21 de janeiro de 2019

Pesca Esportiva – Praticar o pesque e solte traz mais benefícios segundo estudos



Para quem pratica a pesca esportiva, pescar e soltar já é uma ação praticamente automática, mesmo que o pescador leve algum peixe para casa, a maioria é devolvida para que possam se desenvolver e se reproduzir no futuro. 

Claro que os índices de sobrevivência variam de acordo com a espécie, mas, alguns estudos apontam que o ato de soltar o peixe após uma captura, traz um benefício de cerca de 92% pós-devolução.



Analisando alguns pontos, a pesca esportiva se mostra eficaz, matar um peixe para comer é compreensível e saudável, porém, matar tudo o que se pesca obviamente trará danos a continuidade e genética das espécies.

O ato de pescar e soltar já se define pelo fato de o pescador dar a chance de sobrevivência, em uma pescaria onde 100 peixes são capturados, se nenhum for devolvido, serão cem exemplares abatidos com certeza, se a cada 100 peixes fisgados, 10 são abatidos e outros 10 morrerem por consequências da pescaria, ainda teremos 80% dos peixes vivos e dando continuidade na reprodução das espécies. 

Sempre 20% de perda será melhor do que 100% de perda no antigo sistema onde se abate tudo o que se pesca.


Na Argentina o processo de soltar o peixe já está bem incorporado por todos e os estudos locais mostram que uma mesma truta chega a ser fisgada até nove vezes por temporada, gerando muito mais recursos ao setor do que se fosse morto quando pescado pela primeira vez. 

Isso mostra que quando manuseado da maneira correta, o peixe consegue sobreviver e se recuperar de eventuais lesões.

Para os empreendimentos que dependem da pesca esportiva, o retorno financeiro que um peixe vivo traz, chega a ser incalculável, adeptos da pesca esportiva gastam em média de R$ 600,00 a R$ 1.500,00 reais por um único dia de pesca, entre transporte, hospedagem e pescaria, além de gastos pessoais e com equipamentos, gerando renda e emprego, já o peixe que é capturado e abatido, esse não trará qualquer retorno já que o seu crescimento e possível reprodução genética reprodutiva firam interrompidos.

No Brasil, o estado de Goiás estabeleceu cota zero para transporte de pescado, onde o pescador pode pescar e comer o pescado no local, mas não pode levar nenhum exemplar para casa. 

No lago Serra da Mesa por exemplo, onde antes quase não se fisgava mais tucunaré acima de 2 kg, hoje já é possível ver um maior número de peixes acima desse peso, mostrando que o método adotado traz benefícios.


Já no Mato Grosso, empresários do setor chegaram a pedir a proibição da pesca do dourado por 5 anos para que os estoques da espécie possam se recuperar e voltar a reproduzir grandes exemplares. 

Em 2012, baseado na lei nº 9.893, ficou proibido o abate do dourado na Bacia do Paraguai (Pantanal) e da Piraiba/Filhote na Bacia Amazônica, Araguaia e Tocantis. 

As espécies estão à beira da extinção nesses locais.

Na Amazônia, um estudo realizado pelo INPA (Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas) em 2011, mostrou que apenas 4,12% morreram após a soltura. 

Foram capturados 112 peixes com uso de iscas artificiais, cada exemplar foi mensurado e acondicionado em um tanque-rede por 72 horas. Foram analisados tucunarés-amarelos, açus, borboletas e botões.


Dentre as espécies de tucunarés analisados, a que apresentou o maior índice de mortalidade foi o açu, com 7,14% de animais mortos. 

O tucuna-amarelo se mostrou o mais resistente, com apenas 2,38% de mortos.

Ainda, segundo a pesquisa, as regiões anatômicas mais susceptíveis dos peixes foram a região ocular e as guelras: 60% das mortalidades estavam associadas a fixações do anzol na região ocular e 40%, nas guelras.

O estudo conclui que “os dados, apontaram que os tucunarés apresentam uma taxa de mortalidade no sistema pesque-e-solte relativamente baixa, sendo possivelmente administrada com uma adequada gestão pesqueira”.

Mas, para que o sistema de pescar e soltar funcione e traga benefícios é importante entender e realizar essa devolução de modo correto, de tal forma que o peixe possa se recuperar e continuar e se desenvolver.

Alguns dados interessantes:

Principais fatores de mortalidade: 
Os principais fatores de mortalidade dos peixes capturados e devolvidos à água são o stress, os ferimentos em órgãos fundamentais e o tempo de manuseio do peixe fora da água.

Iscas artificiais X Iscas naturais: 
Ao contrário do que muitas pessoas acreditam, as iscas artificiais causam menos danos ao peixe. Estudos mostram que a menor taxa de sobrevivência foi observada com o uso de anzol simples e iscas naturais, quando este se prendia à língua (75%), aos arcos branquiais (73%) e ao esôfago (94%). As iscas artificiais, por serem maiores, são mais difíceis de o peixe embuchar e os ferimentos causados se concentram, na maioria das vezes, na membrana da boca, o que causa lesões superficiais e de rápida cicatrização.

O uso da farpa: 
Esse é um assunto muito polêmico entre os pescadores esportivos. Com o início da pesca esportiva foi difundida a ideia do uso de anzóis e garatéias sem farpas. A primeira polêmica é se o uso do anzol sem farpa diminui a produtividade da pesca. Sem entrar no mérito da questão, os estudos com grupos de peixes indicam que não há diferença significativa nos índices de mortalidade com e sem farpa.

Obviamente, o anzol sem farpa traz alguns benefícios, como a redução no tempo para liberação do peixe e, no caso de um acidente com o pescador, fica muito mais fácil retirar um anzol ou uma garatéia sem farpa.

Para saber mais sobre a prática do pesque e solte, acesse a publicação fixa do site:
www.pescamadora.com.br/pesque-e-solte

FONTE: Wellerson Santana Pesca Esportiva

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