nossa produção começou com o apoio da Empaer, onde fizemos curso para produção de derivados de cana. A partir de então melhoramos muito. A gente desperdiçava muita cana, muito caldo, mas depois desse curso passamos a aproveitar mais. O apoio do Governo do Estado ajuda a gente a crescer. Sem apoio, não vai. Isso é fundamental”, destacou seu Ciro.

Próximo passo: certificação e novos mercados

Com a produção consolidada e em expansão, a família se prepara para um novo avanço estratégico: a obtenção do Selo de Inspeção da Agricultura de Pequeno Porte (Siapp). A certificação permitirá ampliar a comercialização e acessar mercados mais amplos, fortalecendo a presença dos produtos livramentenses além das fronteiras regionais.

“Essa visita foi muito importante, porque estamos em busca do Selo, e tenho certeza que com ele vamos produzir e vender muito mais”, afirmou o produtor.

Agroindústrias familiares em expansão no Estado

Dados da coordenadoria responsável pelo Serviço de Inspeção Agroindustrial de Pequeno Porte indicam que Mato Grosso possui atualmente 40 agroindústrias de pequeno porte formalizadas e em operação dentro do sistema de inspeção sanitária. O número evidencia o crescimento da regularização e o fortalecimento do segmento, impulsionado por políticas públicas de apoio técnico e incentivo à produção familiar.

No caso da família Moraes, a tradição permanece como base — mas agora aliada à qualificação, à inovação e à busca por novos horizontes comerciais.

( Com Vânia Neves |Seaf –  Empaer )