1 de outubro de 2026

Por Geraldo Lúcio - A Agricultura Familiar em Campo Novo do Parecis, Mato Grosso

A agricultura familiar em Campo Novo do Parecis, município localizado no oeste de Mato Grosso, é marcada por uma rica complexidade sociocultural e econômica. 

Embora a cidade seja amplamente reconhecida como uma das potências nacionais do agronegócio de grande escala (notadamente na produção de soja, milho e algodão), a agricultura de base familiar desempenha um papel indispensável no abastecimento local, na inclusão social e na sustentabilidade ambiental da região.

1. Perfil Geral e Estrutura Fundiária

·         Representatividade de Estabelecimentos: De acordo com os dados do Censo Agropecuário do IBGE, aproximadamente 34,9% dos estabelecimentos rurais de Campo Novo do Parecis pertencem à modalidade da agricultura familiar.

·         Dualidade de Escala: O município apresenta um contraste territorial claro: enquanto as grandes propriedades concentram a maior parte das terras cultiváveis voltadas à exportação, os pequenos núcleos familiares são os grandes responsáveis pela produção do alimento que chega diretamente à mesa da população local.

2. O Grande Diferencial: A Agricultura Familiar Indígena

Um dos pilares mais singulares e robustos do município é o protagonismo das comunidades indígenas, especialmente o povo Haliti-Paresi. Campo Novo do Parecis destaca-se nacionalmente pelo modelo de etnodesenvolvimento, onde as práticas tradicionais caminham juntas com a geração de renda sustentável e tecnologia:

·         Cooperativismo Forte: A atuação de organizações como a COOPIPARESI (Cooperativa Agropecuária do Povo Indígena Haliti-Paresi) e a COPIHANAMA abrange milhares de hectares em terras indígenas compartilhadas por diversas aldeias. Elas organizam desde a lavoura mecanizada de grãos até projetos diversificados de subsistência e comércio.

·         Diversificação Produtiva nas Aldeias: Além do cultivo controlado de grãos, as comunidades indígenas vêm expandindo a produção para frango, milho tradicional, arroz, hortaliças, frutas, café e o extrativismo de castanhas nativas.

·         Piscicultura Pioneira: O município abriga o primeiro projeto de piscicultura indígena do estado de Mato Grosso, consolidando uma importante fonte de proteína, soberania alimentar e faturamento comercial para as aldeias.

3. Principais Cadeias Produtivas (Pequenos Produtores e Assentados)

A produção do segmento não indígena — concentrada em pequenos sítios, chácaras periféricas e comunidades rurais (como a região de Seis Lagoas) — foca fortemente no mercado interno:

·         Hortifrutigranjeiros: Cultivo de verduras, legumes, mandioca, bananas e frutas diversas que abastecem os mercados urbanos locais e as feiras municipais.

·         Pecuária de Leite e Pequenos Animais: Pequena produção leiteira e criação de pequenos animais (aves, suínos e ovinos), fundamentais para a subsistência e complemento da renda mensal.

4. Políticas Públicas, Crédito e Apoio Institucional

Para mitigar desafios históricos como o acesso técnico e estrutural, a agricultura familiar em Campo Novo do Parecis conta com uma rede de suporte articulada entre o poder público e entidades estaduais:

·         Plano Municipal de Agricultura Familiar e Indígena: Recentemente, o município formalizou um plano estratégico detalhado construído de forma participativa junto à sociedade civil. Esse documento orienta as ações e investimentos no setor para os próximos 12 anos.

·         Programa Solo Vivo: Iniciativa voltada à correção do solo com o fornecimento subsidiado de insumos como calcário e adubos, além de análise técnica estrutural da terra para os pequenos produtores cadastrados.

·         FUNDAAF MT: O Fundo de Apoio à Agricultura Familiar, operado em parceria pela Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (SEAF), EMPAER e Desenvolve MT, libera linhas de fomento financeiro e distribuição de cartões de benefício para injetar capital diretamente nas atividades produtivas das famílias (como ocorreu ativamente na Aldeia Quatro Cachoeiras).

5. Comercialização e Visibilidade Regional

·         PNAE e PAA: Os produtores familiares têm forte inserção no Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), fornecendo alimentos frescos e saudáveis para a rede municipal de ensino.

·         Feiras e Turismo: O fortalecimento da marca local ganhou tração com a participação de produtores e artesãos em grandes feiras do estado (como a FIT Pantanal) e o fomento do Etnoturismo (como a FIT Etno Brasil realizada no município), integrando a vivência cultural nas aldeias com a comercialização de produtos da sociobiodiversidade e artesanato indígena

 

Por Geraldo Lúcio - A Agricultura Familiar em Campo Verde, Mato Grosso

A agricultura familiar em Campo Verde, Mato Grosso, é um dos pilares socioeconômicos do município. 

Embora a cidade seja amplamente conhecida nacionalmente por figurar entre os maiores PIBs do agronegócio de grande escala (com recordes em soja, milho e algodão), o segmento da agricultura familiar opera como um gigante silencioso na segurança alimentar regional, sendo diretamente responsável pelo abastecimento de grande parte do estado.

🗺️ Estrutura Fundiária e População Rural

A zona rural voltada à agricultura familiar em Campo Verde é caracterizada por propriedades de pequeno porte, variando majoritariamente entre 12 e 25 hectares.

·         População: Mais de 1.500 a 2.000 famílias vivem e trabalham diretamente nesse modelo produtivo.

·         Comunidades: A produção está distribuída em 13 núcleos rurais, divididos entre seis assentamentos da reforma agrária, um assentamento oriundo do extinto Banco da Terra e duas comunidades rurais tradicionais (agrovilas).

O grande destaque do município é o Assentamento Santo Antônio da Fartura. Composto por mais de 400 famílias, ele é considerado um dos assentamentos mais produtivos e organizados de Mato Grosso, funcionando como um verdadeiro modelo de reforma agrária que deu certo.

🥦 Diversificação da Produção e Abastecimento Regional

Diferente dos grandes latifúndios monocultores locais, a agricultura familiar de Campo Verde foca na Policultura. O município alcançou o status de polo hortifrutigranjeiro e é um "celeiro" essencial para a Baixada Cuiabana:

·         Hortifrútis (O Cinturão Verde): Aproximadamente 70% de todas as verduras e legumes comercializados na capital, Cuiabá, são produzidos pelas pequenas propriedades de Campo Verde. Os principais cultivos envolvem alface, couve, repolho, tomate, quiabo, jiló e vagem.

·         Tubérculos e Frutas: A produção de batata-doce ganhou enorme escala nas agrovilas. Destaca-se também a fruticultura perene com banana (produção expressiva superior a 1.000 caixas/mês em certas agrovilas), mamão (média de 800 caixas/mês), maracujá e melão.

·         Pecuária Leiteira e Pequenos Animais: A bacia leiteira familiar fornece matéria-prima para laticínios da região. Há também forte criação de suínos e de frango semicaipira voltados ao comércio interno.

🤝 Organização Social, Cooperativismo e Agroindústria

A sustentabilidade do setor em Campo Verde deve-se ao alto nível de organização dos produtores. Destaca-se a atuação da COOPERSAF (Cooperativa dos Agricultores Familiares do Assentamento Santo Antônio da Fartura), que centraliza o comércio atacadista de frutas, verduras e raízes frescos, conferindo poder de barganha e escala de mercado aos cooperados.

Além disso, o foco atual dos produtores rurais está na verticalização e agroindústria. Muitas famílias deixaram de vender apenas a matéria-prima bruta para processar alimentos (produção de derivados do leite, doces, vegetais embalados e lavados, e o uso de técnicas de hidroponia e semihidroponia), agregando valor comercial aos produtos.

📑 Políticas Públicas e Fortalecimento Estrutural

O poder público municipal e estadual atua de forma incisiva para manter a eficiência do setor através de mecanismos consolidados:

Programa / Iniciativa

Função e Impacto na Região

Plano Municipal de Agricultura Familiar (PMAF)

Desenvolvido pela Secretaria Municipal de Agricultura em alinhamento com a SEAF-MT, traça diretrizes de investimentos, infraestrutura e expansão de mercado.

Fundo Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável

Fundo focado em melhoramento genético, kits de irrigação, eletrificação e aquisição de maquinários para uso comunitário.

Apoio da EMPAER-MT

A Empresa Mato-Grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (EMPAER) possui escritório local ativo em Campo Verde, fornecendo assistência técnica continuada e regularização através do Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF).

Programa FUNDAAF

Linhas como o FUNDAAF Inclusão Rural e Incentivo Produtivo liberam fomento financeiro e microcrédito facilitado para investimentos nas pequenas agroindústrias locais.

Mercado Institucional

Forte escoamento garantido através do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e do PNAE, inserindo alimentos frescos diretamente na merenda escolar e na assistência social do município.

A logística também é um diferencial: programas internos da Prefeitura (como o "Porteira Dentro") garantem a manutenção de estradas vicinais e pavimentação asfáltica até as comunidades, o que evita perdas de alimentos altamente perecíveis durante o transporte.

 

Por Geraldo Lúcio - A agricultura familiar no município de Campinápolis, Mato Grosso

A agricultura familiar no município de Campinápolis, localizado na região do Vale do Araguaia em Mato Grosso, desempenha um papel econômico e social fundamental. 

Diferente do modelo de grandes latifúndios voltados à monocultura de exportação (como soja e milho), a estrutura de pequenas propriedades do município funciona como a principal base de subsistência e abastecimento local.

Abaixo está uma descrição detalhada e ampliada sobre o cenário da agricultura familiar em Campinápolis:

1. Perfil Geral e Estrutura Fundiária

·         Predomínio de Estabelecimentos: De acordo com os dados históricos do Censo Agropecuário do IBGE, os pequenos produtores e a agricultura familiar correspondem a cerca de 74,8% do total de estabelecimentos rurais do município. No entanto, seguindo o padrão de concentração de terras do estado de Mato Grosso, essas propriedades ocupam uma fatia significativamente menor da área total agricultável.

·         Comunidades e Assentamentos: O município é composto por assentamentos da reforma agrária, pequenas propriedades privadas tradicionais e possui uma característica marcante: uma expressiva população originária (indígenas do povo Xavante) que atua tanto na agricultura de subsistência quanto em projetos voltados ao etnodesenvolvimento.


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2. Principais Cadeias Produtivas e Culturas

A produção familiar em Campinápolis é caracterizada pela diversificação, com destaque para:

·         Pecuária de Leite (Destaque Econômico): A atividade leiteira é um dos pilares mais fortes da economia familiar local. Campinápolis conta com a atuação da cooperativa Campileite, que reúne mais de 1.200 associados rurais na região e impulsiona o setor por meio de sua própria fábrica de ração e de laticínios. Isso agrega valor à matéria-prima fornecida pelos pequenos produtores e garante renda constante.

·         Cultura da Mandioca e Derivados: Cultivada por quase a totalidade dos agricultores familiares, a mandioca é direcionada tanto para o consumo próprio quanto para a comercialização na forma de farinha e polvilho.

·         Hortifrutigranjeiros (Olericultura): Produção de verduras, legumes e frutas que abastecem o mercado interno do município.

·         Criação de Pequenos Animais: Avicultura caipira e suinocultura de pequeno porte para subsistência e comércio local.


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3. Comercialização e Canais de Escoamento

·         Feira Livre Municipal: Campinápolis conta com a Feira Livre Municipal Coberta do Agricultor Familiar (instituída por lei municipal). Trata-se do ponto central onde os produtores vendem diretamente ao consumidor final itens como queijos, doces, hortaliças, lanches e artesanato, eliminando a figura do atravessador.

·         Políticas de Compras Públicas (PNAE e PAA): A prefeitura realiza chamadas públicas regulares para a aquisição de gêneros alimentícios diretamente da agricultura familiar destinados à alimentação escolar (Programa Nacional de Alimentação Escolar – PNAE). Isso assegura um mercado institucional fixo e seguro para o produtor local.


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4. Investimentos Recentes e Projetos de Fortalecimento

O fortalecimento do setor no município passa por parcerias estratégicas entre o poder público, órgãos de extensão rural (como a Empaer) e incentivos internacionais:

·         Projeto MT Produtivo: Campinápolis está inserida no programa coordenado pela Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf-MT) em parceria com o Banco Mundial. O programa destina investimentos para associações e cooperativas com foco em mecanização agrícola, regularização fundiária e ambiental (como validação do CAR) e melhoria da infraestrutura produtiva.

·         "Alimentos da Terra – SER Família Indígena": Um projeto piloto voltado para aldeias indígenas da região de Campinápolis, fornecendo capacitação e suporte técnico para o cultivo sustentável de alimentos e fortalecimento da segurança alimentar.

·         Audiências Públicas e Regularização: O município realiza discussões constantes mediadas por órgãos públicos para alinhar o acesso ao crédito rural, simplificação de impostos (como a facilitação da isenção de ICMS promovida pelo estado para quem tem a autodeclaração de produtor) e extensão tecnológica.


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5. Desafios Enfrentados

Apesar de sua relevância, a agricultura familiar de Campinápolis lida com gargalos históricos semelhantes aos do restante do estado:

1.    Assistência Técnica Continua: Necessidade de maior cobertura de orientação agronômica e veterinária permanente.

2.    Logística de Transporte: Desafios no escoamento de produtos altamente perecíveis (como o leite e hortaliças) durante os períodos de chuvas intensas nas estradas vicinais.

3.    Acesso Facilitado ao Crédito: Desburocratização de linhas de financiamento como o Pronaf para investimentos em irrigação e tecnologia.