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6 de outubro de 2026

Por Geraldo Lúcio- A agricultura familiar no município de Nova Xavantina, Mato Grosso.

A agricultura familiar no município de Nova Xavantina, localizado na região do Vale do Araguaia, no estado de Mato Grosso, desempenha um papel socioeconômico e de segurança alimentar essencial para a região. 

Embora o estado seja fortemente associado ao grande agronegócio de exportação, o tecido social e o abastecimento interno de Nova Xavantina dependem diretamente das pequenas propriedades rurais.

Abaixo apresenta-se uma descrição ampliada e detalhada da estrutura, dinâmica e desafios desse setor no município.
1. Perfil Territorial e Base de Assentamentos Rurais
A agricultura familiar em Nova Xavantina está profundamente estruturada em torno de Projetos de Assentamento (P.A.s) e da reforma agrária. Historicamente, mais de 1.000 famílias ocupam dezenas de milhares de hectares divididos em pequenas propriedades camponesas no município.
Entre as principais comunidades e assentamentos destacam-se:
  • P.A. Banco da Terra
  • P.A. Pé da Serra
  • P.A. Beira Rio
  • P.A. Nova Canaã do Leste
  • P.A. Ilha do Coco (recentemente com 100% de regularização fundiária)
  • P.A. Safra, P.A. Piau, P.A. Rancho Amigo, P.A. Santa Célia e P.A. Santa Cruz
A gestão dessas propriedades baseia-se na força de trabalho do núcleo familiar, com uma população de produtores predominantemente adulta (com grande parcela acima de 45 e 60 anos) e que historicamente enfrenta baixos índices de escolaridade formal, o que reforça a importância de suportes educacionais e técnicos externos.
2. Principais Atividades Produtivas e Diversificação
A produção é diversificada para mitigar riscos climáticos e econômicos, destacando-se em frentes específicas:
  • Pecuária Leiteira: É uma das principais fontes de renda mensal fixa para os assentados, suprindo laticínios locais e regionais.
  • Hortifrutigranjeiros: Cultivo expressivo de mandioca (base para a produção de farinha em casas de farinha comunitárias), abóbora, abobrinha, maxixe, alface, quiabo e cebolinha.
  • Fruticultura: Impulsionada por iniciativas recentes de fomento, como a distribuição de mudas de banana e outras frutas tropicais para diversificar a renda e melhorar a produtividade por hectare.
3. Canais de Comercialização e Escoamento
O destino da produção divide-se entre o mercado livre local e programas institucionais do Governo Federal e Municipal:
  • A Feira Coberta de Nova Xavantina: Funciona como o principal ponto de contato direto entre os produtores rurais e a população urbana, gerando renda imediata e garantindo a circulação da economia interna.
  • Políticas Públicas de Compra (PNAE): Através de chamadas públicas, os agricultores familiares fornecem alimentos para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Pelo menos 30% dos recursos financeiros para a merenda das escolas públicas municipais e estaduais são voltados à compra direta dos gêneros alimentícios do campo local.
4. Ações de Apoio, Tecnologia e Extensão Universitária
Para superar os limites estruturais, o setor conta com parcerias públicas e acadêmicas:
  • Mecanização e Infraestrutura: A prefeitura atua com programas de uso comunitário de tratores e patrulhas mecanizadas, facilitando o preparo do solo e abertura de valas para mais de 70 famílias simultaneamente.
  • Presença da UNEMAT: O campus universitário da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT) em Nova Xavantina desempenha um papel indispensável. Acadêmicos e professores do curso de Agronomia desenvolvem projetos de extensão voltados à transição para a Agroecologia, introduzindo práticas sustentáveis, adubação verde e alternativas ao uso de agrotóxicos.
  • Assistência Técnica: Através da EMPAER-MT, os agricultores recebem orientação técnica, embora a cobertura integral da assistência rural ainda permaneça como uma demanda contínua da categoria.
5. Desafios Enfrentados
Apesar de sua relevância, a resiliência dos agricultores em Nova Xavantina é constantemente testada por fatores críticos:
  • Inconstância Climática: Secas prolongadas e irregularidades nas chuvas na região do Vale do Araguaia reduzem as pastagens e prejudicam o rendimento das lavouras de subsistência.
  • Logística e Burocracia: Rigidez em exigências sanitárias e dificuldades no transporte em estradas vicinais prejudicam o acesso contínuo a canais formais de venda.
  • Acesso a Crédito: Linhas de financiamento do PRONAF por vezes esbarram em trâmites burocráticos ou na falta de regularização histórica de documentos, gargalo que vem sendo combatido com as recentes entregas de títulos definitivos de propriedade rural.

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