A agricultura familiar no município de Cotriguaçu, Mato Grosso, constitui a base socioeconômica e de segurança alimentar do território, desempenhando um papel crucial no desenvolvimento rural sustentável do noroeste do estado.
Situado no bioma Amazônia, o município abriga uma estrutura rural complexa, marcada pela transição entre o histórico extrativismo madeireiro e a consolidação de modelos agroecológicos e integrados de produção.
🗺️ Perfil Territorial e Divisão dos Produtores
A agricultura familiar
em Cotriguaçu apresenta uma marcante diversidade geográfica e social,
sendo estruturalmente dividida em duas grandes categorias de produtores:
·
Produtores
Assentados:
Localizam-se em três principais Projetos de Assentamento (PA) coordenados pelo
INCRA:
o PA
Nova Cotriguaçu: Criado em 1993, destaca-se como o segundo maior assentamento rural do
estado de Mato Grosso, abrangendo uma extensão de 95.058 hectares fracionados em 1.502 lotes produtivos.
o PA
Juruena e PA Cederes: Áreas de reforma agrária cujos lotes
individuais variam majoritariamente de 25 a 100 hectares, focados na produção
de subsistência e pequenos excedentes comerciais.
·
Produtores
"Tradicionais": São agricultores
familiares situados em propriedades particulares mais consolidadas e
geograficamente próximas ao núcleo urbano. Suas áreas possuem dimensões
maiores, alcançando até 400 hectares dentro dos limites
legais de classificação da agricultura familiar da região.
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🌾
Principais Cadeias Produtivas e Diversificação
A
matriz produtiva do pequeno produtor cotriguaçuense destaca-se pela
diversificação como estratégia de resiliência econômica:
1.
Bovinocultura
de Leite e Corte: A pecuária leiteira representa a
principal fonte de renda mensal contínua para centenas de
famílias nos assentamentos. A criação de gado de corte também é amplamente
difundida como uma "poupança" para o agricultor.
2.
Cafeicultura: O
cultivo de café está em franca expansão. Destaca-se o avanço tecnológico com a
introdução de variedades clonais de café Robusta e Conilon, que já ocupam áreas
expressivas e geram alta produtividade em pequenas superfícies.
3.
Sistemas
Agroflorestais (SAFs) e Fruticultura: Impulsionada por
cooperativas e ONGs socioambientais, a implantação de SAFs integra árvores
nativas com culturas comerciais. Destacam-se as produções de cacau, cupuaçu, pupunha, banana,
melancia e mandioca.
4.
Cultura
de Subsistência e Olaria Regional: O plantio de arroz,
feijão e milho garante a segurança alimentar das famílias, abastecendo mercados
locais e feiras municipais.
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🛡️
Sustentabilidade, Governança e Políticas Públicas
Cotriguaçu
tem se tornado referência regional no desenho de políticas de desenvolvimento
verde para o pequeno produtor.
·
PMAFI
(Plano Municipal de Agricultura Familiar e Indígena):
Instituído pela Lei Municipal nº 1.245/2023, o plano estabeleceu
diretrizes para os próximos anos com foco em segurança jurídica, fomento à
produção limpa e inclusão de povos tradicionais, como os indígenas da etnia Rikbaktsa.
·
Alinhamento
Internacional e Terceiro Setor: A consolidação da
agricultura sustentável ocorre por meio de programas como o TerrAmaz
e parcerias com entidades como o Instituto Centro de Vida (ICV) e a ONF Brasil.
O objetivo é cumprir as metas da estratégia estadual PCI (Produzir, Conservar e Incluir), mitigando o
desmatamento ilegal na Amazônia.
·
Organização
Coletiva:
Associações locais (como a Associação de Agricultura Familiar e
Desenvolvimento Comunitário de Nova Esperança, no PA Nova
Cotriguaçu) desempenham um papel vital na compra de maquinário coletivo e no
acesso a canais formais de comercialização, tais como o PNAE (Programa Nacional
de Alimentação Escolar).
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⚠️
Desafios Estruturais Existentes
Apesar
de sua relevância, o setor enfrenta gargalos históricos comuns à Região Norte e
Noroeste de Mato Grosso:
·
Logística
e Infraestrutura: Longas distâncias e estradas vicinais
não asfaltadas dificultam o escoamento rápido de produtos altamente perecíveis
(como o leite e frutas) durante o período chuvoso.
·
Regularização
Fundiária e Ambiental: A necessidade de
validação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e a emissão de títulos definitivos
de posse limitam um acesso mais robusto ao crédito rural de linhas como o
PRONAF.
·
Assistência
Técnica Contínua: Embora órgãos como a EMPAER realizem
mutirões, a demanda por extensão rural tecnológica e capacitação em práticas de
manejo de solo e irrigação ainda supera a oferta disponível no campo.


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