A teologia unicista (ou modalista), que defende que Deus é uma única pessoa que se manifesta de diferentes formas (Pai na criação, Filho na redenção, Espírito Santo na santificação), interpreta João 17:5 ("...glorifica-me... com a glória que eu tinha contigo antes que o mundo existisse") focando na distinção entre a natureza divina e a natureza humana de Jesus, e não em duas pessoas distintas.
Os principais argumentos unicistas para esta passagem são:
- A Preexistência no Plano de Deus (Preexistência Ideal): Unicistas argumentam que Jesus, como homem, não existia antes da fundação do mundo, mas o plano, a Palavra (Logos) e a glória de Deus Pai existiam. Jesus não existia como uma "segunda pessoa" ao lado do Pai, mas a glória que o Filho encarnado agora pede é a mesma glória que Deus (que é Espírito) sempre teve.
- O Esvaziamento (Kenosis): Baseado em Filipenses 2:6-8, o unicismo interpreta que o Pai (divindade plena) se encarnou, limitando-se no corpo de Jesus. Em João 17:5, o Jesus homem/filho está pedindo que sua humanidade seja glorificada e reunida com a plenitude da divindade (o Pai) que ele sempre teve em espírito.
- A Glória da "Palavra que estava com Deus": O versículo diz que Jesus tinha glória "contigo" (para soi - com você). Unicistas argumentam que, sendo Deus um só, "contigo" refere-se ao plano de Deus, onde o Logos (a Palavra) estava com Deus (o Pai), sendo ambos a mesma pessoa, tal como um homem está com o seu próprio pensamento.
- A Humanidade Pedindo ao Espírito: Como a oração é do Jesus humano (filho) ao Deus Pai (divindade), os unicistas argumentam que isso demonstra a submissão de Jesus na sua natureza humana, não a existência de uma segunda pessoa divina conversando com uma primeira.
Em resumo: Para o unicismo, João 17:5 prova que Jesus, ao final de sua missão na terra, pede que o seu corpo humano seja revestido da glória eterna que a divindade (o Pai) sempre possuiu antes da criação.
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