Na prática, a prioridade de atendimento, regularização e titulação é definida pelo estágio de evolução do processo técnico-administrativo (como a publicação do RTID ou o ajuizamento de ações de desapropriação) e por situações de vulnerabilidade jurídica ou conflito agrário.
Sob a ótica do avanço processual e relevância
histórica, as principais comunidades quilombolas de Mato Grosso que ganham
centralidade nas políticas públicas dividem-se em grupos de maturidade
fundiária:
1. Comunidades em Estágio Mais Avançado (Prioridade
Prática)
Estas são as comunidades cujos processos estão mais
próximos da regularização definitiva ou possuem decisões judiciais que obrigam
o andamento célere:
·
Mata Cavalo (Nossa
Senhora do Livramento) – É o território quilombola mais conhecido e o que mais
avançou no estado. Encontra-se na fase de ajuizamento de ações para
desapropriação de terras e desintrusão de terceiros. É subdividido em
subcomunidades (como Mata Cavalo de Cima, Mata Cavalo de Baixo, Mutuca, entre
outras).
·
Lagoinha de Baixo (Chapada dos Guimarães) – Figura historicamente junto a Mata Cavalo nos
planos prioritários de estudos e relatórios socioeconômicos e antropológicos
promovidos pelas superintendências regionais.
2. Comunidades Certificadas pela Fundação Cultural
Palmares
Mato Grosso possui mais de 180 territórios quilombolas
mapeados ou identificados, mas pouco mais de 60 possuem a certificação
formal da Fundação Cultural Palmares (FCP). A certificação confere
prioridade legal para o início da abertura do processo administrativo de
titulação do território.
Entre as principais comunidades listadas em estudos
e mapeamentos sociais do estado, destacam-se:
·
Capão Verde (Poconé)
·
Capão do Negro (Nossa
Senhora do Livramento)
·
Quilombo Chumbo (Poconé)
·
Quilombo Abolição
·
Vila Bela da Santíssima Trindade (várias comunidades na região do Vale do Guaporé,
berço histórico do célebre Quilombo do Quariterê / Piolho liderado por Teresa
de Benguela).
·
Comunidades de Acorizal, Cuiabá, Barra do Bugres, Porto Estrela,
Cáceres, Santo Antônio do Leverger e Várzea Grande.
3. O principal gargalo da "Prioridade"
Em decisões recentes provocadas pelo Ministério Público Federal (MPF), a Justiça Federal determinou que a União e o Incra viabilizem recursos específicos para dar celeridade a dezenas de processos em Mato Grosso que estavam paralisados.
Portanto, o critério de prioridade atual foca em
destravar os processos com laudos antropológicos pendentes ou áreas sob forte
pressão de grilagem e conflito fundiário.

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