FONTE: https://pt.wikipedia.org/wiki/Mato_Grosso#Cultura

A Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (SECEL), é o órgão vinculado ao Governo do Estado de Mato Grosso responsável por administrar a política estadual de cultura e de desporto do estado e salvaguardar, desenvolver e difundir as manifestações culturais da sociedade mato-grossense em todas as suas expressões e diversidade regional, a memória e o patrimônio cultural, histórico e artístico.[257] Criada em 2019, durante o governo de Mauro Mendes,[257] seu regimento interno foi instituído em 2024.[258] A SECEL também administra de forma direta importantes equipamentos culturais, como a Biblioteca Pública Estadual Estevão de Mendonça, Museu Histórico de Mato Grosso, Museu de Arte Sacra de Mato Grosso, Museu de História Natural de Mato Grosso e o Museu Residência dos Governadores.[259]
Teatro e museus


O teatro em Mato Grosso teve seu início em 1727, onde foram documentados a época 80 reapresentações teatrais, sua primeira representação teatral data de 1763 por ocasião do nascimento de D. José I, com a chegada à Cuiabá de Luís de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres em 1772, com a sua posse como capitão-general em Vila Bela outras peças foram levadas.[260] Atualmente entre seus principais grupos teatrais destacam o Grupo Téspis, Cia. Teatro em Cena, Cia D´Artes, Confraria dos Atores em Cuiabá; Grupo Contracena em Sinop; Metamorfoses em Tangará da Serra; Grupo Acto em Brasnorte; Grupo Ogan em Campo Novo do Parecis dentre outros.[261]
O primeiro teatro construído em Mato Grosso foi o Teatro São João, localizado na Rua Bella Vista em Cuiabá, no ano de 1889 o prédio foi vendido a Sociedade Dramática Amor à Arte.[262] Entre seus principais espaços teatrais destaca o Teatro do Cerrado Zulmira Canavarros, inaugurado em 2014, está localizado no Centro Político e Administrativo, conta com uma plateia com 774 lugares, sendo o maior teatro do estado e um dos maiores do pais, atualmente pertence a Assembleia Legislativa de Mato Grosso;[263] o Teatro Universitário da Universidade Federal de Mato Grosso;[264] e o Cine Teatro Cuiabá, localizado no centro de Cuiabá.[265] A Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer realiza desde 2016 o Circuito de Festivais de Teatro de Mato Grosso, onde reúne os festivais de teatro realizados dentro do estado, em sua primeira edição foram realizadas apenas com 4 festivais, entre os eventos que compõe o circuito são o Festival Zé Bolo Flô de Teatro de Rua em Cuiabá, Festival de Teatro Velha Joana em Primavera do Leste, Festival de Teatro de Campo Novo do Parecis (Femute) em Campo Novo do Parecis e o Festival de Teatro da Amazônia Mato-grossense, em Alta Floresta.[266]
Em 2019, o estado possuía 60 museus e galerias de arte dentre os quais destacam-se o Museu de História Natural de Mato Grosso (localizado na Casa Dom Aquino), Museu de Arte Sacra de Mato Grosso[267] e o Museu Histórico de Mato Grosso em Cuiabá;[268] No interior do estado estão o Museu Histórico de Cáceres (situada em Cáceres, foi criado em 1978 pela professora Emília Darcy Cuyabano, por ocasião do bicentenário da cidade, na qual doou peças e documentos que acerca sobre a colonização do município, atualmente sob salvaguarda pelo museu), [267] o Museu Histórico de Sinop (em Sinop), Museu de História Natural de Alta Floresta (em Alta Floresta), [267] e o Museu de História e Arqueologia de Vila Bela da Santíssima Trindade (em Vila Bela da Santíssima Trindade).[267] Na capital Cuiabá também encontra o Núcleo de Documentação e Informação Histórica Regional também referido pela sigla NDIHR, localizado na Cidade Universitária Gabriel Novis Neves, o local é aberto para a visitação onde fica arquivados dados sobre períodos históricos do estado. [269]
Música, cinema e literatura
A música em Mato Grosso deve sua origem ao período da Guerra do Paraguai (1864–1870), com o surgimento do rasqueado, a partir da interação dos remanescentes do conflito em sua maioria paraguaios aos nativos do estado, onde houve a junção dos gêneros guarânia e polca paraguaia do Paraguai e do Chamamé da Argentina e o Siriri, atualmente o ritmo musical símbolo do estado, tendo algumas variações no estado vizinho de Mato Grosso do Sul.[270] No início dos anos 90, ocorreu o surgimento do Lambadão em Poconé na Região Metropolitana de Cuiabá, o ritmo é uma junção da carimbó e da cúmbia colombiana, foi inicialmente disseminado por bandas locais e músicos com destaque a Chico Gil.[271] Em 1979 o estado foi mencionado na música 60 dias apaixonado composta pelo compositor Darci Rossi sob encomenda a Constantino Mendes, a música retrata a cidade de Aparecida do Taboado, então pertencente a sua porção sul (hoje Mato Grosso do Sul).[272] Nesse período surgiu a dupla Matogrosso & Mathias, Nascido em Vista Alegre do Alto interior de São Paulo, João Batista Bernardo adotou o nome Mato Grosso pelo fato de ter morado desde os 18 anos na cidade de Cáceres, na fronteira com a Bolívia.[273] Atualmente entre os artistas de sucesso nacional naturais no estado estão Maiara & Maraisa,[274] Vanessa da Mata,[275] Bruna Viola,[276] Henrique & Diego,[277] João Carreiro[278] e outros.
Com o apoio do Governo do Estado de Mato Grosso a produção cinematográfica mato-grossense tem conquistado premiação em nível regional, nacional e internacional, entre a relação de filmes e curtas-metragens premiados estão o Beatriz Vira-Folhas de Samantha Col Debella (conquistou o 21º Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá), Loop de Bruno Bini (conquistou o Manchester Film Festival, Fixion no Chile e Los Angeles Brazilian Film Festival), A Batalha de Shangri-lá (conquistou a Oslo Film Festival, Jakarta Independent Film Festival, Montreal Independent Film Festival, Cinemato e o Festival de Cinema de Caruaru) Uterus Mundo, de Marithê Azevedo, Hermanos, Aqui Estamo de Jade Rainho e ainda os longas-metragens Mata Grossa, de Tati Mendes e Amauri Tangará e Luciene de Juliana Curvo e outros.[279]
A literatura mato-grossense é representada por destacados escritores são eles: Rubens de Mendonça, Ricardo Guilherme Dicke, Silva Freire, Dom Pedro Casaldáliga, Nicolas Behr e Manoel de Barros.[280][281] Entre as décadas de 70 e 90 destacam Marilza Ribeiro, Tereza Albuês, Hilda Gomes, Padre Antonio Rodrigues Pimentel, Flávio José Ferreira e Aclyse de Matos.[281] Em Cuiabá está sediada a Academia Mato-Grossense de Letras, instalada na Casa Barão de Melgaço foi fundada em 7 de setembro de 1921, atualmente é composta por 40 cadeiras,[282] sendo a mais antiga instituição literária do estado.[283]
Folclore, artesanato e culinária



Entre as principais manifestações culturais de Mato Grosso, tem influências variadas de origem africana, portuguesa, espanhola, indígenas e chiquitana.[284] principalmente nas danças, festas e sua culinária.[285] Dentre as tradições presentes no estado, destacam-se o Siriri, dançado apenas por homens, mulheres e crianças em roda ou fileiras formadas por pares que se movimentam ao som da viola de cocho, mocho e do ganzá;[286] Cururu, dançado apenas por homens, um tocando viola de cocho e o outro o ganzá ou os dois tocando viola;[286] Dança dos Mascarados, originária da cidade de Poconé é uma dança folclórica realizada desde o século XVIII em homenagens ao Senhor Divino, São Benedito e outros santos de festas religiosas;[286] Dança do Gongo e Chorado originaria da cidade de Vila Bela da Santíssima Trindade, com vestimentas colorida e entoando cantos africanos o Chorado é uma dança apresentada apenas por mulheres, onde equilibra uma garrafa de canjijin na cabeça, enquanto o Congo é encenação com reis e embaixadores que travam uma luta pelo poder;[286] Cavalhada, é uma representação da Guerra de Troia sendo confundida com as cruzadas.[286]
A produção artesanal mato-grossense tem ligação às tradições culturais do estado, como bens e utensílios domésticos, redes de descanso e na produção musical como a viola de cocho.[287] Seus artesanatos são a base de materiais como a cerâmica, madeira e argila. Entre os principais polos de produção estão a capital Cuiabá e Várzea Grande com a concentração de tecelagem, onde se dedica a produção artesanal de redes de descanso levando 30 dias ou mais cada fio a sua confecção;[287] Na Cerâmica são produzidos utensílios como potes, panelas, vasos, moringas, jarros, talhas, fruteiras e outros, onde grupos de artesãos das cidades de Cuiabá, Várzea Grande, Poconé, Rosário Oeste, Rondonópolis e outros municípios se dedica a essa produção;[287] Na produção artesanal do estado a também a confecção de trançado e pilão, utensilio de madeira muito utilizado para pilar arroz, milho para culinária local;[287]No Artesanato Indígena são confeccionados artesanalmente panelas, pratos, leques, cestas, máscaras, brinquedos e outros, a maioria dos utensílios domésticos e de rituais sagrados utilizado nas comunidades;[287] A Viola de cocho principal instrumento nas toadas de cururu e siriri, recebe este nome porque é confeccionada em um tronco de madeira inteiriço, esculpido no formato dos recipientes utilizados para alimentar os animais, os cochos. Com forma e sonoridade singulares, a viola de cocho possui sempre cinco ordens de cordas, denominada prima, contra, corda do meio, canotio e resposta;[288]
A culinária mato-grossense, por sua vez, o peixe é muito presente, podendo ser preparado de variadas maneiras frito, assado ou ensopado recheado com farinha ou em pedaços de mandioca[289] e acompanhado de arroz, pirão e a farofa de banana.[290] Entre os pratos apreciados estão a ventrecha de pacu, pacu assado, pacu seco com arroz, piraputanga na brasa, mojica de pintado, dourado na folha de bananeira e o caldo de piranha.[291] Também são apreciados a Maria-isabel, a paçoca de pilão, Farofa de Banana, Arroz com pequi, bolo de arroz e a galinhada.[291] Entre os doces mato-grossense, muitos a base de frutos locais como caju, goiaba, mangaba, limão, mamão e laranja e também o pixé e o furrundu.[292] Entre as bebidas mais presente estão o licor de pequi, licor de caju, o guaraná ralado e o canjinjin (originária de Vila Bela da Santíssima Trindade, a bebida é feita a base de mel, gengibre, cravo, canela, erva doce, raízes e outros ingredientes que compõe seu segredo industrial.).[293]
Patrimônio histórico e cultural

O primeiro bem tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em Mato Grosso foi a Igreja de Santana do Sacramento localizada no município de Chapada dos Guimarães em 1957 e no ano de 1988 foram tombadas as Ruínas da Igreja Matriz e o Palácio dos Capitães Generais em Vila Bela da Santíssima Trindade, na capital do estado Cuiabá são bens tombados pelo IPHAN o Centro Geodésico da América do Sul, localizado no Campo d'Ourique e o Centro Histórico de Cuiabá e seu conjunto arquitetônico e ruas antigas como as ruas de baixo, do meio e de cima (atuais ruas Galdino Pimentel, Ricardo Franco e Pedro Celestino respectivamente.) e em Cáceres destaca a Fazenda Descalvados, composta de capelas, casa grande e alojamento de operários e galpões, atualmente serve para o turismo e o Marco do Jauru, importante marco para definição de fronteira no Brasil.[187]Criada em 1975 a Fundação Cultural de Mato Grosso tem por finalidade preservar o patrimônio cultural mato-grossense e de estimular, por todas as formas, as manifestações da cultura regional, atualmente existem 107 bens tombados, sendo 102 materiais e 5 imateriais em 33 municípios e 2 distritos no estado.[294]
Eventos e Festividades
Entre os principais eventos realizado em Mato Grosso estão as exposições agropecuária, industrial e comercial, com destaque a Exposul em Rondonópolis, Exporriso em Sorriso, Expolucas em Lucas do Rio Verde, Expomutum em Nova Mutum além da Expoagro em Cuiabá[295] e entre os eventos relacionados ao agronegócio estão a Farm Show em Primavera do Leste, a Show Safra em Lucas do Rio Verde, Parecis Super Agro em Campo Novo do Parecis e a Oeste Show em Sinop.[296] Em Chapada dos Guimarães é realizado anualmente o Festival de Inverno de Chapada dos Guimarães, sendo um dos maiores eventos culturais do estado.[297] Em Poxoréu é realizado anualmente o Encontro Nacional de Violeiros, o evento é um encontro de grandes musicos da viola caipira, sendo o maior do genero no pais.[298] Em Cáceres é realizada o Festival Internacional de Pesca, sendo o maior evento de pesca embarcada em água doce do mundo, segundo o Guinness World Records.[299]

Entre as festividades tradicionais realizada no estado destaca a Festa de São Benedito, realizada anualmente em Cuiabá entre os dias 27 de junho e 2 julho, o evento tem seu início com uma missa, levantamento de mastro e o tradicional chá com bolo.[300] Em Vila Bela da Santíssima Trindade é realizada anualmente entre os dias 12 e 24 de julho a Festança de Vila Bela da Santíssima Trindade em celebração a Mãe de Deus e às três pessoas da Santíssima Trindade. O evento ocorre desde o Século XVII ao final da colheita de arroz, milho e mandioca, a Festança tem como ponto alto as apresentações da Dança do Congo e do Chorado.[301] Em Barra do Garças é realizada a Festa de Santo Antônio, considera a festa mais longa do estado, a festividade acontece anualmente entre os dias 31 de maio a 13 de junho em homenagem ao padroeiro da cidade, Santo Antônio.[302] Na região metropolitana é realizada anualmente no dia 29 de junho em Várzea Grande a tradicional Festa de São Pedro, realizada em homenagem a São Pedro no distrito de Bonsucesso. [303]
Entre as festividades de carnaval no estado merece destaque, elas incluem as realizadas em Cuiabá e nas cidades de Nossa Senhora do Livramento , Chapada dos Guimarães,[304]Santo Antônio de Leverger[305] na região metropolitana, além do carnaval em Cáceres e o Carnaval dos Mascarados em Guiratinga.[304] Nesse período carnavalesco é realizado na capital Cuiabá dois importantes eventos religiosos o Vinde Vede, organizada desde 1986 pela Arquidiocese de Cuiabá[306] e a Umadecre, (Congresso da União da Mocidade das Assembleias de Deus de Cuiabá e Região) organizado pela Assembleia de Deus no estado. [307]
Esportes

O futebol é o esporte mais popular dentro do estado de Mato Grosso, tendo como principais equipes Cuiabá, Mixto, Operário, União, Luverdense, Sinop e o Rondonópolis.[308] A Federação Mato-Grossense de Futebol é a entidade responsável por organizar a competição mais tradicional do estado, o Campeonato Mato-grossense, tendo sua primeira edição realizada em 1943.[309] Outra competição tradicional é a Copa FMF, disputada desde 2004 com nome Copa Governador, seu campeão escolhe disputar a campeonato brasileiro da série D ou a Copa do Brasil e seu segundo colocado com a opção preterida.[310] Entre os maiores estádios de futebol do estado, destacam-se o Dutrinha na capital, Luthero Lopes em Rondonópolis, Gigante do Norte em Sinop, Geraldão em Cáceres, Passo das Emas em Lucas do Rio Verde e o Neco Falcão, além da Arena Pantanal, que substituiu o Estádio José Fragelli, foi uma das arenas da Copa do Mundo FIFA de 2014.[311]
A Federação Mato-grossense de Atletismo fundada em 24 de março de 1976 pelo professor Expedito Sabino é a responsável pela organização das competições e incentivo ao atletismo no estado.[312] Existe ainda a Federação Mato-grossense de Basketball, fundada em 1985, entidade responsável pela gestão, coordenação e regulamentação do esporte no estado.[313] Anualmente são realizados os Jogos Escolares, Jogos Estudantis de Seleções e Jogos Abertos, essas competições são realizadas entre os meses de abril e outubro em âmbito escolar em diferentes modalidades dividas em 10 regiões esportivas, a faixa etária dos participantes é a partir dos 12 anos.[314]
No estado nasceu uma medalhista olímpica, Ana Vitória, medalha de prata no futebol em Paris 2024.[315] Também do Mato Grosso vem os medalhistas em Mundiais Felipe Lima na natação,[316] e David Moura no judô,[317] além dos campeões mundiais de futsal Vinícius e Lenísio.[318] No esporte paralímpico, judocas matogrossenses ganharam dois medalhas nos Jogos Paralímpicos de Verão de 2024, ouro para Arthur Cavalcante da Silva, e prata de Erika Zoaga.[319]
Feriados
Em Mato Grosso, existe apenas um feriado estadual: o dia 20 de novembro, em que é celebrado o Dia da Consciência Negra, em homenagem a Zumbi dos Palmares por ocasião do aniversário de sua execução em 20 de novembro de 1695, foi decretado feriado estadual pela promulgação da lei estadual nº 1 587 de 7 de dezembro de 2002.[320]

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