Mato Grosso
César Miranda, secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso (Ana Azevedo/M&E)

LISBOA — Presente na BTL 2025, o governo de Mato Grosso destacou a importância estratégica da feira para a promoção internacional do estado e reforçou sua presença contínua nos principais eventos do setor. Em entrevista exclusiva ao M&E, o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, César Miranda, afirmou que a participação faz parte de um projeto estruturado de desenvolvimento do turismo, voltado à consolidação do destino no mercado europeu.

“Mato Grosso tem participado de todas as feiras internacionais de turismo e não poderia deixar de estar aqui na BTL pela importância e abrangência que ela tem”, afirmou. Segundo ele, o estado reúne atrativos alinhados ao perfil do viajante europeu, como avistamento de aves, observação de onças, etnoturismo, contemplação da natureza e uma gastronomia regional que considera um diferencial competitivo.

Pantanal como vitrine global

O principal produto promovido no exterior é o Pantanal, bioma compartilhado com Mato Grosso do Sul e reconhecido mundialmente por sua biodiversidade. Para o secretário, trata-se de um ativo único. “O Pantanal é a grande referência de Mato Grosso e também de Mato Grosso do Sul. É único no mundo. Cachoeiras existem em muitos lugares, mas o Pantanal só existe aqui”, disse, ao classificá-lo como o principal cartão-postal do estado.

Voo direto é prioridade estratégica

Um dos principais desafios apontados para 2026 é viabilizar o primeiro voo internacional partindo da capital, Cuiabá. Hoje, as ligações entre Mato Grosso e a Europa dependem de conexões via São Paulo ou Rio de Janeiro. Embora o aeroporto da capital já esteja internacionalizado, o estado ainda não conta com operações regulares de longo curso, cenário que o governo busca mudar por meio de diálogo com companhias aéreas interessadas em iniciar voos próprios.

Miranda revelou ter realizado uma reunião com a TAP Air Portugal durante a feira. “A decisão de implantar um voo internacional envolve muitos fatores, mas houve interesse por parte da empresa”, afirmou.

No fim do ano passado, o governo estadual aprovou legislação que permite a subvenção de voos internacionais, autorizando o uso de recursos públicos para aquisição de espaços em aeronaves. A medida busca garantir sustentabilidade econômica às companhias no início das operações.

O secretário defende que a ampliação da conectividade aérea não deve atender apenas ao turismo de lazer, mas também ao fluxo corporativo. Segundo ele, Mato Grosso registra a economia que mais cresce no Brasil e tem no agronegócio seu principal motor. Se fosse um país, afirmou, seria o terceiro maior produtor de soja do mundo, atrás apenas de Brasil e Estados Unidos.

Miranda também ressaltou a posição geográfica estratégica do estado. Localizado no centro geodésico da América do Sul, Mato Grosso, na avaliação do secretário, tem potencial para se tornar um ponto de conexão entre Europa, Estados Unidos, Ásia e Oriente Médio com os países do Cone Sul.

Infraestrutura e ambiente de negócios

À frente da pasta há sete anos, César Miranda afirma que o governo estadual tem apostado em infraestrutura como base para o desenvolvimento do turismo. Segundo ele, Mato Grosso é o único estado brasileiro que investe 20% da arrecadação em obras de infraestrutura, o que representa de 5 a 6 bilhões de reais.

Os investimentos também abrangem educação e saúde. “O turista não vai para um lugar onde a própria população não gosta de morar”, afirmou. O estado registra crescimento populacional anual e atração de migrantes, cenário que, segundo ele, reforça a percepção de ambiente seguro e estruturado para negócios.

Ainda assim, a prioridade para os próximos anos permanece clara: “O principal desafio agora é a locomoção internacional. Precisamos viabilizar o primeiro voo direto. Depois disso, outros virão naturalmente. O objetivo é conectar Mato Grosso ao mundo e o mundo a Mato Grosso.”

Sustentabilidade em debate

Tema recorrente em feiras nacionais e internacionais, a sustentabilidade também entrou na pauta. De acordo com o secretário, entre as cinco maiores regiões produtoras do mundo, Mato Grosso é a única que preserva 60% do território, abrangendo áreas de Amazônia, Cerrado e Pantanal. No caso específico do Pantanal, ele afirma que a preservação chega a 100%.

Miranda citou avanços no melhoramento genético do rebanho e na eficiência da produção pecuária. Animais que antes eram abatidos com quatro ou cinco anos hoje chegam ao ponto ideal com cerca de dois anos, após passarem por sistemas de terminação mais eficientes. O ganho de produtividade teria permitido liberar aproximadamente 10 milhões de hectares de pastagens, incorporados à agricultura. Com isso, segundo ele, o estado teria condições de dobrar a produção agrícola nos próximos dez anos sem necessidade de desmatamento adicional. “Os dados são públicos e divulgados com transparência”, declarou.

O secretário reconheceu a existência de problemas relacionados à criminalidade ambiental, mas afirmou que Mato Grosso investe em tecnologia para combater desmatamento e queimadas ilegais. De acordo com ele, os índices foram reduzidos em quase 80% nos últimos sete anos.

*O M&E viaja com apoio da Shift Mobilidade e proteção GTA.