22 de setembro de 2023

Conheça banana-palha: prato criado em quilombo de MT Prato surgiu durante a pandemia, quando a empreendedora Maria Josefina dos Santos, que moradora da comunidade quilombola Mata Cavalo sentiu que precisava inovar

 Por: Lidiane Moraes

Nesta sexta-feira (22) é celebrado do Dia Mundial da Banana. Em Mato Grosso, várias receitas à base deste produto têm destaque nacional, como a farofa de banana cuiabana. 

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Banana-palha criada em Livramento. (Foto: arquivo pessoal)

Esse prato surgiu durante a Guerra do Paraguai. Conforme do historiador e pesquisador Aníbal Alencastro, diante da escassez de alguns produtos – uma vez que os portos estavam fechados, e como havia cultivo de banana e produção de farinha na região da Baixada Cuiabana – os moradores começaram criar receitas para conseguir se alimentar até que a guerra acabasse.

“Como aqui eram produzidos banana-da-terra, arroz, mamão, açúcar, farinha e carne seca. Alguns pratos criados neste período acabaram se perpetuando, agradando o paladar das pessoas, como é o caso da farofa de banana cuiabana, a maria izabel, o furrundú”, explicou o pesquisador.

E as produções à base de banana continuam até os tempos atuais. Recentemente, a moradora de Nossa Senhora do Livramento, Maria Josefina dos Santos, de 37 anos, criou a banana-palha.

“Moro em uma comunidade quilombola Mata Cavalo, e o cultivo da banana é a nossa principal fonte de renda, até porque somos conhecidos por livramentenses ‘papa-bananas’. E para valorizar a nossa cultura e gastronomia local decidi trabalhar com derivados da banana”, contou ela ao Primeira Página.

Maria, que já fazia diversos doces, como bolos, brigadeiros, balas, barra de cereal, banana chips, biscoitos, farinha de banana, paçoca de banana, teve uma ideia durante a pandemia e criou a banana-palha. 

Isso mesmo, banana-palha, “prima” da batata-palha e que também pode ser usada em refeições como strogonoff e salpicão.

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Maria Josefina dos Santos, criadora da banana-palha. (Foto: arquivo pessoal

Prato surgiu durante a pandemia, quando a empreendedora Maria Josefina dos Santos, que moradora da comunidade quilombola Mata Cavalo sentiu que precisava inovar 

“Eu estava olhando meu fatiador que é dupla face, e resolvi experimentar. Na primeira vez não deu muito certo, mas eu não desisti e fiz vários testes, até porque estávamos na pandemia e precisávamos de algo novo”.


Quando ela acertou o ponto, o negócio alavancou, até porque, segundo Maria, a crocância da banana-palha tem um pouco mais de durabilidade que da batata. “Para não ficar totalmente igual a batata, eu decidi fazer a banana-palha um pouco mais grossa e mais comprida”.

Atualmente, banana-palha e banana chips são os carros-chefes do trabalho da Maria Josefina, que pode ser apreciado na Feira Gastronômica e de Artes – É de Livramento – que ocorre no primeiro sábado de cada mês, e nas feiras da UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso), em Cuiabá, toda as sextas-feiras.

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