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7 de outubro de 2026

Técnica de Multiplicação de Melíponas Mandaçaia (Melípona quadrisfaciata anthidioide)

 Técnica de Multiplicação de Melíponas Mandaçaia (Melípona quadrisfaciata anthidioide)

Escrito por: Júlio Moutella  (11/09/2020)

Esse texto tem a finalidade de ser objetivo, intuitivo e instrucional. Buscaremos demonstrar da forma mais simples possível como é feito a multiplicação de enxames Mandaçaia utilizando os métodos N/S (ninho/sobreninho) e S/S (sobreninho/sobreninho).

Os ninhos de abelhas sem ferrão do gênero Melípona são compostas de 4000 a 5000 abelhas (Wilson 1971) que mantém um convívio social desempenhando diferentes funções em prol do enxame. 

A estrutura da colônia é formada de discos de cria sobrepostos contendo ovos, larvas e imagos, envoltos geralmente por camadas de lâminas de cera denominadas coletivamente de invólucro, circundados por potes de cerume contendo mel ou pólen (Nogueira-Neto 1997).

Com a Mandaçaia não é diferente, também conhecida por Amanaçaí, esse enxame apresenta uma estrutura de colônia em forma de discos de crias e potes de cerume para armazenar o mel. 

Podem produzir até 3 litros de mel por ano e serem criadas em caixas padronizadas denominadas INPA. 

As caixas INPA são dividas em módulos, onde temos: lixeira; ninho; sobreninho; melgueira; tampa.

 

                             

                                                                                                              Imagem 1: Caixa padrão INPA

 

Entendendo como funciona a divisão da caixa INPA, vamos aos métodos N/S e S/S:

No processo N/S (ninho/sobreninho), pegue uma colmeia povoada (colmeia mãe) e abra entre os módulos “ninho” e “sobreninho”, separe os módulos formando um enxame A e um B – no enxame A ficará o ninho povoado retirado da colmeia mãe e os outros módulos restantes serão adicionados junto ao ninho, prontos para serem povoados. 

No enxame B teremos apenas o sobreninho povoado, adicionaremos os módulos restantes (lixeira, ninho, melgueira e tampa). 

No final, o ninho (retirado da colmeia mãe) continua sendo ninho, e o sobreninho (retirado também da colmeia mãe) continua sendo sobreninho.

No método S/S (sobreninho/sobreninho) o processo será igual, pegue uma colmeia povoada (colmeia mãe) e abra entre os módulos “ninho” e “sobreninho”, separe os módulos formando um enxame A e um B – nesse método, ambos os módulos retirados da colmeia mãe se tornarão ninhos ficando acima da lixeira, bastando apenas adicionar os módulos restantes (lixeira, sobreninho, melgueira e tampa) prontos para serem povoados. 

Aqui, um módulo que era sobreninho da colmeia mãe se tornará ninho.

 

               

                                                                                          Imagem 2: Ilustração dos métodos N/S e S/S

 

Vale ressaltar que em ambos os métodos é de extrema importância reutilizar a tampa da colmeia mãe. Esses dois métodos de multiplicação valem para todas as Melíponas (Mandaçaia, Uruçu, etc)

 

Referências Bibliográficas:

- Nogueira-Neto, P. 1997. Criação Racional de Abelhas Indígenas sem Ferrão. Nogueirapis. São Paulo-SP. 445pp.

- VILAS BOAS, Hélio Conceição. Multiplicação induzida de colmeias de abelhas Melipona seminigra Friese, 1903 (Hymenoptera, Apidae) submetidas a diferentes tipos de alimentação complementar, em Manaus – AM. Manaus: [s.n.], 2012. viii, 79 f.. Dissertação (Agricultura no Trópico Úmido (ATU)) - Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia.

 

- Wilson, E.O.1971. The Insect Societies. The Belknap Press of Harvard University. 451pp.

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