12 de junho de 2024

 Qual o futuro do turismo no Brasil?

José Osório Naves *


Gigante pela própria natureza com encantos mil, verdes matas e 8.500Km de praias atlânticas incríveis sob as luzes do sol tropical, o Brasil deveria ser líder no receptivo turístico internacional. 

Mas não o é.   

Infelizmente o país enfrenta um alarmante declínio em sua posição na avaliação global do turismo devido a uma série de desafios estruturais e políticos. Na avaliação de organismos internacionais como a OMT e TTCI, as previsões mais realistas o mostram despencando no ranking mundial, ocupando o 52° lugar entre 133 nações e o 5° na América do Sul, num rol de 13 vizinhos.    

Medidas urgentes são necessárias, como investimentos robustos em infraestrutura, segurança e sustentabilidade, fatores cruciais para atrair turistas internacionais. Além disso é imperativo o interesse político renovado com parcerias público-privadas e coordenado para promover o turismo como uma prioridade nacional.

Os números apresentados pela Embratur e o Ministério do Turismo, muitas vezes não são confiáveis. Na verdade, os mais aceitáveis são do Banco Central, pelo controle dos gastos de estrangeiros no país.

Para o baixo desempenho brasileiro na captação de visitantes de outros continentes, um dos mais cruéis gargalos não são a distância continental, altos custos, violência ou a má qualidade dos serviços turísticos. O que mais afeta sua imagem é a carência de informações sobre o país, especialmente na Europa onde as poucas notícias o destacando são negativas e as nossas peças promocionais muitas vezes equivocadas sobre as informações que transmitem para públicos reservados entre 4 paredes de workshops.

Turismo não se faz por propaganda, mas pelo despertar do interesse das pessoas em conhecer lugares que lhes aticem curiosidades positivas.

           Prova disso é que, quando uma celebridade mundial chega ao Brasil, pelo Rio de Janeiro, marca em sua agenda, em primeiro lugar, conhecer a miséria das favelas, só depois se interessa pelo Cristo Redentor e as belas e famosas praias do mais importante portão de entrada nacional. É fruto da informação que recebem.


Uma contabilidade díspar

 

A contabilidade turística brasileira começou em 1966 com a criação da Embratur. Nessa época havia 400 milhões de pessoas vagando pelo mundo e recebíamos 2.000 milhões de visitantes estrangeiros.  70 anos depois, atingiu o patamar de 6 milhões e 500 mil turistas de um contingente de 1 bilhão e 5oo milhões de viajantes circulando ao redor do planeta. 


Índice de classificação


Na classificação do Índice de Competitividade e Viagens e Turismo (TTCI – sigla em inglês), em 2019, mesura os fatores preponderantes à consolidação dos negócios de turismo de cada país e o Brasil alcançou o 52° lugar mundial, sendo o 6° colocado nos países da América Latina e 4° na América do Sul. O relatório também aponta que as principais deficiências do setor turístico brasileiro estão a competitividade de seus preços (91° lugar), na infraestrutura de transporte terrestres (110° lugar) e na segurança púbica (128° lugar) entre 133 países avaliados. Muito pouco mudou de lá para cá.

Quem mais nos manda turistas

A partir de 2023, com a retomada da atividade global do turismo, o país voltou à normalidade e alcançou pouco mais da metade do índice de visitações anterior, antes da pandemia, recebendo 3.914.583 turistas, segundo dados do BC. A cidade mais procurada pelo turista internacional é São Paulo, para o turismo de negócios. Em seguida vem o Rio de Janeiro e depois Fortaleza pelas praias famosas, Foz do Iguaçu e Amazonia pelo turismo natureza.

  Uma notícia positiva é que o Brasil, de acordo com a International Congress & Convention Association (ICCA), ocupa o primeiro lugar entre os países latino-americanos que mais recebem eventos intencionais. É o segundo do continente Americano e 7° do mundo, depois de Estados Unidos, Alemanha, Espanha, França, Reino Unido e Itália.

Países  mais emissivos

Dos 3.914.000 turistas internacionais contabilizados no Brasil em 2023 a ordem dos países emissivos é:

Argentina –    1.332.240.                 *  França        -    187.550

Estados Unidos –      668.478.                 *   Portugal      –  182.463

Chile –                   458.576.                 *    Alemanha -    158.582

Paraguai –       424.460.                *    Itália -               129,823

Uruguai –       334.703.                 *   Japão          –       47.123

Nessa contabilidade são:             2.449,979      Sul-Americanos

             668.428     Norte Americanos

              656.490     Europeus

Os males da desinformação

O melhor exemplo da desinformação ocorreu com a isenção do visto diplomático aos maiores países emissivos, como Estados Unidos, Canadá e Japão. A benesse não aumentou um só visitante. Por quê? Porque não houve campanhas informativas sobre o fato nos países agraciados.


Por falta dessa mesma carência de informações os argentinos, os que nos manda mais de 50% de todo o receptivo internacional, se concentram nas praias do sul, Rio Grande do Sul e Santa Cataria, porque nunca lhes foi informado que o país possui 8.500kms de lindas praias atlânticas, com a rodovia BR 101, asfaltada e com via dupla, que vai do RGS ao Rio Grande do Norte passando por paradisíacas paisagens tropicais.


Os Estado Unidos, dos pouco mais de 600.000 que nos mandam, 50% vão para a Amazônia, para turismo ecológico, porque não lhes foi transmitida a informação que o país tem mais de mil lindas atrações urbanas ao sul.


Infelizmente a retomada de nosso receptivo alcançou pouco mais de 50% de turistas que antes nos visitavam até o lockdown, que já dista 2 anos. Será muito difícil alcançar a patamar anterior, pois não temos uma política inteligente promocional que muitas vezes é feita, quando o é, de forma ineficiente e errática na direção mercadológica, buscando países de continentes distantes e de pouco interesse em nos conhecer.

O melhor visitante é o vizinho, especialmente pela curta distância. No entanto o preconceito brasileiro contra seus parceiros sul-americanos é evidente e despreza o mercado com promoções e informações, mesmo sabendo que é dessa região que o Brasil recebe 70% de todo o receptivo internacional, de forma espontânea.     


 Função estruturante 

  Para mudar esse conceito, especialmente na reconstrução da política de marketing funcional para a amostragem ao mundo, falta-se cumprir a principal função estruturante atribuída ao Ministério do Turismo (MTur), como sustentabilidade ao setor, investimentos e incentivo ao desenvolvimento e o estabelecimento de ações voltadas às práticas inclusivas na atividade. Uma delas é o Mapeamento de Atrativos, Empreendimentos, Produtos e Serviços turísticos acessíveis. O material consiste em um documento técnico que tenha como objetivo apresentar um rol de informações sobre produtos e serviços turísticos disponíveis no mercado brasileiro. Esse Mapeamento é um trabalho realizado em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – UNESCO. O material também tem o dever de focalizar conceitos sobre acessibilidade e mobilidade, abordando o que é turismo acessível, suas barreiras, critérios de caracterização de acessibilidade, orientações gerais e específicas, entre outros temas.    

O produto turístico brasileiro caracteriza-se por oferecer tanto ao turista doméstico, como estrangeiro uma diversificada gama de opções, com destaque aos atrativos naturais, aventura e histórico-cultural. Ao Norte e Nordeste a Amazônia e as lindas praias do litoral atlântico mostram a diversidade de atrativos turísticos e as florestas vistas como “pulmão do mundo”. Há grande interesse pelas cidades históricas de Minas Gerais, as praias do Rio de Janeiro e os negócios em São Paulo dividem o interesse no Sudeste.  O centro-oeste mostra sua pujança econômica na área dos agronegócios e, ao sul, o Paraná com a Foz do Iguaçu, os pampas e climas frios gaúchos, as praias de Santa Catarina são os pontos mais procurados. 

Gargalos mais recorrentes 

impeditivos ao receptivo internacional no Brasil:


1 – Desinformação e política de marketing e mercadológica erráticos com pouca informação e a procura de marcados de continentes distantes. Falta de conectividade digital, mesmo ante o domínio da Internet e a Inteligência Artificial na comercialização com a definição de novos produtos a partir de vocações naturais, históricas e culturais do país.


2 - Política de Estado – O Estado brasileiro se omite em assumir a consolidação de uma política de turismo como plataforma única e centralizada, elegendo o setor prioritário como fator econômico e social. Falta a execução de um Plano Nacional de Turismo. O último PNT elaborado pelo Ministério do Turismo foi o de 2018/2022, do qual uma vírgula sequer foi movida do papel.


3 – Incentivos e investimentos – Carência de projetos urbanos e falta de incentivos, investimentos e vontade política à atividade. Há que se investir na sustentabilidade na infraestrutura como estradas, segurança pública e equipamentos urbanos mais necessários. Isso além de incentivos fiscais e linhas de crédito para o setor privado para estimular investimentos em hotéis, restaurantes e serviços turísticos.


4 – Falta de parceria estrutural público-privada na busca da captação turística internacional. Cada setor puxando para lado oposto não se chega a lugar nenhum. Carece de um mais sério e profissional exercício de políticas estratégicas de informação sobre a imagem negativa do Brasil no Exterior. 


5 – Malha aérea – Serviços de aviação deficitários em número e voos, má conservação de aeroportos, combustíveis e estacionamento muito caros. O setor é deficitário e carente, o que tem lavado inclusive a falência do setor aéreo nacional, sendo um dos raros países sul-americanos que não tem uma empresa própria de aviação. 


6 -Portos sem infraestrutura – Faltam terminais turísticos confortáveis e adequados nos portos brasileiros. A atual estrutura é mais voltada ao transporte de cargas. Além de uma legislação portuária que data de 1914. Devido à má qualidade no receptivo portuário os cruzeiros marítimos internacionais evitam encorar na costa brasileira.


7 – Infraestrutura precária - Má conservação e manutenção de monumentos e logradouros turísticos. E carência de mobilidade, especialmente ao que se refere a transporte coletivo urbano adequado ao turismo. Dificuldade em acessibilidade para deficientes como calçadas, rampas e sinalizações sonoras aos deficientes visuais.


8 – Má qualificação de serviços – Mão de obra de baixa qualidade dos agentes e prestadores de serviços turísticos, especialmente em bares e restaurantes. Isso acontece também com relação aos guias turísticos, monoglotas e sem conhecimentos mais profundo das atrações apresentadas aos visitantes. 


9 – Violência urbana – A recorrente e incontrolável violência nas principais cidades turísticas. Carência de polícia especializada na segurança dos turistas.


10 – Consciência coletiva – Ausência de empatia comunitária à atividade turística, como fator social e econômico. Isso além da mentalidade comercial inadequada com alteração de preços nas altas temporadas, o que espanta os visitantes.


11 – Sinalização ineficiente – A sinalização indicadora de ruas e logradouros é monoglota. Faltam folhetos explicativos e orientadores sobre os locais procurados, quer histórico, natural, cultural ou urbano.


12 - Parques ecológicos largados – Dos 74 parques ecológicos classificados são deficientes em guias especializados, com trilhas mal traçadas, deficiência em áreas para camping e pousadas. Apenas 4 contam com estrutura apropriada.


13 – Foco mercadológico errático – Dar foco especial aos mercados vizinhos, ao contrário de buscar visitantes de outros continentes. Devido ao preconceito sul-americano há um descaso profissional-informativo com o mercado da América do Sul, ignorando que são os países de nosso continente os que mais nos mandam visitantes. 


14– Conta Satélite do Turismo – Pensada na primeira gestão do Ministério do Turismo, em 2003, a Conta Satélite do Turismo foi um projeto esquecido como instrumento estatístico idealizado para gerar informações sobre o desempenho do turismo na economia, com finalidade de mensurar tudo o que é produzido e consumido pela atividade turística.


15 – Revitalização do Ministério do Turismo. O MTur é o de orçamento mais minguado da Esplanada dos Ministérios. A pasta é geralmente negociada em trocas políticas, sem maiores compromissos com o setor especificamente.




José Osório Naves

o Jornalista 

o Coordenador Geral da Câmara Temática de Marketing e Comercialização do Conselho Nacional do Turismo. 

o Diretor de Comunicação da CNTur

Qual o futuro do turismo no Brasil?

José Osório Naves *


Gigante pela própria natureza com encantos mil, verdes matas e 8.500Km de praias atlânticas incríveis sob as luzes do sol tropical, o Brasil deveria ser líder no receptivo turístico internacional. 

Mas não o é.   

Infelizmente o país enfrenta um alarmante declínio em sua posição na avaliação global do turismo devido a uma série de desafios estruturais e políticos. Na avaliação de organismos internacionais como a OMT e TTCI, as previsões mais realistas o mostram despencando no ranking mundial, ocupando o 52° lugar entre 133 nações e o 5° na América do Sul, num rol de 13 vizinhos.    

Medidas urgentes são necessárias, como investimentos robustos em infraestrutura, segurança e sustentabilidade, fatores cruciais para atrair turistas internacionais. Além disso é imperativo o interesse político renovado com parcerias público-privadas e coordenado para promover o turismo como uma prioridade nacional.

Os números apresentados pela Embratur e o Ministério do Turismo, muitas vezes não são confiáveis. Na verdade, os mais aceitáveis são do Banco Central, pelo controle dos gastos de estrangeiros no país.

Para o baixo desempenho brasileiro na captação de visitantes de outros continentes, um dos mais cruéis gargalos não são a distância continental, altos custos, violência ou a má qualidade dos serviços turísticos. O que mais afeta sua imagem é a carência de informações sobre o país, especialmente na Europa onde as poucas notícias o destacando são negativas e as nossas peças promocionais muitas vezes equivocadas sobre as informações que transmitem para públicos reservados entre 4 paredes de workshops.

Turismo não se faz por propaganda, mas pelo despertar do interesse das pessoas em conhecer lugares que lhes aticem curiosidades positivas.

           Prova disso é que, quando uma celebridade mundial chega ao Brasil, pelo Rio de Janeiro, marca em sua agenda, em primeiro lugar, conhecer a miséria das favelas, só depois se interessa pelo Cristo Redentor e as belas e famosas praias do mais importante portão de entrada nacional. É fruto da informação que recebem.


Uma contabilidade díspar

 

A contabilidade turística brasileira começou em 1966 com a criação da Embratur. Nessa época havia 400 milhões de pessoas vagando pelo mundo e recebíamos 2.000 milhões de visitantes estrangeiros.  70 anos depois, atingiu o patamar de 6 milhões e 500 mil turistas de um contingente de 1 bilhão e 5oo milhões de viajantes circulando ao redor do planeta. 


Índice de classificação


Na classificação do Índice de Competitividade e Viagens e Turismo (TTCI – sigla em inglês), em 2019, mesura os fatores preponderantes à consolidação dos negócios de turismo de cada país e o Brasil alcançou o 52° lugar mundial, sendo o 6° colocado nos países da América Latina e 4° na América do Sul. O relatório também aponta que as principais deficiências do setor turístico brasileiro estão a competitividade de seus preços (91° lugar), na infraestrutura de transporte terrestres (110° lugar) e na segurança púbica (128° lugar) entre 133 países avaliados. Muito pouco mudou de lá para cá.

Quem mais nos manda turistas

A partir de 2023, com a retomada da atividade global do turismo, o país voltou à normalidade e alcançou pouco mais da metade do índice de visitações anterior, antes da pandemia, recebendo 3.914.583 turistas, segundo dados do BC. A cidade mais procurada pelo turista internacional é São Paulo, para o turismo de negócios. Em seguida vem o Rio de Janeiro e depois Fortaleza pelas praias famosas, Foz do Iguaçu e Amazonia pelo turismo natureza.

  Uma notícia positiva é que o Brasil, de acordo com a International Congress & Convention Association (ICCA), ocupa o primeiro lugar entre os países latino-americanos que mais recebem eventos intencionais. É o segundo do continente Americano e 7° do mundo, depois de Estados Unidos, Alemanha, Espanha, França, Reino Unido e Itália.

Países  mais emissivos

Dos 3.914.000 turistas internacionais contabilizados no Brasil em 2023 a ordem dos países emissivos é:

Argentina –    1.332.240.                 *  França        -    187.550

Estados Unidos –      668.478.                 *   Portugal      –  182.463

Chile –                   458.576.                 *    Alemanha -    158.582

Paraguai –       424.460.                *    Itália -               129,823

Uruguai –       334.703.                 *   Japão          –       47.123

Nessa contabilidade são:             2.449,979      Sul-Americanos

             668.428     Norte Americanos

              656.490     Europeus

Os males da desinformação

O melhor exemplo da desinformação ocorreu com a isenção do visto diplomático aos maiores países emissivos, como Estados Unidos, Canadá e Japão. A benesse não aumentou um só visitante. Por quê? Porque não houve campanhas informativas sobre o fato nos países agraciados.


Por falta dessa mesma carência de informações os argentinos, os que nos manda mais de 50% de todo o receptivo internacional, se concentram nas praias do sul, Rio Grande do Sul e Santa Cataria, porque nunca lhes foi informado que o país possui 8.500kms de lindas praias atlânticas, com a rodovia BR 101, asfaltada e com via dupla, que vai do RGS ao Rio Grande do Norte passando por paradisíacas paisagens tropicais.


Os Estado Unidos, dos pouco mais de 600.000 que nos mandam, 50% vão para a Amazônia, para turismo ecológico, porque não lhes foi transmitida a informação que o país tem mais de mil lindas atrações urbanas ao sul.


Infelizmente a retomada de nosso receptivo alcançou pouco mais de 50% de turistas que antes nos visitavam até o lockdown, que já dista 2 anos. Será muito difícil alcançar a patamar anterior, pois não temos uma política inteligente promocional que muitas vezes é feita, quando o é, de forma ineficiente e errática na direção mercadológica, buscando países de continentes distantes e de pouco interesse em nos conhecer.

O melhor visitante é o vizinho, especialmente pela curta distância. No entanto o preconceito brasileiro contra seus parceiros sul-americanos é evidente e despreza o mercado com promoções e informações, mesmo sabendo que é dessa região que o Brasil recebe 70% de todo o receptivo internacional, de forma espontânea.     


 Função estruturante 

  Para mudar esse conceito, especialmente na reconstrução da política de marketing funcional para a amostragem ao mundo, falta-se cumprir a principal função estruturante atribuída ao Ministério do Turismo (MTur), como sustentabilidade ao setor, investimentos e incentivo ao desenvolvimento e o estabelecimento de ações voltadas às práticas inclusivas na atividade. Uma delas é o Mapeamento de Atrativos, Empreendimentos, Produtos e Serviços turísticos acessíveis. O material consiste em um documento técnico que tenha como objetivo apresentar um rol de informações sobre produtos e serviços turísticos disponíveis no mercado brasileiro. Esse Mapeamento é um trabalho realizado em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – UNESCO. O material também tem o dever de focalizar conceitos sobre acessibilidade e mobilidade, abordando o que é turismo acessível, suas barreiras, critérios de caracterização de acessibilidade, orientações gerais e específicas, entre outros temas.    

O produto turístico brasileiro caracteriza-se por oferecer tanto ao turista doméstico, como estrangeiro uma diversificada gama de opções, com destaque aos atrativos naturais, aventura e histórico-cultural. Ao Norte e Nordeste a Amazônia e as lindas praias do litoral atlântico mostram a diversidade de atrativos turísticos e as florestas vistas como “pulmão do mundo”. Há grande interesse pelas cidades históricas de Minas Gerais, as praias do Rio de Janeiro e os negócios em São Paulo dividem o interesse no Sudeste.  O centro-oeste mostra sua pujança econômica na área dos agronegócios e, ao sul, o Paraná com a Foz do Iguaçu, os pampas e climas frios gaúchos, as praias de Santa Catarina são os pontos mais procurados. 

Gargalos mais recorrentes 

impeditivos ao receptivo internacional no Brasil:


1 – Desinformação e política de marketing e mercadológica erráticos com pouca informação e a procura de marcados de continentes distantes. Falta de conectividade digital, mesmo ante o domínio da Internet e a Inteligência Artificial na comercialização com a definição de novos produtos a partir de vocações naturais, históricas e culturais do país.


2 - Política de Estado – O Estado brasileiro se omite em assumir a consolidação de uma política de turismo como plataforma única e centralizada, elegendo o setor prioritário como fator econômico e social. Falta a execução de um Plano Nacional de Turismo. O último PNT elaborado pelo Ministério do Turismo foi o de 2018/2022, do qual uma vírgula sequer foi movida do papel.


3 – Incentivos e investimentos – Carência de projetos urbanos e falta de incentivos, investimentos e vontade política à atividade. Há que se investir na sustentabilidade na infraestrutura como estradas, segurança pública e equipamentos urbanos mais necessários. Isso além de incentivos fiscais e linhas de crédito para o setor privado para estimular investimentos em hotéis, restaurantes e serviços turísticos.


4 – Falta de parceria estrutural público-privada na busca da captação turística internacional. Cada setor puxando para lado oposto não se chega a lugar nenhum. Carece de um mais sério e profissional exercício de políticas estratégicas de informação sobre a imagem negativa do Brasil no Exterior. 


5 – Malha aérea – Serviços de aviação deficitários em número e voos, má conservação de aeroportos, combustíveis e estacionamento muito caros. O setor é deficitário e carente, o que tem lavado inclusive a falência do setor aéreo nacional, sendo um dos raros países sul-americanos que não tem uma empresa própria de aviação. 


6 -Portos sem infraestrutura – Faltam terminais turísticos confortáveis e adequados nos portos brasileiros. A atual estrutura é mais voltada ao transporte de cargas. Além de uma legislação portuária que data de 1914. Devido à má qualidade no receptivo portuário os cruzeiros marítimos internacionais evitam encorar na costa brasileira.


7 – Infraestrutura precária - Má conservação e manutenção de monumentos e logradouros turísticos. E carência de mobilidade, especialmente ao que se refere a transporte coletivo urbano adequado ao turismo. Dificuldade em acessibilidade para deficientes como calçadas, rampas e sinalizações sonoras aos deficientes visuais.


8 – Má qualificação de serviços – Mão de obra de baixa qualidade dos agentes e prestadores de serviços turísticos, especialmente em bares e restaurantes. Isso acontece também com relação aos guias turísticos, monoglotas e sem conhecimentos mais profundo das atrações apresentadas aos visitantes. 


9 – Violência urbana – A recorrente e incontrolável violência nas principais cidades turísticas. Carência de polícia especializada na segurança dos turistas.


10 – Consciência coletiva – Ausência de empatia comunitária à atividade turística, como fator social e econômico. Isso além da mentalidade comercial inadequada com alteração de preços nas altas temporadas, o que espanta os visitantes.


11 – Sinalização ineficiente – A sinalização indicadora de ruas e logradouros é monoglota. Faltam folhetos explicativos e orientadores sobre os locais procurados, quer histórico, natural, cultural ou urbano.


12 - Parques ecológicos largados – Dos 74 parques ecológicos classificados são deficientes em guias especializados, com trilhas mal traçadas, deficiência em áreas para camping e pousadas. Apenas 4 contam com estrutura apropriada.


13 – Foco mercadológico errático – Dar foco especial aos mercados vizinhos, ao contrário de buscar visitantes de outros continentes. Devido ao preconceito sul-americano há um descaso profissional-informativo com o mercado da América do Sul, ignorando que são os países de nosso continente os que mais nos mandam visitantes. 


14– Conta Satélite do Turismo – Pensada na primeira gestão do Ministério do Turismo, em 2003, a Conta Satélite do Turismo foi um projeto esquecido como instrumento estatístico idealizado para gerar informações sobre o desempenho do turismo na economia, com finalidade de mensurar tudo o que é produzido e consumido pela atividade turística.


15 – Revitalização do Ministério do Turismo. O MTur é o de orçamento mais minguado da Esplanada dos Ministérios. A pasta é geralmente negociada em trocas políticas, sem maiores compromissos com o setor especificamente.




José Osório Naves

o Jornalista 

o Coordenador Geral da Câmara Temática de Marketing e Comercialização do Conselho Nacional do Turismo. 

o Diretor de Comunicação da CNTur

Qual o futuro do turismo no Brasil?

José Osório Naves *


Gigante pela própria natureza com encantos mil, verdes matas e 8.500Km de praias atlânticas incríveis sob as luzes do sol tropical, o Brasil deveria ser líder no receptivo turístico internacional. 

Mas não o é.   

Infelizmente o país enfrenta um alarmante declínio em sua posição na avaliação global do turismo devido a uma série de desafios estruturais e políticos. Na avaliação de organismos internacionais como a OMT e TTCI, as previsões mais realistas o mostram despencando no ranking mundial, ocupando o 52° lugar entre 133 nações e o 5° na América do Sul, num rol de 13 vizinhos.    

Medidas urgentes são necessárias, como investimentos robustos em infraestrutura, segurança e sustentabilidade, fatores cruciais para atrair turistas internacionais. Além disso é imperativo o interesse político renovado com parcerias público-privadas e coordenado para promover o turismo como uma prioridade nacional.

Os números apresentados pela Embratur e o Ministério do Turismo, muitas vezes não são confiáveis. Na verdade, os mais aceitáveis são do Banco Central, pelo controle dos gastos de estrangeiros no país.

Para o baixo desempenho brasileiro na captação de visitantes de outros continentes, um dos mais cruéis gargalos não são a distância continental, altos custos, violência ou a má qualidade dos serviços turísticos. O que mais afeta sua imagem é a carência de informações sobre o país, especialmente na Europa onde as poucas notícias o destacando são negativas e as nossas peças promocionais muitas vezes equivocadas sobre as informações que transmitem para públicos reservados entre 4 paredes de workshops.

Turismo não se faz por propaganda, mas pelo despertar do interesse das pessoas em conhecer lugares que lhes aticem curiosidades positivas.

           Prova disso é que, quando uma celebridade mundial chega ao Brasil, pelo Rio de Janeiro, marca em sua agenda, em primeiro lugar, conhecer a miséria das favelas, só depois se interessa pelo Cristo Redentor e as belas e famosas praias do mais importante portão de entrada nacional. É fruto da informação que recebem.


Uma contabilidade díspar

 

A contabilidade turística brasileira começou em 1966 com a criação da Embratur. Nessa época havia 400 milhões de pessoas vagando pelo mundo e recebíamos 2.000 milhões de visitantes estrangeiros.  70 anos depois, atingiu o patamar de 6 milhões e 500 mil turistas de um contingente de 1 bilhão e 5oo milhões de viajantes circulando ao redor do planeta. 


Índice de classificação


Na classificação do Índice de Competitividade e Viagens e Turismo (TTCI – sigla em inglês), em 2019, mesura os fatores preponderantes à consolidação dos negócios de turismo de cada país e o Brasil alcançou o 52° lugar mundial, sendo o 6° colocado nos países da América Latina e 4° na América do Sul. O relatório também aponta que as principais deficiências do setor turístico brasileiro estão a competitividade de seus preços (91° lugar), na infraestrutura de transporte terrestres (110° lugar) e na segurança púbica (128° lugar) entre 133 países avaliados. Muito pouco mudou de lá para cá.

Quem mais nos manda turistas

A partir de 2023, com a retomada da atividade global do turismo, o país voltou à normalidade e alcançou pouco mais da metade do índice de visitações anterior, antes da pandemia, recebendo 3.914.583 turistas, segundo dados do BC. A cidade mais procurada pelo turista internacional é São Paulo, para o turismo de negócios. Em seguida vem o Rio de Janeiro e depois Fortaleza pelas praias famosas, Foz do Iguaçu e Amazonia pelo turismo natureza.

  Uma notícia positiva é que o Brasil, de acordo com a International Congress & Convention Association (ICCA), ocupa o primeiro lugar entre os países latino-americanos que mais recebem eventos intencionais. É o segundo do continente Americano e 7° do mundo, depois de Estados Unidos, Alemanha, Espanha, França, Reino Unido e Itália.

Países  mais emissivos

Dos 3.914.000 turistas internacionais contabilizados no Brasil em 2023 a ordem dos países emissivos é:

Argentina –    1.332.240.                 *  França        -    187.550

Estados Unidos –      668.478.                 *   Portugal      –  182.463

Chile –                   458.576.                 *    Alemanha -    158.582

Paraguai –       424.460.                *    Itália -               129,823

Uruguai –       334.703.                 *   Japão          –       47.123

Nessa contabilidade são:             2.449,979      Sul-Americanos

             668.428     Norte Americanos

              656.490     Europeus

Os males da desinformação

O melhor exemplo da desinformação ocorreu com a isenção do visto diplomático aos maiores países emissivos, como Estados Unidos, Canadá e Japão. A benesse não aumentou um só visitante. Por quê? Porque não houve campanhas informativas sobre o fato nos países agraciados.


Por falta dessa mesma carência de informações os argentinos, os que nos manda mais de 50% de todo o receptivo internacional, se concentram nas praias do sul, Rio Grande do Sul e Santa Cataria, porque nunca lhes foi informado que o país possui 8.500kms de lindas praias atlânticas, com a rodovia BR 101, asfaltada e com via dupla, que vai do RGS ao Rio Grande do Norte passando por paradisíacas paisagens tropicais.


Os Estado Unidos, dos pouco mais de 600.000 que nos mandam, 50% vão para a Amazônia, para turismo ecológico, porque não lhes foi transmitida a informação que o país tem mais de mil lindas atrações urbanas ao sul.


Infelizmente a retomada de nosso receptivo alcançou pouco mais de 50% de turistas que antes nos visitavam até o lockdown, que já dista 2 anos. Será muito difícil alcançar a patamar anterior, pois não temos uma política inteligente promocional que muitas vezes é feita, quando o é, de forma ineficiente e errática na direção mercadológica, buscando países de continentes distantes e de pouco interesse em nos conhecer.

O melhor visitante é o vizinho, especialmente pela curta distância. No entanto o preconceito brasileiro contra seus parceiros sul-americanos é evidente e despreza o mercado com promoções e informações, mesmo sabendo que é dessa região que o Brasil recebe 70% de todo o receptivo internacional, de forma espontânea.     


 Função estruturante 

  Para mudar esse conceito, especialmente na reconstrução da política de marketing funcional para a amostragem ao mundo, falta-se cumprir a principal função estruturante atribuída ao Ministério do Turismo (MTur), como sustentabilidade ao setor, investimentos e incentivo ao desenvolvimento e o estabelecimento de ações voltadas às práticas inclusivas na atividade. Uma delas é o Mapeamento de Atrativos, Empreendimentos, Produtos e Serviços turísticos acessíveis. O material consiste em um documento técnico que tenha como objetivo apresentar um rol de informações sobre produtos e serviços turísticos disponíveis no mercado brasileiro. Esse Mapeamento é um trabalho realizado em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – UNESCO. O material também tem o dever de focalizar conceitos sobre acessibilidade e mobilidade, abordando o que é turismo acessível, suas barreiras, critérios de caracterização de acessibilidade, orientações gerais e específicas, entre outros temas.    

O produto turístico brasileiro caracteriza-se por oferecer tanto ao turista doméstico, como estrangeiro uma diversificada gama de opções, com destaque aos atrativos naturais, aventura e histórico-cultural. Ao Norte e Nordeste a Amazônia e as lindas praias do litoral atlântico mostram a diversidade de atrativos turísticos e as florestas vistas como “pulmão do mundo”. Há grande interesse pelas cidades históricas de Minas Gerais, as praias do Rio de Janeiro e os negócios em São Paulo dividem o interesse no Sudeste.  O centro-oeste mostra sua pujança econômica na área dos agronegócios e, ao sul, o Paraná com a Foz do Iguaçu, os pampas e climas frios gaúchos, as praias de Santa Catarina são os pontos mais procurados. 

Gargalos mais recorrentes 

impeditivos ao receptivo internacional no Brasil:


1 – Desinformação e política de marketing e mercadológica erráticos com pouca informação e a procura de marcados de continentes distantes. Falta de conectividade digital, mesmo ante o domínio da Internet e a Inteligência Artificial na comercialização com a definição de novos produtos a partir de vocações naturais, históricas e culturais do país.


2 - Política de Estado – O Estado brasileiro se omite em assumir a consolidação de uma política de turismo como plataforma única e centralizada, elegendo o setor prioritário como fator econômico e social. Falta a execução de um Plano Nacional de Turismo. O último PNT elaborado pelo Ministério do Turismo foi o de 2018/2022, do qual uma vírgula sequer foi movida do papel.


3 – Incentivos e investimentos – Carência de projetos urbanos e falta de incentivos, investimentos e vontade política à atividade. Há que se investir na sustentabilidade na infraestrutura como estradas, segurança pública e equipamentos urbanos mais necessários. Isso além de incentivos fiscais e linhas de crédito para o setor privado para estimular investimentos em hotéis, restaurantes e serviços turísticos.


4 – Falta de parceria estrutural público-privada na busca da captação turística internacional. Cada setor puxando para lado oposto não se chega a lugar nenhum. Carece de um mais sério e profissional exercício de políticas estratégicas de informação sobre a imagem negativa do Brasil no Exterior. 


5 – Malha aérea – Serviços de aviação deficitários em número e voos, má conservação de aeroportos, combustíveis e estacionamento muito caros. O setor é deficitário e carente, o que tem lavado inclusive a falência do setor aéreo nacional, sendo um dos raros países sul-americanos que não tem uma empresa própria de aviação. 


6 -Portos sem infraestrutura – Faltam terminais turísticos confortáveis e adequados nos portos brasileiros. A atual estrutura é mais voltada ao transporte de cargas. Além de uma legislação portuária que data de 1914. Devido à má qualidade no receptivo portuário os cruzeiros marítimos internacionais evitam encorar na costa brasileira.


7 – Infraestrutura precária - Má conservação e manutenção de monumentos e logradouros turísticos. E carência de mobilidade, especialmente ao que se refere a transporte coletivo urbano adequado ao turismo. Dificuldade em acessibilidade para deficientes como calçadas, rampas e sinalizações sonoras aos deficientes visuais.


8 – Má qualificação de serviços – Mão de obra de baixa qualidade dos agentes e prestadores de serviços turísticos, especialmente em bares e restaurantes. Isso acontece também com relação aos guias turísticos, monoglotas e sem conhecimentos mais profundo das atrações apresentadas aos visitantes. 


9 – Violência urbana – A recorrente e incontrolável violência nas principais cidades turísticas. Carência de polícia especializada na segurança dos turistas.


10 – Consciência coletiva – Ausência de empatia comunitária à atividade turística, como fator social e econômico. Isso além da mentalidade comercial inadequada com alteração de preços nas altas temporadas, o que espanta os visitantes.


11 – Sinalização ineficiente – A sinalização indicadora de ruas e logradouros é monoglota. Faltam folhetos explicativos e orientadores sobre os locais procurados, quer histórico, natural, cultural ou urbano.


12 - Parques ecológicos largados – Dos 74 parques ecológicos classificados são deficientes em guias especializados, com trilhas mal traçadas, deficiência em áreas para camping e pousadas. Apenas 4 contam com estrutura apropriada.


13 – Foco mercadológico errático – Dar foco especial aos mercados vizinhos, ao contrário de buscar visitantes de outros continentes. Devido ao preconceito sul-americano há um descaso profissional-informativo com o mercado da América do Sul, ignorando que são os países de nosso continente os que mais nos mandam visitantes. 


14– Conta Satélite do Turismo – Pensada na primeira gestão do Ministério do Turismo, em 2003, a Conta Satélite do Turismo foi um projeto esquecido como instrumento estatístico idealizado para gerar informações sobre o desempenho do turismo na economia, com finalidade de mensurar tudo o que é produzido e consumido pela atividade turística.


15 – Revitalização do Ministério do Turismo. O MTur é o de orçamento mais minguado da Esplanada dos Ministérios. A pasta é geralmente negociada em trocas políticas, sem maiores compromissos com o setor especificamente.




José Osório Naves

o Jornalista 

o Coordenador Geral da Câmara Temática de Marketing e Comercialização do Conselho Nacional do Turismo. 

o Diretor de Comunicação da CNTur

Qual o futuro do turismo no Brasil?

José Osório Naves *


Gigante pela própria natureza com encantos mil, verdes matas e 8.500Km de praias atlânticas incríveis sob as luzes do sol tropical, o Brasil deveria ser líder no receptivo turístico internacional. 

Mas não o é.   

Infelizmente o país enfrenta um alarmante declínio em sua posição na avaliação global do turismo devido a uma série de desafios estruturais e políticos. Na avaliação de organismos internacionais como a OMT e TTCI, as previsões mais realistas o mostram despencando no ranking mundial, ocupando o 52° lugar entre 133 nações e o 5° na América do Sul, num rol de 13 vizinhos.    

Medidas urgentes são necessárias, como investimentos robustos em infraestrutura, segurança e sustentabilidade, fatores cruciais para atrair turistas internacionais. Além disso é imperativo o interesse político renovado com parcerias público-privadas e coordenado para promover o turismo como uma prioridade nacional.

Os números apresentados pela Embratur e o Ministério do Turismo, muitas vezes não são confiáveis. Na verdade, os mais aceitáveis são do Banco Central, pelo controle dos gastos de estrangeiros no país.

Para o baixo desempenho brasileiro na captação de visitantes de outros continentes, um dos mais cruéis gargalos não são a distância continental, altos custos, violência ou a má qualidade dos serviços turísticos. O que mais afeta sua imagem é a carência de informações sobre o país, especialmente na Europa onde as poucas notícias o destacando são negativas e as nossas peças promocionais muitas vezes equivocadas sobre as informações que transmitem para públicos reservados entre 4 paredes de workshops.

Turismo não se faz por propaganda, mas pelo despertar do interesse das pessoas em conhecer lugares que lhes aticem curiosidades positivas.

           Prova disso é que, quando uma celebridade mundial chega ao Brasil, pelo Rio de Janeiro, marca em sua agenda, em primeiro lugar, conhecer a miséria das favelas, só depois se interessa pelo Cristo Redentor e as belas e famosas praias do mais importante portão de entrada nacional. É fruto da informação que recebem.


Uma contabilidade díspar

 

A contabilidade turística brasileira começou em 1966 com a criação da Embratur. Nessa época havia 400 milhões de pessoas vagando pelo mundo e recebíamos 2.000 milhões de visitantes estrangeiros.  70 anos depois, atingiu o patamar de 6 milhões e 500 mil turistas de um contingente de 1 bilhão e 5oo milhões de viajantes circulando ao redor do planeta. 


Índice de classificação


Na classificação do Índice de Competitividade e Viagens e Turismo (TTCI – sigla em inglês), em 2019, mesura os fatores preponderantes à consolidação dos negócios de turismo de cada país e o Brasil alcançou o 52° lugar mundial, sendo o 6° colocado nos países da América Latina e 4° na América do Sul. O relatório também aponta que as principais deficiências do setor turístico brasileiro estão a competitividade de seus preços (91° lugar), na infraestrutura de transporte terrestres (110° lugar) e na segurança púbica (128° lugar) entre 133 países avaliados. Muito pouco mudou de lá para cá.

Quem mais nos manda turistas

A partir de 2023, com a retomada da atividade global do turismo, o país voltou à normalidade e alcançou pouco mais da metade do índice de visitações anterior, antes da pandemia, recebendo 3.914.583 turistas, segundo dados do BC. A cidade mais procurada pelo turista internacional é São Paulo, para o turismo de negócios. Em seguida vem o Rio de Janeiro e depois Fortaleza pelas praias famosas, Foz do Iguaçu e Amazonia pelo turismo natureza.

  Uma notícia positiva é que o Brasil, de acordo com a International Congress & Convention Association (ICCA), ocupa o primeiro lugar entre os países latino-americanos que mais recebem eventos intencionais. É o segundo do continente Americano e 7° do mundo, depois de Estados Unidos, Alemanha, Espanha, França, Reino Unido e Itália.

Países  mais emissivos

Dos 3.914.000 turistas internacionais contabilizados no Brasil em 2023 a ordem dos países emissivos é:

Argentina –    1.332.240.                 *  França        -    187.550

Estados Unidos –      668.478.                 *   Portugal      –  182.463

Chile –                   458.576.                 *    Alemanha -    158.582

Paraguai –       424.460.                *    Itália -               129,823

Uruguai –       334.703.                 *   Japão          –       47.123

Nessa contabilidade são:             2.449,979      Sul-Americanos

             668.428     Norte Americanos

              656.490     Europeus

Os males da desinformação

O melhor exemplo da desinformação ocorreu com a isenção do visto diplomático aos maiores países emissivos, como Estados Unidos, Canadá e Japão. A benesse não aumentou um só visitante. Por quê? Porque não houve campanhas informativas sobre o fato nos países agraciados.


Por falta dessa mesma carência de informações os argentinos, os que nos manda mais de 50% de todo o receptivo internacional, se concentram nas praias do sul, Rio Grande do Sul e Santa Cataria, porque nunca lhes foi informado que o país possui 8.500kms de lindas praias atlânticas, com a rodovia BR 101, asfaltada e com via dupla, que vai do RGS ao Rio Grande do Norte passando por paradisíacas paisagens tropicais.


Os Estado Unidos, dos pouco mais de 600.000 que nos mandam, 50% vão para a Amazônia, para turismo ecológico, porque não lhes foi transmitida a informação que o país tem mais de mil lindas atrações urbanas ao sul.


Infelizmente a retomada de nosso receptivo alcançou pouco mais de 50% de turistas que antes nos visitavam até o lockdown, que já dista 2 anos. Será muito difícil alcançar a patamar anterior, pois não temos uma política inteligente promocional que muitas vezes é feita, quando o é, de forma ineficiente e errática na direção mercadológica, buscando países de continentes distantes e de pouco interesse em nos conhecer.

O melhor visitante é o vizinho, especialmente pela curta distância. No entanto o preconceito brasileiro contra seus parceiros sul-americanos é evidente e despreza o mercado com promoções e informações, mesmo sabendo que é dessa região que o Brasil recebe 70% de todo o receptivo internacional, de forma espontânea.     


 Função estruturante 

  Para mudar esse conceito, especialmente na reconstrução da política de marketing funcional para a amostragem ao mundo, falta-se cumprir a principal função estruturante atribuída ao Ministério do Turismo (MTur), como sustentabilidade ao setor, investimentos e incentivo ao desenvolvimento e o estabelecimento de ações voltadas às práticas inclusivas na atividade. Uma delas é o Mapeamento de Atrativos, Empreendimentos, Produtos e Serviços turísticos acessíveis. O material consiste em um documento técnico que tenha como objetivo apresentar um rol de informações sobre produtos e serviços turísticos disponíveis no mercado brasileiro. Esse Mapeamento é um trabalho realizado em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – UNESCO. O material também tem o dever de focalizar conceitos sobre acessibilidade e mobilidade, abordando o que é turismo acessível, suas barreiras, critérios de caracterização de acessibilidade, orientações gerais e específicas, entre outros temas.    

O produto turístico brasileiro caracteriza-se por oferecer tanto ao turista doméstico, como estrangeiro uma diversificada gama de opções, com destaque aos atrativos naturais, aventura e histórico-cultural. Ao Norte e Nordeste a Amazônia e as lindas praias do litoral atlântico mostram a diversidade de atrativos turísticos e as florestas vistas como “pulmão do mundo”. Há grande interesse pelas cidades históricas de Minas Gerais, as praias do Rio de Janeiro e os negócios em São Paulo dividem o interesse no Sudeste.  O centro-oeste mostra sua pujança econômica na área dos agronegócios e, ao sul, o Paraná com a Foz do Iguaçu, os pampas e climas frios gaúchos, as praias de Santa Catarina são os pontos mais procurados. 

Gargalos mais recorrentes 

impeditivos ao receptivo internacional no Brasil:


1 – Desinformação e política de marketing e mercadológica erráticos com pouca informação e a procura de marcados de continentes distantes. Falta de conectividade digital, mesmo ante o domínio da Internet e a Inteligência Artificial na comercialização com a definição de novos produtos a partir de vocações naturais, históricas e culturais do país.


2 - Política de Estado – O Estado brasileiro se omite em assumir a consolidação de uma política de turismo como plataforma única e centralizada, elegendo o setor prioritário como fator econômico e social. Falta a execução de um Plano Nacional de Turismo. O último PNT elaborado pelo Ministério do Turismo foi o de 2018/2022, do qual uma vírgula sequer foi movida do papel.


3 – Incentivos e investimentos – Carência de projetos urbanos e falta de incentivos, investimentos e vontade política à atividade. Há que se investir na sustentabilidade na infraestrutura como estradas, segurança pública e equipamentos urbanos mais necessários. Isso além de incentivos fiscais e linhas de crédito para o setor privado para estimular investimentos em hotéis, restaurantes e serviços turísticos.


4 – Falta de parceria estrutural público-privada na busca da captação turística internacional. Cada setor puxando para lado oposto não se chega a lugar nenhum. Carece de um mais sério e profissional exercício de políticas estratégicas de informação sobre a imagem negativa do Brasil no Exterior. 


5 – Malha aérea – Serviços de aviação deficitários em número e voos, má conservação de aeroportos, combustíveis e estacionamento muito caros. O setor é deficitário e carente, o que tem lavado inclusive a falência do setor aéreo nacional, sendo um dos raros países sul-americanos que não tem uma empresa própria de aviação. 


6 -Portos sem infraestrutura – Faltam terminais turísticos confortáveis e adequados nos portos brasileiros. A atual estrutura é mais voltada ao transporte de cargas. Além de uma legislação portuária que data de 1914. Devido à má qualidade no receptivo portuário os cruzeiros marítimos internacionais evitam encorar na costa brasileira.


7 – Infraestrutura precária - Má conservação e manutenção de monumentos e logradouros turísticos. E carência de mobilidade, especialmente ao que se refere a transporte coletivo urbano adequado ao turismo. Dificuldade em acessibilidade para deficientes como calçadas, rampas e sinalizações sonoras aos deficientes visuais.


8 – Má qualificação de serviços – Mão de obra de baixa qualidade dos agentes e prestadores de serviços turísticos, especialmente em bares e restaurantes. Isso acontece também com relação aos guias turísticos, monoglotas e sem conhecimentos mais profundo das atrações apresentadas aos visitantes. 


9 – Violência urbana – A recorrente e incontrolável violência nas principais cidades turísticas. Carência de polícia especializada na segurança dos turistas.


10 – Consciência coletiva – Ausência de empatia comunitária à atividade turística, como fator social e econômico. Isso além da mentalidade comercial inadequada com alteração de preços nas altas temporadas, o que espanta os visitantes.


11 – Sinalização ineficiente – A sinalização indicadora de ruas e logradouros é monoglota. Faltam folhetos explicativos e orientadores sobre os locais procurados, quer histórico, natural, cultural ou urbano.


12 - Parques ecológicos largados – Dos 74 parques ecológicos classificados são deficientes em guias especializados, com trilhas mal traçadas, deficiência em áreas para camping e pousadas. Apenas 4 contam com estrutura apropriada.


13 – Foco mercadológico errático – Dar foco especial aos mercados vizinhos, ao contrário de buscar visitantes de outros continentes. Devido ao preconceito sul-americano há um descaso profissional-informativo com o mercado da América do Sul, ignorando que são os países de nosso continente os que mais nos mandam visitantes. 


14– Conta Satélite do Turismo – Pensada na primeira gestão do Ministério do Turismo, em 2003, a Conta Satélite do Turismo foi um projeto esquecido como instrumento estatístico idealizado para gerar informações sobre o desempenho do turismo na economia, com finalidade de mensurar tudo o que é produzido e consumido pela atividade turística.


15 – Revitalização do Ministério do Turismo. O MTur é o de orçamento mais minguado da Esplanada dos Ministérios. A pasta é geralmente negociada em trocas políticas, sem maiores compromissos com o setor especificamente.




José Osório Naves

o Jornalista 

o Coordenador Geral da Câmara Temática de Marketing e Comercialização do Conselho Nacional do Turismo. 

o Diretor de Comunicação da CNTur

 Qual o futuro do turismo no Brasil?

José Osório Naves *


Gigante pela própria natureza com encantos mil, verdes matas e 8.500Km de praias atlânticas incríveis sob as luzes do sol tropical, o Brasil deveria ser líder no receptivo turístico internacional. 

Mas não o é.   

Infelizmente o país enfrenta um alarmante declínio em sua posição na avaliação global do turismo devido a uma série de desafios estruturais e políticos. Na avaliação de organismos internacionais como a OMT e TTCI, as previsões mais realistas o mostram despencando no ranking mundial, ocupando o 52° lugar entre 133 nações e o 5° na América do Sul, num rol de 13 vizinhos.    

Medidas urgentes são necessárias, como investimentos robustos em infraestrutura, segurança e sustentabilidade, fatores cruciais para atrair turistas internacionais. Além disso é imperativo o interesse político renovado com parcerias público-privadas e coordenado para promover o turismo como uma prioridade nacional.

Os números apresentados pela Embratur e o Ministério do Turismo, muitas vezes não são confiáveis. Na verdade, os mais aceitáveis são do Banco Central, pelo controle dos gastos de estrangeiros no país.

Para o baixo desempenho brasileiro na captação de visitantes de outros continentes, um dos mais cruéis gargalos não são a distância continental, altos custos, violência ou a má qualidade dos serviços turísticos. O que mais afeta sua imagem é a carência de informações sobre o país, especialmente na Europa onde as poucas notícias o destacando são negativas e as nossas peças promocionais muitas vezes equivocadas sobre as informações que transmitem para públicos reservados entre 4 paredes de workshops.

Turismo não se faz por propaganda, mas pelo despertar do interesse das pessoas em conhecer lugares que lhes aticem curiosidades positivas.

           Prova disso é que, quando uma celebridade mundial chega ao Brasil, pelo Rio de Janeiro, marca em sua agenda, em primeiro lugar, conhecer a miséria das favelas, só depois se interessa pelo Cristo Redentor e as belas e famosas praias do mais importante portão de entrada nacional. É fruto da informação que recebem.


Uma contabilidade díspar

 

A contabilidade turística brasileira começou em 1966 com a criação da Embratur. Nessa época havia 400 milhões de pessoas vagando pelo mundo e recebíamos 2.000 milhões de visitantes estrangeiros.  70 anos depois, atingiu o patamar de 6 milhões e 500 mil turistas de um contingente de 1 bilhão e 5oo milhões de viajantes circulando ao redor do planeta. 


Índice de classificação


Na classificação do Índice de Competitividade e Viagens e Turismo (TTCI – sigla em inglês), em 2019, mesura os fatores preponderantes à consolidação dos negócios de turismo de cada país e o Brasil alcançou o 52° lugar mundial, sendo o 6° colocado nos países da América Latina e 4° na América do Sul. O relatório também aponta que as principais deficiências do setor turístico brasileiro estão a competitividade de seus preços (91° lugar), na infraestrutura de transporte terrestres (110° lugar) e na segurança púbica (128° lugar) entre 133 países avaliados. Muito pouco mudou de lá para cá.

Quem mais nos manda turistas

A partir de 2023, com a retomada da atividade global do turismo, o país voltou à normalidade e alcançou pouco mais da metade do índice de visitações anterior, antes da pandemia, recebendo 3.914.583 turistas, segundo dados do BC. A cidade mais procurada pelo turista internacional é São Paulo, para o turismo de negócios. Em seguida vem o Rio de Janeiro e depois Fortaleza pelas praias famosas, Foz do Iguaçu e Amazonia pelo turismo natureza.

  Uma notícia positiva é que o Brasil, de acordo com a International Congress & Convention Association (ICCA), ocupa o primeiro lugar entre os países latino-americanos que mais recebem eventos intencionais. É o segundo do continente Americano e 7° do mundo, depois de Estados Unidos, Alemanha, Espanha, França, Reino Unido e Itália.

Países  mais emissivos

Dos 3.914.000 turistas internacionais contabilizados no Brasil em 2023 a ordem dos países emissivos é:

Argentina –    1.332.240.                 *  França        -    187.550

Estados Unidos –      668.478.                 *   Portugal      –  182.463

Chile –                   458.576.                 *    Alemanha -    158.582

Paraguai –       424.460.                *    Itália -               129,823

Uruguai –       334.703.                 *   Japão          –       47.123

Nessa contabilidade são:             2.449,979      Sul-Americanos

             668.428     Norte Americanos

              656.490     Europeus

Os males da desinformação

O melhor exemplo da desinformação ocorreu com a isenção do visto diplomático aos maiores países emissivos, como Estados Unidos, Canadá e Japão. A benesse não aumentou um só visitante. Por quê? Porque não houve campanhas informativas sobre o fato nos países agraciados.


Por falta dessa mesma carência de informações os argentinos, os que nos manda mais de 50% de todo o receptivo internacional, se concentram nas praias do sul, Rio Grande do Sul e Santa Cataria, porque nunca lhes foi informado que o país possui 8.500kms de lindas praias atlânticas, com a rodovia BR 101, asfaltada e com via dupla, que vai do RGS ao Rio Grande do Norte passando por paradisíacas paisagens tropicais.


Os Estado Unidos, dos pouco mais de 600.000 que nos mandam, 50% vão para a Amazônia, para turismo ecológico, porque não lhes foi transmitida a informação que o país tem mais de mil lindas atrações urbanas ao sul.


Infelizmente a retomada de nosso receptivo alcançou pouco mais de 50% de turistas que antes nos visitavam até o lockdown, que já dista 2 anos. Será muito difícil alcançar a patamar anterior, pois não temos uma política inteligente promocional que muitas vezes é feita, quando o é, de forma ineficiente e errática na direção mercadológica, buscando países de continentes distantes e de pouco interesse em nos conhecer.

O melhor visitante é o vizinho, especialmente pela curta distância. No entanto o preconceito brasileiro contra seus parceiros sul-americanos é evidente e despreza o mercado com promoções e informações, mesmo sabendo que é dessa região que o Brasil recebe 70% de todo o receptivo internacional, de forma espontânea.     


 Função estruturante 

  Para mudar esse conceito, especialmente na reconstrução da política de marketing funcional para a amostragem ao mundo, falta-se cumprir a principal função estruturante atribuída ao Ministério do Turismo (MTur), como sustentabilidade ao setor, investimentos e incentivo ao desenvolvimento e o estabelecimento de ações voltadas às práticas inclusivas na atividade. Uma delas é o Mapeamento de Atrativos, Empreendimentos, Produtos e Serviços turísticos acessíveis. O material consiste em um documento técnico que tenha como objetivo apresentar um rol de informações sobre produtos e serviços turísticos disponíveis no mercado brasileiro. Esse Mapeamento é um trabalho realizado em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – UNESCO. O material também tem o dever de focalizar conceitos sobre acessibilidade e mobilidade, abordando o que é turismo acessível, suas barreiras, critérios de caracterização de acessibilidade, orientações gerais e específicas, entre outros temas.    

O produto turístico brasileiro caracteriza-se por oferecer tanto ao turista doméstico, como estrangeiro uma diversificada gama de opções, com destaque aos atrativos naturais, aventura e histórico-cultural. Ao Norte e Nordeste a Amazônia e as lindas praias do litoral atlântico mostram a diversidade de atrativos turísticos e as florestas vistas como “pulmão do mundo”. Há grande interesse pelas cidades históricas de Minas Gerais, as praias do Rio de Janeiro e os negócios em São Paulo dividem o interesse no Sudeste.  O centro-oeste mostra sua pujança econômica na área dos agronegócios e, ao sul, o Paraná com a Foz do Iguaçu, os pampas e climas frios gaúchos, as praias de Santa Catarina são os pontos mais procurados. 

Gargalos mais recorrentes 

impeditivos ao receptivo internacional no Brasil:


1 – Desinformação e política de marketing e mercadológica erráticos com pouca informação e a procura de marcados de continentes distantes. Falta de conectividade digital, mesmo ante o domínio da Internet e a Inteligência Artificial na comercialização com a definição de novos produtos a partir de vocações naturais, históricas e culturais do país.


2 - Política de Estado – O Estado brasileiro se omite em assumir a consolidação de uma política de turismo como plataforma única e centralizada, elegendo o setor prioritário como fator econômico e social. Falta a execução de um Plano Nacional de Turismo. O último PNT elaborado pelo Ministério do Turismo foi o de 2018/2022, do qual uma vírgula sequer foi movida do papel.


3 – Incentivos e investimentos – Carência de projetos urbanos e falta de incentivos, investimentos e vontade política à atividade. Há que se investir na sustentabilidade na infraestrutura como estradas, segurança pública e equipamentos urbanos mais necessários. Isso além de incentivos fiscais e linhas de crédito para o setor privado para estimular investimentos em hotéis, restaurantes e serviços turísticos.


4 – Falta de parceria estrutural público-privada na busca da captação turística internacional. Cada setor puxando para lado oposto não se chega a lugar nenhum. Carece de um mais sério e profissional exercício de políticas estratégicas de informação sobre a imagem negativa do Brasil no Exterior. 


5 – Malha aérea – Serviços de aviação deficitários em número e voos, má conservação de aeroportos, combustíveis e estacionamento muito caros. O setor é deficitário e carente, o que tem lavado inclusive a falência do setor aéreo nacional, sendo um dos raros países sul-americanos que não tem uma empresa própria de aviação. 


6 -Portos sem infraestrutura – Faltam terminais turísticos confortáveis e adequados nos portos brasileiros. A atual estrutura é mais voltada ao transporte de cargas. Além de uma legislação portuária que data de 1914. Devido à má qualidade no receptivo portuário os cruzeiros marítimos internacionais evitam encorar na costa brasileira.


7 – Infraestrutura precária - Má conservação e manutenção de monumentos e logradouros turísticos. E carência de mobilidade, especialmente ao que se refere a transporte coletivo urbano adequado ao turismo. Dificuldade em acessibilidade para deficientes como calçadas, rampas e sinalizações sonoras aos deficientes visuais.


8 – Má qualificação de serviços – Mão de obra de baixa qualidade dos agentes e prestadores de serviços turísticos, especialmente em bares e restaurantes. Isso acontece também com relação aos guias turísticos, monoglotas e sem conhecimentos mais profundo das atrações apresentadas aos visitantes. 


9 – Violência urbana – A recorrente e incontrolável violência nas principais cidades turísticas. Carência de polícia especializada na segurança dos turistas.


10 – Consciência coletiva – Ausência de empatia comunitária à atividade turística, como fator social e econômico. Isso além da mentalidade comercial inadequada com alteração de preços nas altas temporadas, o que espanta os visitantes.


11 – Sinalização ineficiente – A sinalização indicadora de ruas e logradouros é monoglota. Faltam folhetos explicativos e orientadores sobre os locais procurados, quer histórico, natural, cultural ou urbano.


12 - Parques ecológicos largados – Dos 74 parques ecológicos classificados são deficientes em guias especializados, com trilhas mal traçadas, deficiência em áreas para camping e pousadas. Apenas 4 contam com estrutura apropriada.


13 – Foco mercadológico errático – Dar foco especial aos mercados vizinhos, ao contrário de buscar visitantes de outros continentes. Devido ao preconceito sul-americano há um descaso profissional-informativo com o mercado da América do Sul, ignorando que são os países de nosso continente os que mais nos mandam visitantes. 


14– Conta Satélite do Turismo – Pensada na primeira gestão do Ministério do Turismo, em 2003, a Conta Satélite do Turismo foi um projeto esquecido como instrumento estatístico idealizado para gerar informações sobre o desempenho do turismo na economia, com finalidade de mensurar tudo o que é produzido e consumido pela atividade turística.


15 – Revitalização do Ministério do Turismo. O MTur é o de orçamento mais minguado da Esplanada dos Ministérios. A pasta é geralmente negociada em trocas políticas, sem maiores compromissos com o setor especificamente.




José Osório Naves

o Jornalista 

o Coordenador Geral da Câmara Temática de Marketing e Comercialização do Conselho Nacional do Turismo. 

o Diretor de Comunicação da CNTur

Qual o futuro do turismo no Brasil?

José Osório Naves *


Gigante pela própria natureza com encantos mil, verdes matas e 8.500Km de praias atlânticas incríveis sob as luzes do sol tropical, o Brasil deveria ser líder no receptivo turístico internacional. 

Mas não o é.   

Infelizmente o país enfrenta um alarmante declínio em sua posição na avaliação global do turismo devido a uma série de desafios estruturais e políticos. Na avaliação de organismos internacionais como a OMT e TTCI, as previsões mais realistas o mostram despencando no ranking mundial, ocupando o 52° lugar entre 133 nações e o 5° na América do Sul, num rol de 13 vizinhos.    

Medidas urgentes são necessárias, como investimentos robustos em infraestrutura, segurança e sustentabilidade, fatores cruciais para atrair turistas internacionais. Além disso é imperativo o interesse político renovado com parcerias público-privadas e coordenado para promover o turismo como uma prioridade nacional.

Os números apresentados pela Embratur e o Ministério do Turismo, muitas vezes não são confiáveis. Na verdade, os mais aceitáveis são do Banco Central, pelo controle dos gastos de estrangeiros no país.

Para o baixo desempenho brasileiro na captação de visitantes de outros continentes, um dos mais cruéis gargalos não são a distância continental, altos custos, violência ou a má qualidade dos serviços turísticos. O que mais afeta sua imagem é a carência de informações sobre o país, especialmente na Europa onde as poucas notícias o destacando são negativas e as nossas peças promocionais muitas vezes equivocadas sobre as informações que transmitem para públicos reservados entre 4 paredes de workshops.

Turismo não se faz por propaganda, mas pelo despertar do interesse das pessoas em conhecer lugares que lhes aticem curiosidades positivas.

           Prova disso é que, quando uma celebridade mundial chega ao Brasil, pelo Rio de Janeiro, marca em sua agenda, em primeiro lugar, conhecer a miséria das favelas, só depois se interessa pelo Cristo Redentor e as belas e famosas praias do mais importante portão de entrada nacional. É fruto da informação que recebem.


Uma contabilidade díspar

 

A contabilidade turística brasileira começou em 1966 com a criação da Embratur. Nessa época havia 400 milhões de pessoas vagando pelo mundo e recebíamos 2.000 milhões de visitantes estrangeiros.  70 anos depois, atingiu o patamar de 6 milhões e 500 mil turistas de um contingente de 1 bilhão e 5oo milhões de viajantes circulando ao redor do planeta. 


Índice de classificação


Na classificação do Índice de Competitividade e Viagens e Turismo (TTCI – sigla em inglês), em 2019, mesura os fatores preponderantes à consolidação dos negócios de turismo de cada país e o Brasil alcançou o 52° lugar mundial, sendo o 6° colocado nos países da América Latina e 4° na América do Sul. O relatório também aponta que as principais deficiências do setor turístico brasileiro estão a competitividade de seus preços (91° lugar), na infraestrutura de transporte terrestres (110° lugar) e na segurança púbica (128° lugar) entre 133 países avaliados. Muito pouco mudou de lá para cá.

Quem mais nos manda turistas

A partir de 2023, com a retomada da atividade global do turismo, o país voltou à normalidade e alcançou pouco mais da metade do índice de visitações anterior, antes da pandemia, recebendo 3.914.583 turistas, segundo dados do BC. A cidade mais procurada pelo turista internacional é São Paulo, para o turismo de negócios. Em seguida vem o Rio de Janeiro e depois Fortaleza pelas praias famosas, Foz do Iguaçu e Amazonia pelo turismo natureza.

  Uma notícia positiva é que o Brasil, de acordo com a International Congress & Convention Association (ICCA), ocupa o primeiro lugar entre os países latino-americanos que mais recebem eventos intencionais. É o segundo do continente Americano e 7° do mundo, depois de Estados Unidos, Alemanha, Espanha, França, Reino Unido e Itália.

Países  mais emissivos

Dos 3.914.000 turistas internacionais contabilizados no Brasil em 2023 a ordem dos países emissivos é:

Argentina –    1.332.240.                 *  França        -    187.550

Estados Unidos –      668.478.                 *   Portugal      –  182.463

Chile –                   458.576.                 *    Alemanha -    158.582

Paraguai –       424.460.                *    Itália -               129,823

Uruguai –       334.703.                 *   Japão          –       47.123

Nessa contabilidade são:             2.449,979      Sul-Americanos

             668.428     Norte Americanos

              656.490     Europeus

Os males da desinformação

O melhor exemplo da desinformação ocorreu com a isenção do visto diplomático aos maiores países emissivos, como Estados Unidos, Canadá e Japão. A benesse não aumentou um só visitante. Por quê? Porque não houve campanhas informativas sobre o fato nos países agraciados.


Por falta dessa mesma carência de informações os argentinos, os que nos manda mais de 50% de todo o receptivo internacional, se concentram nas praias do sul, Rio Grande do Sul e Santa Cataria, porque nunca lhes foi informado que o país possui 8.500kms de lindas praias atlânticas, com a rodovia BR 101, asfaltada e com via dupla, que vai do RGS ao Rio Grande do Norte passando por paradisíacas paisagens tropicais.


Os Estado Unidos, dos pouco mais de 600.000 que nos mandam, 50% vão para a Amazônia, para turismo ecológico, porque não lhes foi transmitida a informação que o país tem mais de mil lindas atrações urbanas ao sul.


Infelizmente a retomada de nosso receptivo alcançou pouco mais de 50% de turistas que antes nos visitavam até o lockdown, que já dista 2 anos. Será muito difícil alcançar a patamar anterior, pois não temos uma política inteligente promocional que muitas vezes é feita, quando o é, de forma ineficiente e errática na direção mercadológica, buscando países de continentes distantes e de pouco interesse em nos conhecer.

O melhor visitante é o vizinho, especialmente pela curta distância. No entanto o preconceito brasileiro contra seus parceiros sul-americanos é evidente e despreza o mercado com promoções e informações, mesmo sabendo que é dessa região que o Brasil recebe 70% de todo o receptivo internacional, de forma espontânea.     


 Função estruturante 

  Para mudar esse conceito, especialmente na reconstrução da política de marketing funcional para a amostragem ao mundo, falta-se cumprir a principal função estruturante atribuída ao Ministério do Turismo (MTur), como sustentabilidade ao setor, investimentos e incentivo ao desenvolvimento e o estabelecimento de ações voltadas às práticas inclusivas na atividade. Uma delas é o Mapeamento de Atrativos, Empreendimentos, Produtos e Serviços turísticos acessíveis. O material consiste em um documento técnico que tenha como objetivo apresentar um rol de informações sobre produtos e serviços turísticos disponíveis no mercado brasileiro. Esse Mapeamento é um trabalho realizado em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – UNESCO. O material também tem o dever de focalizar conceitos sobre acessibilidade e mobilidade, abordando o que é turismo acessível, suas barreiras, critérios de caracterização de acessibilidade, orientações gerais e específicas, entre outros temas.    

O produto turístico brasileiro caracteriza-se por oferecer tanto ao turista doméstico, como estrangeiro uma diversificada gama de opções, com destaque aos atrativos naturais, aventura e histórico-cultural. Ao Norte e Nordeste a Amazônia e as lindas praias do litoral atlântico mostram a diversidade de atrativos turísticos e as florestas vistas como “pulmão do mundo”. Há grande interesse pelas cidades históricas de Minas Gerais, as praias do Rio de Janeiro e os negócios em São Paulo dividem o interesse no Sudeste.  O centro-oeste mostra sua pujança econômica na área dos agronegócios e, ao sul, o Paraná com a Foz do Iguaçu, os pampas e climas frios gaúchos, as praias de Santa Catarina são os pontos mais procurados. 

Gargalos mais recorrentes 

impeditivos ao receptivo internacional no Brasil:


1 – Desinformação e política de marketing e mercadológica erráticos com pouca informação e a procura de marcados de continentes distantes. Falta de conectividade digital, mesmo ante o domínio da Internet e a Inteligência Artificial na comercialização com a definição de novos produtos a partir de vocações naturais, históricas e culturais do país.


2 - Política de Estado – O Estado brasileiro se omite em assumir a consolidação de uma política de turismo como plataforma única e centralizada, elegendo o setor prioritário como fator econômico e social. Falta a execução de um Plano Nacional de Turismo. O último PNT elaborado pelo Ministério do Turismo foi o de 2018/2022, do qual uma vírgula sequer foi movida do papel.


3 – Incentivos e investimentos – Carência de projetos urbanos e falta de incentivos, investimentos e vontade política à atividade. Há que se investir na sustentabilidade na infraestrutura como estradas, segurança pública e equipamentos urbanos mais necessários. Isso além de incentivos fiscais e linhas de crédito para o setor privado para estimular investimentos em hotéis, restaurantes e serviços turísticos.


4 – Falta de parceria estrutural público-privada na busca da captação turística internacional. Cada setor puxando para lado oposto não se chega a lugar nenhum. Carece de um mais sério e profissional exercício de políticas estratégicas de informação sobre a imagem negativa do Brasil no Exterior. 


5 – Malha aérea – Serviços de aviação deficitários em número e voos, má conservação de aeroportos, combustíveis e estacionamento muito caros. O setor é deficitário e carente, o que tem lavado inclusive a falência do setor aéreo nacional, sendo um dos raros países sul-americanos que não tem uma empresa própria de aviação. 


6 -Portos sem infraestrutura – Faltam terminais turísticos confortáveis e adequados nos portos brasileiros. A atual estrutura é mais voltada ao transporte de cargas. Além de uma legislação portuária que data de 1914. Devido à má qualidade no receptivo portuário os cruzeiros marítimos internacionais evitam encorar na costa brasileira.


7 – Infraestrutura precária - Má conservação e manutenção de monumentos e logradouros turísticos. E carência de mobilidade, especialmente ao que se refere a transporte coletivo urbano adequado ao turismo. Dificuldade em acessibilidade para deficientes como calçadas, rampas e sinalizações sonoras aos deficientes visuais.


8 – Má qualificação de serviços – Mão de obra de baixa qualidade dos agentes e prestadores de serviços turísticos, especialmente em bares e restaurantes. Isso acontece também com relação aos guias turísticos, monoglotas e sem conhecimentos mais profundo das atrações apresentadas aos visitantes. 


9 – Violência urbana – A recorrente e incontrolável violência nas principais cidades turísticas. Carência de polícia especializada na segurança dos turistas.


10 – Consciência coletiva – Ausência de empatia comunitária à atividade turística, como fator social e econômico. Isso além da mentalidade comercial inadequada com alteração de preços nas altas temporadas, o que espanta os visitantes.


11 – Sinalização ineficiente – A sinalização indicadora de ruas e logradouros é monoglota. Faltam folhetos explicativos e orientadores sobre os locais procurados, quer histórico, natural, cultural ou urbano.


12 - Parques ecológicos largados – Dos 74 parques ecológicos classificados são deficientes em guias especializados, com trilhas mal traçadas, deficiência em áreas para camping e pousadas. Apenas 4 contam com estrutura apropriada.


13 – Foco mercadológico errático – Dar foco especial aos mercados vizinhos, ao contrário de buscar visitantes de outros continentes. Devido ao preconceito sul-americano há um descaso profissional-informativo com o mercado da América do Sul, ignorando que são os países de nosso continente os que mais nos mandam visitantes. 


14– Conta Satélite do Turismo – Pensada na primeira gestão do Ministério do Turismo, em 2003, a Conta Satélite do Turismo foi um projeto esquecido como instrumento estatístico idealizado para gerar informações sobre o desempenho do turismo na economia, com finalidade de mensurar tudo o que é produzido e consumido pela atividade turística.


15 – Revitalização do Ministério do Turismo. O MTur é o de orçamento mais minguado da Esplanada dos Ministérios. A pasta é geralmente negociada em trocas políticas, sem maiores compromissos com o setor especificamente.




José Osório Naves

o Jornalista 

o Coordenador Geral da Câmara Temática de Marketing e Comercialização do Conselho Nacional do Turismo. 

o Diretor de Comunicação da CNTur

Qual o futuro do turismo no Brasil?

José Osório Naves *


Gigante pela própria natureza com encantos mil, verdes matas e 8.500Km de praias atlânticas incríveis sob as luzes do sol tropical, o Brasil deveria ser líder no receptivo turístico internacional. 

Mas não o é.   

Infelizmente o país enfrenta um alarmante declínio em sua posição na avaliação global do turismo devido a uma série de desafios estruturais e políticos. Na avaliação de organismos internacionais como a OMT e TTCI, as previsões mais realistas o mostram despencando no ranking mundial, ocupando o 52° lugar entre 133 nações e o 5° na América do Sul, num rol de 13 vizinhos.    

Medidas urgentes são necessárias, como investimentos robustos em infraestrutura, segurança e sustentabilidade, fatores cruciais para atrair turistas internacionais. Além disso é imperativo o interesse político renovado com parcerias público-privadas e coordenado para promover o turismo como uma prioridade nacional.

Os números apresentados pela Embratur e o Ministério do Turismo, muitas vezes não são confiáveis. Na verdade, os mais aceitáveis são do Banco Central, pelo controle dos gastos de estrangeiros no país.

Para o baixo desempenho brasileiro na captação de visitantes de outros continentes, um dos mais cruéis gargalos não são a distância continental, altos custos, violência ou a má qualidade dos serviços turísticos. O que mais afeta sua imagem é a carência de informações sobre o país, especialmente na Europa onde as poucas notícias o destacando são negativas e as nossas peças promocionais muitas vezes equivocadas sobre as informações que transmitem para públicos reservados entre 4 paredes de workshops.

Turismo não se faz por propaganda, mas pelo despertar do interesse das pessoas em conhecer lugares que lhes aticem curiosidades positivas.

           Prova disso é que, quando uma celebridade mundial chega ao Brasil, pelo Rio de Janeiro, marca em sua agenda, em primeiro lugar, conhecer a miséria das favelas, só depois se interessa pelo Cristo Redentor e as belas e famosas praias do mais importante portão de entrada nacional. É fruto da informação que recebem.


Uma contabilidade díspar

 

A contabilidade turística brasileira começou em 1966 com a criação da Embratur. Nessa época havia 400 milhões de pessoas vagando pelo mundo e recebíamos 2.000 milhões de visitantes estrangeiros.  70 anos depois, atingiu o patamar de 6 milhões e 500 mil turistas de um contingente de 1 bilhão e 5oo milhões de viajantes circulando ao redor do planeta. 


Índice de classificação


Na classificação do Índice de Competitividade e Viagens e Turismo (TTCI – sigla em inglês), em 2019, mesura os fatores preponderantes à consolidação dos negócios de turismo de cada país e o Brasil alcançou o 52° lugar mundial, sendo o 6° colocado nos países da América Latina e 4° na América do Sul. O relatório também aponta que as principais deficiências do setor turístico brasileiro estão a competitividade de seus preços (91° lugar), na infraestrutura de transporte terrestres (110° lugar) e na segurança púbica (128° lugar) entre 133 países avaliados. Muito pouco mudou de lá para cá.

Quem mais nos manda turistas

A partir de 2023, com a retomada da atividade global do turismo, o país voltou à normalidade e alcançou pouco mais da metade do índice de visitações anterior, antes da pandemia, recebendo 3.914.583 turistas, segundo dados do BC. A cidade mais procurada pelo turista internacional é São Paulo, para o turismo de negócios. Em seguida vem o Rio de Janeiro e depois Fortaleza pelas praias famosas, Foz do Iguaçu e Amazonia pelo turismo natureza.

  Uma notícia positiva é que o Brasil, de acordo com a International Congress & Convention Association (ICCA), ocupa o primeiro lugar entre os países latino-americanos que mais recebem eventos intencionais. É o segundo do continente Americano e 7° do mundo, depois de Estados Unidos, Alemanha, Espanha, França, Reino Unido e Itália.

Países  mais emissivos

Dos 3.914.000 turistas internacionais contabilizados no Brasil em 2023 a ordem dos países emissivos é:

Argentina –    1.332.240.                 *  França        -    187.550

Estados Unidos –      668.478.                 *   Portugal      –  182.463

Chile –                   458.576.                 *    Alemanha -    158.582

Paraguai –       424.460.                *    Itália -               129,823

Uruguai –       334.703.                 *   Japão          –       47.123

Nessa contabilidade são:             2.449,979      Sul-Americanos

             668.428     Norte Americanos

              656.490     Europeus

Os males da desinformação

O melhor exemplo da desinformação ocorreu com a isenção do visto diplomático aos maiores países emissivos, como Estados Unidos, Canadá e Japão. A benesse não aumentou um só visitante. Por quê? Porque não houve campanhas informativas sobre o fato nos países agraciados.


Por falta dessa mesma carência de informações os argentinos, os que nos manda mais de 50% de todo o receptivo internacional, se concentram nas praias do sul, Rio Grande do Sul e Santa Cataria, porque nunca lhes foi informado que o país possui 8.500kms de lindas praias atlânticas, com a rodovia BR 101, asfaltada e com via dupla, que vai do RGS ao Rio Grande do Norte passando por paradisíacas paisagens tropicais.


Os Estado Unidos, dos pouco mais de 600.000 que nos mandam, 50% vão para a Amazônia, para turismo ecológico, porque não lhes foi transmitida a informação que o país tem mais de mil lindas atrações urbanas ao sul.


Infelizmente a retomada de nosso receptivo alcançou pouco mais de 50% de turistas que antes nos visitavam até o lockdown, que já dista 2 anos. Será muito difícil alcançar a patamar anterior, pois não temos uma política inteligente promocional que muitas vezes é feita, quando o é, de forma ineficiente e errática na direção mercadológica, buscando países de continentes distantes e de pouco interesse em nos conhecer.

O melhor visitante é o vizinho, especialmente pela curta distância. No entanto o preconceito brasileiro contra seus parceiros sul-americanos é evidente e despreza o mercado com promoções e informações, mesmo sabendo que é dessa região que o Brasil recebe 70% de todo o receptivo internacional, de forma espontânea.     


 Função estruturante 

  Para mudar esse conceito, especialmente na reconstrução da política de marketing funcional para a amostragem ao mundo, falta-se cumprir a principal função estruturante atribuída ao Ministério do Turismo (MTur), como sustentabilidade ao setor, investimentos e incentivo ao desenvolvimento e o estabelecimento de ações voltadas às práticas inclusivas na atividade. Uma delas é o Mapeamento de Atrativos, Empreendimentos, Produtos e Serviços turísticos acessíveis. O material consiste em um documento técnico que tenha como objetivo apresentar um rol de informações sobre produtos e serviços turísticos disponíveis no mercado brasileiro. Esse Mapeamento é um trabalho realizado em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – UNESCO. O material também tem o dever de focalizar conceitos sobre acessibilidade e mobilidade, abordando o que é turismo acessível, suas barreiras, critérios de caracterização de acessibilidade, orientações gerais e específicas, entre outros temas.    

O produto turístico brasileiro caracteriza-se por oferecer tanto ao turista doméstico, como estrangeiro uma diversificada gama de opções, com destaque aos atrativos naturais, aventura e histórico-cultural. Ao Norte e Nordeste a Amazônia e as lindas praias do litoral atlântico mostram a diversidade de atrativos turísticos e as florestas vistas como “pulmão do mundo”. Há grande interesse pelas cidades históricas de Minas Gerais, as praias do Rio de Janeiro e os negócios em São Paulo dividem o interesse no Sudeste.  O centro-oeste mostra sua pujança econômica na área dos agronegócios e, ao sul, o Paraná com a Foz do Iguaçu, os pampas e climas frios gaúchos, as praias de Santa Catarina são os pontos mais procurados. 

Gargalos mais recorrentes 

impeditivos ao receptivo internacional no Brasil:


1 – Desinformação e política de marketing e mercadológica erráticos com pouca informação e a procura de marcados de continentes distantes. Falta de conectividade digital, mesmo ante o domínio da Internet e a Inteligência Artificial na comercialização com a definição de novos produtos a partir de vocações naturais, históricas e culturais do país.


2 - Política de Estado – O Estado brasileiro se omite em assumir a consolidação de uma política de turismo como plataforma única e centralizada, elegendo o setor prioritário como fator econômico e social. Falta a execução de um Plano Nacional de Turismo. O último PNT elaborado pelo Ministério do Turismo foi o de 2018/2022, do qual uma vírgula sequer foi movida do papel.


3 – Incentivos e investimentos – Carência de projetos urbanos e falta de incentivos, investimentos e vontade política à atividade. Há que se investir na sustentabilidade na infraestrutura como estradas, segurança pública e equipamentos urbanos mais necessários. Isso além de incentivos fiscais e linhas de crédito para o setor privado para estimular investimentos em hotéis, restaurantes e serviços turísticos.


4 – Falta de parceria estrutural público-privada na busca da captação turística internacional. Cada setor puxando para lado oposto não se chega a lugar nenhum. Carece de um mais sério e profissional exercício de políticas estratégicas de informação sobre a imagem negativa do Brasil no Exterior. 


5 – Malha aérea – Serviços de aviação deficitários em número e voos, má conservação de aeroportos, combustíveis e estacionamento muito caros. O setor é deficitário e carente, o que tem lavado inclusive a falência do setor aéreo nacional, sendo um dos raros países sul-americanos que não tem uma empresa própria de aviação. 


6 -Portos sem infraestrutura – Faltam terminais turísticos confortáveis e adequados nos portos brasileiros. A atual estrutura é mais voltada ao transporte de cargas. Além de uma legislação portuária que data de 1914. Devido à má qualidade no receptivo portuário os cruzeiros marítimos internacionais evitam encorar na costa brasileira.


7 – Infraestrutura precária - Má conservação e manutenção de monumentos e logradouros turísticos. E carência de mobilidade, especialmente ao que se refere a transporte coletivo urbano adequado ao turismo. Dificuldade em acessibilidade para deficientes como calçadas, rampas e sinalizações sonoras aos deficientes visuais.


8 – Má qualificação de serviços – Mão de obra de baixa qualidade dos agentes e prestadores de serviços turísticos, especialmente em bares e restaurantes. Isso acontece também com relação aos guias turísticos, monoglotas e sem conhecimentos mais profundo das atrações apresentadas aos visitantes. 


9 – Violência urbana – A recorrente e incontrolável violência nas principais cidades turísticas. Carência de polícia especializada na segurança dos turistas.


10 – Consciência coletiva – Ausência de empatia comunitária à atividade turística, como fator social e econômico. Isso além da mentalidade comercial inadequada com alteração de preços nas altas temporadas, o que espanta os visitantes.


11 – Sinalização ineficiente – A sinalização indicadora de ruas e logradouros é monoglota. Faltam folhetos explicativos e orientadores sobre os locais procurados, quer histórico, natural, cultural ou urbano.


12 - Parques ecológicos largados – Dos 74 parques ecológicos classificados são deficientes em guias especializados, com trilhas mal traçadas, deficiência em áreas para camping e pousadas. Apenas 4 contam com estrutura apropriada.


13 – Foco mercadológico errático – Dar foco especial aos mercados vizinhos, ao contrário de buscar visitantes de outros continentes. Devido ao preconceito sul-americano há um descaso profissional-informativo com o mercado da América do Sul, ignorando que são os países de nosso continente os que mais nos mandam visitantes. 


14– Conta Satélite do Turismo – Pensada na primeira gestão do Ministério do Turismo, em 2003, a Conta Satélite do Turismo foi um projeto esquecido como instrumento estatístico idealizado para gerar informações sobre o desempenho do turismo na economia, com finalidade de mensurar tudo o que é produzido e consumido pela atividade turística.


15 – Revitalização do Ministério do Turismo. O MTur é o de orçamento mais minguado da Esplanada dos Ministérios. A pasta é geralmente negociada em trocas políticas, sem maiores compromissos com o setor especificamente.

José Osório Naves

o Jornalista 

o Coordenador Geral da Câmara Temática de Marketing e Comercialização do Conselho Nacional do Turismo. 

o Diretor de Comunicação da CNTur

Qual o futuro do turismo no Brasil?

José Osório Naves *

Gigante pela própria natureza com encantos mil, verdes matas e 8.500Km de praias atlânticas incríveis sob as luzes do sol tropical, o Brasil deveria ser líder no receptivo turístico internacional. 

Mas não o é.   

Infelizmente o país enfrenta um alarmante declínio em sua posição na avaliação global do turismo devido a uma série de desafios estruturais e políticos. Na avaliação de organismos internacionais como a OMT e TTCI, as previsões mais realistas o mostram despencando no ranking mundial, ocupando o 52° lugar entre 133 nações e o 5° na América do Sul, num rol de 13 vizinhos.    

Medidas urgentes são necessárias, como investimentos robustos em infraestrutura, segurança e sustentabilidade, fatores cruciais para atrair turistas internacionais. Além disso é imperativo o interesse político renovado com parcerias público-privadas e coordenado para promover o turismo como uma prioridade nacional.

Os números apresentados pela Embratur e o Ministério do Turismo, muitas vezes não são confiáveis. Na verdade, os mais aceitáveis são do Banco Central, pelo controle dos gastos de estrangeiros no país.

Para o baixo desempenho brasileiro na captação de visitantes de outros continentes, um dos mais cruéis gargalos não são a distância continental, altos custos, violência ou a má qualidade dos serviços turísticos. O que mais afeta sua imagem é a carência de informações sobre o país, especialmente na Europa onde as poucas notícias o destacando são negativas e as nossas peças promocionais muitas vezes equivocadas sobre as informações que transmitem para públicos reservados entre 4 paredes de workshops.

Turismo não se faz por propaganda, mas pelo despertar do interesse das pessoas em conhecer lugares que lhes aticem curiosidades positivas.

           Prova disso é que, quando uma celebridade mundial chega ao Brasil, pelo Rio de Janeiro, marca em sua agenda, em primeiro lugar, conhecer a miséria das favelas, só depois se interessa pelo Cristo Redentor e as belas e famosas praias do mais importante portão de entrada nacional. É fruto da informação que recebem.

Uma contabilidade díspar

A contabilidade turística brasileira começou em 1966 com a criação da Embratur. Nessa época havia 400 milhões de pessoas vagando pelo mundo e recebíamos 2.000 milhões de visitantes estrangeiros.  70 anos depois, atingiu o patamar de 6 milhões e 500 mil turistas de um contingente de 1 bilhão e 5oo milhões de viajantes circulando ao redor do planeta. 

Índice de classificação

Na classificação do Índice de Competitividade e Viagens e Turismo (TTCI – sigla em inglês), em 2019, mesura os fatores preponderantes à consolidação dos negócios de turismo de cada país e o Brasil alcançou o 52° lugar mundial, sendo o 6° colocado nos países da América Latina e 4° na América do Sul. O relatório também aponta que as principais deficiências do setor turístico brasileiro estão a competitividade de seus preços (91° lugar), na infraestrutura de transporte terrestres (110° lugar) e na segurança púbica (128° lugar) entre 133 países avaliados. Muito pouco mudou de lá para cá.

Quem mais nos manda turistas

A partir de 2023, com a retomada da atividade global do turismo, o país voltou à normalidade e alcançou pouco mais da metade do índice de visitações anterior, antes da pandemia, recebendo 3.914.583 turistas, segundo dados do BC. A cidade mais procurada pelo turista internacional é São Paulo, para o turismo de negócios. Em seguida vem o Rio de Janeiro e depois Fortaleza pelas praias famosas, Foz do Iguaçu e Amazonia pelo turismo natureza.

  Uma notícia positiva é que o Brasil, de acordo com a International Congress & Convention Association (ICCA), ocupa o primeiro lugar entre os países latino-americanos que mais recebem eventos intencionais. É o segundo do continente Americano e 7° do mundo, depois de Estados Unidos, Alemanha, Espanha, França, Reino Unido e Itália.

Países  mais emissivos

Dos 3.914.000 turistas internacionais contabilizados no Brasil em 2023 a ordem dos países emissivos é:

Argentina –    1.332.240.                 *  França        -    187.550

Estados Unidos –      668.478.                 *   Portugal      –  182.463

Chile –                   458.576.                 *    Alemanha -    158.582

Paraguai –       424.460.                *    Itália -               129,823

Uruguai –       334.703.                 *   Japão          –       47.123

Nessa contabilidade são:             2.449,979      Sul-Americanos

             668.428     Norte Americanos

              656.490     Europeus

Os males da desinformação

O melhor exemplo da desinformação ocorreu com a isenção do visto diplomático aos maiores países emissivos, como Estados Unidos, Canadá e Japão. A benesse não aumentou um só visitante. Por quê? Porque não houve campanhas informativas sobre o fato nos países agraciados.

Por falta dessa mesma carência de informações os argentinos, os que nos manda mais de 50% de todo o receptivo internacional, se concentram nas praias do sul, Rio Grande do Sul e Santa Cataria, porque nunca lhes foi informado que o país possui 8.500kms de lindas praias atlânticas, com a rodovia BR 101, asfaltada e com via dupla, que vai do RGS ao Rio Grande do Norte passando por paradisíacas paisagens tropicais.

Os Estado Unidos, dos pouco mais de 600.000 que nos mandam, 50% vão para a Amazônia, para turismo ecológico, porque não lhes foi transmitida a informação que o país tem mais de mil lindas atrações urbanas ao sul.

Infelizmente a retomada de nosso receptivo alcançou pouco mais de 50% de turistas que antes nos visitavam até o lockdown, que já dista 2 anos. Será muito difícil alcançar a patamar anterior, pois não temos uma política inteligente promocional que muitas vezes é feita, quando o é, de forma ineficiente e errática na direção mercadológica, buscando países de continentes distantes e de pouco interesse em nos conhecer.

O melhor visitante é o vizinho, especialmente pela curta distância. No entanto o preconceito brasileiro contra seus parceiros sul-americanos é evidente e despreza o mercado com promoções e informações, mesmo sabendo que é dessa região que o Brasil recebe 70% de todo o receptivo internacional, de forma espontânea.     

 Função estruturante 

  Para mudar esse conceito, especialmente na reconstrução da política de marketing funcional para a amostragem ao mundo, falta-se cumprir a principal função estruturante atribuída ao Ministério do Turismo (MTur), como sustentabilidade ao setor, investimentos e incentivo ao desenvolvimento e o estabelecimento de ações voltadas às práticas inclusivas na atividade. Uma delas é o Mapeamento de Atrativos, Empreendimentos, Produtos e Serviços turísticos acessíveis. O material consiste em um documento técnico que tenha como objetivo apresentar um rol de informações sobre produtos e serviços turísticos disponíveis no mercado brasileiro. Esse Mapeamento é um trabalho realizado em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – UNESCO. O material também tem o dever de focalizar conceitos sobre acessibilidade e mobilidade, abordando o que é turismo acessível, suas barreiras, critérios de caracterização de acessibilidade, orientações gerais e específicas, entre outros temas.    

O produto turístico brasileiro caracteriza-se por oferecer tanto ao turista doméstico, como estrangeiro uma diversificada gama de opções, com destaque aos atrativos naturais, aventura e histórico-cultural. Ao Norte e Nordeste a Amazônia e as lindas praias do litoral atlântico mostram a diversidade de atrativos turísticos e as florestas vistas como “pulmão do mundo”. Há grande interesse pelas cidades históricas de Minas Gerais, as praias do Rio de Janeiro e os negócios em São Paulo dividem o interesse no Sudeste.  O centro-oeste mostra sua pujança econômica na área dos agronegócios e, ao sul, o Paraná com a Foz do Iguaçu, os pampas e climas frios gaúchos, as praias de Santa Catarina são os pontos mais procurados. 

Gargalos mais recorrentes 

impeditivos ao receptivo internacional no Brasil:

1 – Desinformação e política de marketing e mercadológica erráticos com pouca informação e a procura de marcados de continentes distantes. Falta de conectividade digital, mesmo ante o domínio da Internet e a Inteligência Artificial na comercialização com a definição de novos produtos a partir de vocações naturais, históricas e culturais do país.

2 - Política de Estado – O Estado brasileiro se omite em assumir a consolidação de uma política de turismo como plataforma única e centralizada, elegendo o setor prioritário como fator econômico e social. Falta a execução de um Plano Nacional de Turismo. O último PNT elaborado pelo Ministério do Turismo foi o de 2018/2022, do qual uma vírgula sequer foi movida do papel.

3 – Incentivos e investimentos – Carência de projetos urbanos e falta de incentivos, investimentos e vontade política à atividade. Há que se investir na sustentabilidade na infraestrutura como estradas, segurança pública e equipamentos urbanos mais necessários. Isso além de incentivos fiscais e linhas de crédito para o setor privado para estimular investimentos em hotéis, restaurantes e serviços turísticos.

4 – Falta de parceria estrutural público-privada na busca da captação turística internacional. Cada setor puxando para lado oposto não se chega a lugar nenhum. Carece de um mais sério e profissional exercício de políticas estratégicas de informação sobre a imagem negativa do Brasil no Exterior. 

5 – Malha aérea – Serviços de aviação deficitários em número e voos, má conservação de aeroportos, combustíveis e estacionamento muito caros. O setor é deficitário e carente, o que tem lavado inclusive a falência do setor aéreo nacional, sendo um dos raros países sul-americanos que não tem uma empresa própria de aviação. 

6 -Portos sem infraestrutura – Faltam terminais turísticos confortáveis e adequados nos portos brasileiros. A atual estrutura é mais voltada ao transporte de cargas. Além de uma legislação portuária que data de 1914. Devido à má qualidade no receptivo portuário os cruzeiros marítimos internacionais evitam encorar na costa brasileira.

7 – Infraestrutura precária - Má conservação e manutenção de monumentos e logradouros turísticos. E carência de mobilidade, especialmente ao que se refere a transporte coletivo urbano adequado ao turismo. Dificuldade em acessibilidade para deficientes como calçadas, rampas e sinalizações sonoras aos deficientes visuais.

8 – Má qualificação de serviços – Mão de obra de baixa qualidade dos agentes e prestadores de serviços turísticos, especialmente em bares e restaurantes. Isso acontece também com relação aos guias turísticos, monoglotas e sem conhecimentos mais profundo das atrações apresentadas aos visitantes. 

9 – Violência urbana – A recorrente e incontrolável violência nas principais cidades turísticas. Carência de polícia especializada na segurança dos turistas.

10 – Consciência coletiva – Ausência de empatia comunitária à atividade turística, como fator social e econômico. Isso além da mentalidade comercial inadequada com alteração de preços nas altas temporadas, o que espanta os visitantes.

11 – Sinalização ineficiente – A sinalização indicadora de ruas e logradouros é monoglota. Faltam folhetos explicativos e orientadores sobre os locais procurados, quer histórico, natural, cultural ou urbano.

12 - Parques ecológicos largados – Dos 74 parques ecológicos classificados são deficientes em guias especializados, com trilhas mal traçadas, deficiência em áreas para camping e pousadas. Apenas 4 contam com estrutura apropriada.

13 – Foco mercadológico errático – Dar foco especial aos mercados vizinhos, ao contrário de buscar visitantes de outros continentes. Devido ao preconceito sul-americano há um descaso profissional-informativo com o mercado da América do Sul, ignorando que são os países de nosso continente os que mais nos mandam visitantes. 

14– Conta Satélite do Turismo – Pensada na primeira gestão do Ministério do Turismo, em 2003, a Conta Satélite do Turismo foi um projeto esquecido como instrumento estatístico idealizado para gerar informações sobre o desempenho do turismo na economia, com finalidade de mensurar tudo o que é produzido e consumido pela atividade turística.

15 – Revitalização do Ministério do Turismo. O MTur é o de orçamento mais minguado da Esplanada dos Ministérios. A pasta é geralmente negociada em trocas políticas, sem maiores compromissos com o setor especificamente.

José Osório Naves

o Jornalista 

o Coordenador Geral da Câmara Temática de Marketing e Comercialização do Conselho Nacional do Turismo. 

o Diretor de Comunicação da CNTur

8 de junho de 2024

Economia Padrão de qualidade dos cafés produzidos em MT agrega valor aos produtos

 



Produtores de café recebem apoio do Governo do Estado para análise profissional e melhoria da qualidade dos grãos.
O Governo de Mato Grosso busca melhorar a qualidade dos grãos produzidos no Estado, além de fomentar o aumento da produção, com investimentos no programa MT Produtivo Café, desenvolvido pela Secretaria Estadual de Agricultura Familiar (Seaf).
Amostras de frutas produzidas em Sinop foram levadas para um profissional especializado em análise sensorial de cafés.
Das 18 amostras, três obtiveram pontuações acima de 80 pontos logo na primeira análise, classificando-se como cafés especiais. Esse resultado é importante para os produtores, indicando um alto padrão de qualidade que pode abrir portas para o mercado gourmet.
O barista, como é chamado esse profissional, domina as técnicas de torra e preparo de café, além de realizar análises sensoriais para determinar a qualidade dos grãos e ajudar na padronização do café.
Segundo o secretário de Agricultura Familiar de Mato Grosso, Luluca Ribeiro, o Governo do Estado está empenhado em avançar na produção de café, com a distribuição gratuita de mudas para os agricultores investirem no cultivo, e também em melhorar a qualidade dos grãos.
“Esta iniciativa reflete esse compromisso de apoiar os produtores no aprimoramento dos métodos de produção e beneficiamento dos grãos para agregar valor aos produtos”, enfatizou.
Essa ação envolveu a seleção de cafés de produtores de Sinop, em uma parceria da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer) com a Cooperativa de Agricultores de Sinop, submetidos a um rigoroso processo de torra e moagem.
Thiago Tombini, engenheiro agrônomo da Empaer, destacou que esse é um apoio que o Estado dá para os produtores familiares que desejam melhorar a qualidade dos seus produtos.
“Eu fui em cada produtor rural que atendo e pedi uma amostra desse café, para a gente poder levar até um barista profissional, que é o Hugo Peret. Ele fez a torra de cada tipo de café para transformá-lo em um café de maior qualidade. Ele faz uma padronização desse café”, comentou.
Esses cafés selecionados foram apresentados na FIT Pantanal, realizada no último final de semana, no Centro de Eventos do Pantanal, em Cuiabá. Posteriormente, a ideia é continuar a comercialização desses cafés sob a marca Raízes Mato-Grossenses.