18 de novembro de 2020
17 de novembro de 2020
MT investirá R$ 5 milhões em programa para alavancar cultivo do café
Governo do Estado quer que Mato Grosso tenha maior participação no mercado cafeeiro
Luciana Cury | Seaf-MTAndré Francisco de Souza, 40 anos, deixou Rondônia há 9 anos para plantar café robusta em Colniza, cidade ao noroeste de Mato Grosso e que há mais de 10 anos figura como o município que mais produz café do Estado. No início começou plantando o grão em 2,5 hectares. Hoje essa área mais que dobrou e está em 8 hectares.
Junto com a participação da esposa e dos dois filhos, André Souza faz o processo completo da cadeia produtiva do café: produz as mudas, planta, colhe, seca e torra o grão. A produção sai da propriedade já embalada, com destino ao comércio local e cidades vizinhas.
Como tudo que produz é vendido e percebendo que o consumo do café tem aumentado nos últimos anos, André tem a expectativa de que nos próximos anos a produção própria aumente ainda mais.
“O consumo de café está aumentando e está aumentando bastante. A procura por café de qualidade, destinado mais para bebida só vem aumentando”, reforça o produtor de Colniza.
A fala de André Souza é reforçada pela mais recente pesquisa sobre o consumo de café no País, divulgada ano passado pela Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC). De acordo com o levantamento, os consumidores brasileiros estão consumindo mais, com tendência de crescimento contínuo, e também mais exigentes com relação à qualidade. Com base nessas estimativas, em que o consumo do café no País e no mundo, seguirá em expansão, o Governo do Estado, através da Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf) quer que Mato Grosso tenha maior participação no mercado cafeeiro. Para isso colocou em prática um plano de governo com o propósito de incentivar o cultivo do café e conta com a adesão de agricultores familiares, como o André Souza, produtor de café em Colniza.
Denominado MT Produtivo Café, a ação de Governo em um primeiro momento elaborou o “Diagnóstico da Cadeia Agroindustrial do Café no Estado de Mato Grosso”, material que reúne as condições de produção e o nível de tecnologia aplicado pelos componentes da cadeia do café nas etapas de produção e comercialização. Em seguida, a Seaf, em parceria com a Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer) e prefeituras, passou a entregar mudas de café clonal de variedades conilon e robusta, essas duas as mais produzidas no Estado.
Aos agricultores familiares participantes do programa, como os dos municípios das regiões médio-norte e centro sul, como Sinop, Tangará da Serra e Cáceres, já receberam 45 mil mudas, e de dezembro de 2020 a fevereiro de 2021 outras 160 mil serão entregues. A previsão é de que até o final de 2022 alcance o total de 3,5 milhões de mudas de café clonal disponibilizadas para os 50 municípios que integram o MT Produtivo Café.
Segundo o superintendente de Agricultura Familiar da Seaf, George Lima, o programa pretende incrementar e renovar a área de café no Estado em cerca de mil hectares até 2022 com o aproveitamento de áreas já abertas e cultivadas e utilizando mudas de clones de alta produtividade, o que resultará na inserção de aproximadamente 70 mil sacas na produção de café de Mato Grosso após a produção atingir sua estabilidade.
“Todo este trabalho irá atender 700 famílias e conta com a participação importante de técnicos da Empaer e das secretarias municipais de agricultura, que irão fornecer a assistência técnica para que as áreas de café implantadas deem resultados satisfatórios”, comenta o superintendente.
Para conseguir agregar valor à produção excedente ocasionada pela ação de governo, está previsto a implantação de duas unidades de beneficiamento de café, em parceria com organizações da agricultura familiar. Elas serão implantadas das regiões norte e noroeste, onde se concentram hoje grande parte da produção do café do Estado.
No total serão investidos R$ 5 milhões a serem destinados para capacitação e contratação de técnicos, pesquisa para validação e seleção de clones, produção de mudas, restruturação de viveiros, compra de secador e de máquina descascadora de café.
Para o secretário de Estado de Agricultura Familiar, Silvano Amaral, o programa MT Produtivo Café representa um marco para o setor cafeeiro estadual, ao de fato promover ações concretas que fortalecem o segmento.
“No Brasil são 308 mil produtores de café, sendo 78% deles integrantes da agricultura familiar. Investir nos agricultores familiares é, além de ajudar nosso País a permanecer como o maior produtor e exportador de café do mundo, dar oportunidade de avanços aos que verdadeiramente sustentam a cadeia produtiva do café”, complementa.
16 de novembro de 2020
15 de novembro de 2020
Pesquisa da Unemat aponta redução em 16% da massa de água do Pantanal
Foto: Rogério Florentino - Olhar Direto
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A dinâmica do Pantanal é influenciada pelo pulso de inundação, movimentos das águas que alternam entre as estações de seca, inundação, cheia e vazante. O pulso de inundação é alimentado, não apenas pela precipitação local, mas pelo regime de chuva nas cabeceiras do Rio Paraguai, principal canal que conduz lentamente as águas do Pantanal.
No entanto, o padrão de inundação do Pantanal tem mudado. “Embora seja encontrado um pulso de inundação bem definido no Pantanal do Norte, ao longo de uma série histórica de 42 anos, o número de dias sem precipitação aumentou muito, assim como a perda de massa de água na paisagem nos últimos 10 anos, especificamente durante a estação seca”, explica o professor da Unemat, Ernandes Sobreira Oliveira Junior, doutor em Ecologia pela Universidade Radboud (Holanda).
Para mapear esse comportamento, pesquisadores ligados ao Centro de Limnologia Biodiversidade e Etnobiologia do Pantanal (Celbe) da Unemat, utilizaram dados históricos de precipitação, hidrologia e imagens de satélite para verificar os possíveis padrões de precipitação, retenção de água e nível do rio Paraguai nas últimas décadas.
Diminuição das Águas
Ao analisar, por exemplo, os dados para o mês de agosto (considerado o pico da estação seca), de 2008 a 2018, os cientistas notaram que o Pantanal Norte vem gradativamente perdendo água. A área da massa de água, em agosto de 2008, era de 112.590 ha, enquanto em 2018 foi reduzida para 95.076 ha, representando uma perda de 16% da área inundada, em apenas dez anos.Leia mais: Com grande carreata Paulo Donizete e Anelise encerram campanha para prefeito e vice“Isso muda completamente a paisagem do Pantanal. Baias, que antes eram conectadas aos rios nos períodos de cheia, passaram a se desconectar completamente. Essa redução da massa da água é algo bastante crítico quando a gente fala de Pantanal, que é uma das maiores áreas alagáveis do planeta. Até que ponto a gente vai chegar? ”, questiona. A equipe ainda não tem todos os dados relativos ao ano de 2020, mas as expectativas são alarmantes. “A gente ainda espera, nos próximos 4 anos a 5 anos, enfrentar uma escassez ainda maior do que a gente está vendo”, disse Ernandes.
Aumento de dias sem chuva
A diminuição da massa de água também pode ser uma resposta à diminuição das chuvas. Apesar o Pantanal manter o volume de precipitação ao longo de uma série histórica de 42 anos, o número de dias sem chuva aumentou.
Em 1981, apenas foram 146 sem chuva. Já em 2001 foram registrados 248 e, em 2011, o total de 287 dias de estiagem. Este acréscimo representa de 2 a 6% dos dias sem precipitação por década, tornando a estação de seca mais persistente.
“Então, a gente tem o seguinte: uma área que era inundável há 10 ou 12 anos atrás, hoje em dia, já não sofre mais tanta inundação. Esse efeito da redução das massas d’água também implica maior exposição do solo ao ar e, consequentemente, maior acúmulo de biomassa nesse solo o que pode ocasionar maiores focos de incêndio, como a gente vem vendo ano a ano”, avaliou.Leia mais: Por unanimidade TRE acata recurso e deixa Alencar apto a concorrer a reeleição em CáceresComo o ciclo hidrológico no Pantanal está relacionado com a precipitação, esses períodos mais longos sem chuva tendem a diminuir a profundidade do rio e, consequentemente, afetam a planície de inundação como um todo.
Efeito cascata
A redução da massa de água e de precipitação levam a um efeito cascata que altera todo o processo ecológico. O impacto ocorre tanto no ambiente terrestre quanto no ambiente aquático. A diminuição da área alagável afeta a reprodução de diferentes espécies, como peixes, mamíferos e pássaros.
Por anos, os pesquisadores têm mostrado que o Pantanal é sensível ao meio ambiente em transformação, onde o fluxo mais rápido e o maior carregamento de sedimentos podem prejudicar a inundação do Pantanal. “Se as pessoas não mudarem a sua consciência, em relação ao meio ambiente, em relação aos focos de queimada, a gente vai sentir ainda mais drástico, batendo novos recordes de queimada e de escassez hídrica, nos anos futuros”, avalia o professor